quinta-feira, 4 de março de 2021

COMO É O NOME?

Há poucos dias fiz uma crônica com o título MEU NOME.  E pelo fato de meu nome ser um pouco diferente, tenho a certeza de que quando algumas pessoas começaram a lê-la, pensaram que era autobiográfico, E no entanto era um texto ficcional. Então agora resolvi falar sobre meu nome mesmo  e apresentar aqui algumas curiosidades sobre ele.
Na época em que eu nasci o meu pai ilustríssimo Sr.  Ataide Ferreira dos Santos tinha o costume de ler todos os dias num jornal matinal a  coluna de um  famoso  jornalista chamado Múcio Athayde. O renomado homem de imprensa tornou-se até deputado e fez algumas peripécias não muito honestas por aí, mas sobre esse assunto prefiro não entrar em detalhes para preservar o nome do nosso nome. Quem quiser que pergunte ao pai google sobre o parlamentar que tinha o apelido de: O homem do chapéu, mas enfim, quando nasci  papito resolveu colocar esse nome em mim que homenageava ao jornalista  e a ele mesmo . E assim passei a assinar a alcunha de Múcio Ataide Ferreira. Um nome raro, outro nome raro e um sobrenome comum. Nome, pré-nome, antenome nem sei qual é qual.   Esse sou eu.
Um dia tive a ideia de pesquisar no google sobre o significado do meu nome pensando que  seria algo bonito, nobre, mas a mãe etimologia premiou-me apenas com um seco e discreto MUDO. É esse o significado do meu nome. Eu sou o MUDO. Talvez por isso seja calado. Quando me tornei cônscio do significado, nada disse, fiquei múcio.
E quando um dia uma pessoa elogiou-o dizendo tratar-se de um nome bonito, forte, raro e marcante, eu confesso que fiquei eMUCIOnado.
Acho que existem poucos múcios no mundo, mas já participei de uma comunidade no antigo Orkut onde só existiam múcios e haviam múcias também.
Porém essa estrada é de pedra e poeira. Não foi fácil chegar até aqui.
Desde a mais tenra idade já comecei a perceber que alguns problemas me acompanhariam vida a fora. Brincadeiras,  gozações, troca de letras e a necessidade de ficar repetindo o tempo todo e até soletrando para que as pessoas pudessem entender.
E como me chamam? Como eles me chamam? Ah tenho vários nomes. Eu sou o murso, o musgo,  Hugo, Hudson, Núcio, mussum (talvez seja atrapalhado)  mussarela, “mursarela”, “murcego”, “massum”, músculo, musculoso (estou longe disso), musgo, mugo ETC, ETC, e ETC  e o mais comum  Lúcio. A esse último adotei como meu apelido oficial.
Já perdi a conta de quantas vezes tive que soletrar  ou então dizer: é igual Lúcio só que com M no inicