terça-feira, 3 de setembro de 2019

Alô amigos
Saindo agora nova edição do livro Sabor de Poesia. Nova capa e nova editora. Agora no clube de Autores

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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

terça-feira, 20 de agosto de 2019

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Tarde


O dia terminava.  Manchas  vermelhas coloriam  o fim de tarde. O céu era um misto de vermelho e amarelo um maravilhoso degradê. As cores se misturavam emaranhadas num novelo de beleza e encanto. Um vento frio de inverno soprava um sino, ao longe anunciava Ave Maria e a escuridão aos poucos apagando as cores do dia...
José estava sentado no mourão da porteira com um olhar distante perdido no horizonte  vendo o maravilhoso espetáculo.    Sempre em tardes assim era envolto por uma  atrevida melancolia que vinha sempre acompanhada de um estranho arrepio que  percorria todo o seu corpo e o fazia gelar.   Era o momento de ser invadido pelas lembranças e indagações.  Passava em revista toda a vida fazendo uma espécie de retrospectiva, analisando as perdas e acertos e lamentando muita coisa:  Lembranças  ao longe acenando,   a meninice perdida nos escombros do tempo, ouvia as frases não ditas, os milhares de eu te amo não proferidos ao longo da existência, as dores sepultadas no tempo, a vida se esvaindo e tantas outras coisas, mil ideias, um universo de divagações...
A tarde é uma dama bonita elegante, sedutora,  mas que carrega consigo um mar de tristezas. Com seu doce beijo ela faz acordar todas as mágoas e todos os lamentos.
 Ficou olhando aquilo até que a noite apagou de vez o colorido, mas não apagou a tristeza.


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

MENSAGEIRO


Autoria Múcio Ataide

Dá o pão que tem na mão
Tenta sanar tantas  feridas
Brada contra qualquer  grilhão
Dessa dominação bandida.

Abraça o irmão sofrido
A ele se irmana em sua dor
Não teme seu  sangue escorrido
Se ele correr por amor


Obras do bem  tantas faz
Por onde  anda leva a paz
Semeador em uma dura lida

Sua riqueza  o Deus  verdadeiro
A chinela nos pés do mensageiro
Percorre  o mundo buscando  justiça

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Quero vida




Quero o sabor de dia novo
Dentro de um café fresquinho
Quero o aroma  pelo ar  
E a tristeza em desalinho
Quero abraçar a vida
Como esse sol  abraça agora
Iluminando todo canto
Desde o surgir da aurora
Quero alegria emoção
Quero o  melhor que a vida tem
Espalhar a alegria
Viver o amor viver o bem
Quero a vida em cada canto
Me convidando pra dançar
Quero dizer que vale a pena
Vale a pena aqui estar.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

um verso


Um verso pode conter um universo
Um verso pode mesmo ir além
Pode percorrer o mundo
Naquele divino segundo
Em que a inspiração domina
E com toda a força vem
Um verso pode ser bem  mais
Pode definir caminhos
Pode abrir estrada
Um simples verso
Pode mesmo conter
E retratar um universo
E muito mais...

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Legado

Autoria Múcio Ataide

Quero fazer meus planos
Para "viver antes do fim"
Que a vida seja mesmo vida
E  que eu a possa viver assim:

Que eu leve sorriso
Que eu conduza alento
Que transmita alegria
Da massa seja o fermento

Que carregue dignidade
Que saiba ser bom e honesto
Que eu possa ser poesia
Em cada linha e em cada gesto

Que me vejam como melodia
Suave e serena a embalar
Que eu seja sua canção preferida
Em notas soltas pelo ar.

Que brilhe como sol da manhã
Secando o orvalho da flor
Que seja céu estrelado
De lua, sertão e trovador

Que eu seja a chuva de aconchego
Caindo suavemente  lá na serra
Fazendo brotar a semente
Que dorme dentro da terra.


Que eu seja ânimo e ação,
também relaxamento e sossego
que eu viva de tudo, evolua o tempo todo 
da seiva da vida  sorva sem medo 


que tudo o que eu viver
seja sempre  para edificar 
que eu deixe um rastro de luz
por onde eu passar. 

  
Que um dia  me lembres com ternura
e sorrindo concluas enfim 
Que valeu a pena estar junto a mim

Que seja bom o meu legado
Quando eu não mais estiver por aqui.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Caçando vida.

   Ele acordou um pouco desanimado. Olhou em volta e viu as mesmas coisas de sempre. Estava cansado daquela rotina.
   Foi até o banheiro escovou os dentes, penteou o cabelo, olhou-se no espelho e pensou: até quando vai tudo isso? Sempre a mesma monotonia. A vida  anda em círculos e tudo sempre volta  para  o  mesmo lugar.
   Resolveu andar pela casa, caçando vida como quem caça um animal selvagem, mas essa caça estava escassa. Tinha ainda a esperança de encontrá-la. Onde ela estava escondida. naquele momento?
   Foi até a escrivaninha pegou um livro do Múcio Ataide e leu um trecho de um poema:

"vida  por que se esconde
me fazendo  te procurar?
os seus caminhos são tortuosos
e nem sempre eu sei trilhar..."


quarta-feira, 17 de julho de 2019

VENTOS

Ventos fortes me  sopram
trazendo medo e espanto
Mil indagações   me botam
na cabeça  e por todo o  canto.


Tudo parece assim sombrio
a vida então perde a cor
é como um inverno sem frio
e um verão sem calor.


Ventos da tristeza da depressão
do desencanto  e da desilusão
furacão que me  leva ao sufoco.

Se para longe não o soprar
ele pode me derrubar
dia a dia pouco a pouco.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

BAMBEIA.

Autoria Múcio Ataide

A festa estava animada.

 Tereza queria pular, mas estava com medo. A pequena fogueira já estava quase apagando e as amigas juravam que se pulasse casaria. Era simpatia antiga, após o pulo falaria três vezes  bem baixinho:  “Santo Antônio vem me ajudar eu quero casar, Santo Antônio vem me ajudar  eu quero casar,  Santo Antônio vem me ajudar eu quero casar”.  Não podia perder a chance, depois dessa só daqui há um ano. Certa vez  enterrara o pobre santo de cabeça para baixo, mas parece que só por pirraça ele não quis colaborar. Agora seria mais simpática com os versinhos. Quem sabe assim conseguiria?

Deu uma volta pelo terreiro para criar coragem, distraiu-se um pouco e esqueceu sua angustia ao ver a turma animada dançando o arrasta-pé, enquanto as peneiras cheias  de biscoitos, pipoca e canjica  rodavam para lá e para cá. Adorava  as festas juninas! Era quando a casa se iluminava. Uma luz brilhando naquele ermo  de dias e dias insonsos, sem nada de extraordinário acontecer. Agora estava ali sentindo toda aquela alegria no ar. Casa branca ao pé da serra,  terreiro de chão batido, dança e música, a bandeira de santo Antônio imponente em cima do mastro depois do divertido não bambeia não, tudo era muito lindo... Era o pouco de diversão que podia existir na vida daquela moça da roça, não muito bonita, cheia de sonhos e esperanças,  presa à rotina massacrante daquele ermo, um reduto de espera no meio do nada.  Mas a noite estava linda e a vida era boa apesar de tudo.

 Lembrou-se que devia pular a fogueira e a angústia da dúvida voltou.

 Decidiu-se enfim, saiu correndo e se jogou... mas no momento em que terminava o pulo, bambeou, desequilibrou-se, quase caiu e foi amparada  pelas mãos firmes e até atrevidas de João da Silva. Pronto! Tudo resolvido. Não precisava nem recitar os versos.  Por causa daquelas mãos firmes em sua cintura e daquele olhar  malicioso do rapaz, sabia que  o pulo havia valido. Obrigado Santo Antônio. Agora era só dançar a quadrinha e seguir o “não bambeia não” da vida...

quinta-feira, 11 de julho de 2019

ACORDES


 Acordes para sonhar
Cordas badalam como sinos
Acordes soltos no ar
Cantar: visitar o que é divino

Notas, sons,  enlevo, amor
Tudo no bailado da emoção
Como o desabrochar de uma flor
Eu, Ritmo, voz e violão.

Viagem de fantasia
Aplausos  e alegria
Plateia e palco em mim

Refletores da ilusão se acendem
Deles  fortes luzes  pendem
 Num show agora  sem fim.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Era ou não era?


Autoria Múcio Ataide.

-Ei Juca! O que houve? Está aí há quase uma hora parado olhando para o ar, parece hipnotizado.
-Estou aqui viajando nos pensamentos.  Olhando a nossa turma e lembrando  aqueles velhos tempos. Ah como era bom!
-É mesmo, eu também me lembro, mas estou  feliz por continuarmos juntos. Desde moleques que a gente apronta por essa cidade!
-João Prosa , Juca e Nelsinho .  Esse trio é da pesada!
-É João prosa,  mas as coisas já não  são mais como antes.
- Por que você diz isso? Afinal de contas  estamos aqui juntos.
-É, mas antigamente tudo era melhor. A gente tinha mais animação.
-Sim, de uma certa forma Juca.  Os eflúvios da juventude pairavam no ar.
-Desde a infância quando brincávamos juntos pelas praças e quintais dessa cidade que a nossa amizade é algo grande e muito importante. Depois veio a mocidade e os namoros e a turma sempre junta. Lembram-se da escola, das paqueras  dos bailes e das bebedeiras ?
--Sim Juca,  me lembro de tudo isso. Sempre foi muito bom
-É a máxima  Ataulfiana:  Éramos felizes e não sabíamos.
-Ora, mas o Juquinha está mesmo saudosista  hoje!
-Ah saudade me invade nessa cidade!  Oh rimou!
-Juca eu acho tudo isso estranho.
-Como assim João?  Explica melhor...
-Eu acho que a gente não tem saudade do que viveu, mas sim do que não viveu. Calma, não precisa dessas caras de espanto porque eu vou explicar.
-Quem vê você falando assim pensa até que naquela época estava o tempo todo acompanhado por essa felicidade imensa!  Mas a coisa não era bem assim. Você sente saudade  do que seria o sentimento ideal para a época não do que sentia de verdade. Está se iludindo.  A  saudade que sente   hoje está baseada no ideal e não no real. Porque tudo era visto como corriqueiro e a vida era cheia de problemas e reclamações como sempre.  É uma ilusão essa de que no passado tudo era maravilhoso. É especial hoje porque você está lembrando. Pintamos  todo um colorido na historia, mas na realidade  tudo  era bem mais para o tom de cinza. Você diz que tinha saudade da escola, mas me lembro bem que você xingava aquela escola e dizia que estava ansioso para ver chegar o fim de tudo aquilo. Queria se formar logo para ficar livre dos cadernos, das apostilas dos professores chatos... E quanto aos tais bailes não tinham na época o mesmo glamour porque me lembro de você emburrado em muitos deles.  Tudo era normal enquanto deveria ser especial dessa forma mágica que você vê agora. Sua  saudade  é  do que deveria ter vivido, do que deveria ter sentido, não do que viveu e sentiu. Talvez isso seja um  certo lamento por não ter feito a coisa certa e adequado um sentimento bom a cada momento da vida valorizando-a em plenitude.  Esse  saudosismo que as pessoas tanto falam, esse apego ao passado talvez  seja a frustação porque sabem que deveriam dar mais valor à vida e aos acontecimentos. E naquele passado “maravilhoso” não  deram esse devido valor. Você não tem saudade do que viveu nem do que sentiu. Você tem saudade do que deveria ter vivido ou sentido. Me desculpe repetir isso mas é só para enfatizar.  O passado é uma grande ilusão e acho que o futuro também. 
-Eu entendo João prosa,  faz sentido o que você diz mas hoje tudo é tão sem graça!
- Será mesmo? Será que você não está repetindo a historia. Quem  garante que no futuro não sentirá a mesma saudade do hoje? E que esses momentos que vivemos agora, aqui reunidos, na maturidade da vida não serão também colocados no balaio do era feliz e não sabia?   Qualquer ser humano de qualquer idade e condição só tem o presente, o passado não existe mais e sobre ele temos mil fantasias e enganos, o futuro quem sabe se virá? Daqui a um minuto pode garantir que estará aqui? – Não damos valor ao hoje,  nos concentramos apenas no passado e no futuro, o presente é uma coisa qualquer, um intervalo, no entanto é o único que temos de verdade.

-Mas sendo assim João Prosa  a frase faz ainda mais sentido:  Éramos felizes e não sabíamos.
Sim concordo,  a frase é correta mas não deveria ser assim. Nos iludimos um pouco com a interpretação dela.  Talvez o correto seria: Naquela época   eu deveria saber que podia ser feliz
- Sabe o que eu quero mesmo de agora em diante?
-Olha só Juca,  o nosso reflexivo  amigo Nelsinho finalmente se manifestou na conversa.  Diga amigo o que você quer?
- Daqui há algum tempo  dizer: Eu era feliz e sabia.  

- Caros amigos Juca e Nelsinho:  Hoje somos e sabemos. 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Sexta

Um dia  alegre, animado.
Tem gente que fica  besta.
Todo mundo empolgado,
Com a chegada da sexta. 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Voar

O menino queria voar...
Não se contentava com o  chão.
Queria pelos ares planar,
Solto ou em um avião.

Não importava a maneira,
Mas queria estar la em cima.
Cavaleiro dos ares, alma aventureira,
Ir muito além sentia ser sua sina.

Mas a coisa não foi fácil  não,
Por poucas vezes saiu do chão
Como ele tanto queria.

Voar foi e é um lindo sonho
Coisa de menino  alegre risonho,
Que sonhou ser pássaro um dia. 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

ventos



Os ventos sopram... 
E fazem movimento por aqui.
As vezes são suaves brisas
Noutras furações avassaladores.
Trazem o perfume dos campos nas manhãs,
E os uivos da noite  mais sombria.
Vão entrando pelas frestas...
Derrubando portas, abrindo janelas
Entram atrevidos casa à dentro.
São mensageiros de tantos lugares!
Já passaram por tantos morros e serras
Até chegar aqui...
visitantes atrevidos.
Impossível contê-los.
E sopram em mim,
Me sussurram coisas
Me balançam...
As vezes quase me tiram do chão
Ventos vêm, ventos vão...

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Lema

Uma encruzilhada uma curva,
A indecisão que logo toma conta,
E a nenhum caminho me  aponta,
Quando a mente se torna turva.

A inspiração então se esconde.
Numa caverna muito fechada,
Caprichosa,  ri de mim a danada,
Num lugar que nem sei onde.


E fico parado em frente à tela,
Vasculhando a mente em busca dela,
Da ideia que pode ser o tema


E me pergunto: qual o caminho
para fazer algum versinho
onde vou achar o lema ?


segunda-feira, 10 de junho de 2019

O DIA

Autoria Múcio Ataide.
(poema em comemoração aos meus cinquenta anos.)

Está chegando o dia...
Ritual de passagem se aproximando.
Um pouco de tensão misturada à comemoração,
E uma vontade louca de fazer tudo diferente.
De agora em diante tudo diferente...
Um recomeço marcante.
Que faça valer à pena.
Que a vida não seja uma coisa qualquer
Mas brindada e amada
Com o que der e vier.
Que a aventura de viver seja conclamada
Por todos os cantos...
E que dela eu extraia a mais fina flor do encanto.
Que eu seja manha de sol de inverno noite clara de lua,
 Despertando mil paixões
E iluminando becos e ruas.
Que tenha na boca o gosto de fruta madura
Me deliciando com a loucura de um estonteante sabor
Que me realize no ver no ouvir no sentir
No abraço forte em tudo o que cheirar a amor. 
Que o passado seja a certeza de que vivi e aprendi
Que tudo tem o seu lugar, e a vida é uma escola
Pronta para ensinar.
Que o presente seja mesmo um presente.
Que saiba viver cada momento, o hoje é o tesouro
Único verdadeiro o resto é vento.
Que o futuro seja de sonhos e alegrias.
E em tudo espalhe a semente da poesia.
Que o futuro coroe o presente  e o  passado
Para então acreditar nessa existência
Agora é hora de esperançar,
 Planejar, sonhar  e então voar...

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Ator da vida.


Seria mesmo bom! Fico a pensar:
Ser sempre um eterno ator,
Se adaptando seja lá  como for,
E no palco da vida brilhar.

Quando a lágrima vem num drama,
Ou  a comédia  faz gargalhar,
Ter molejo e  não esquecer de abraçar
a emoção que na cena se derrama.

Conduzir assim o sentir,
Saber ver, pensar e decidir ,
De acordo com o que vier...

No sublime espetáculo da vida, 
Com a magia do  abrir a cortina
Atuar da melhor forma que puder.


sábado, 1 de junho de 2019

Contradições.


                                                                                 A tarde fria cai num tênue sossego.
O sol derrama vermelho e poesia.
Exibe rajadas  de aconchego
E pinceladas de  melancolia.

Os sinos da matriz começam...
Acordes  vêm como chicotes...
De sublimidade e languidez salpicam,
Todos os contornos, cantos e motes.

Dois sentimentos  se apresentam,
Como flores  na manhã desabrocham.
Não sei  por que, mas sempre vai ser assim...   
        
Dégradé de encanto e beleza
Colore os  ares de paz e tristeza
Contradições que existem em mim



Foto Dênio Caldas                                                     

Site oficial  Neste site,  um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para  brindar a vida e descobrir se...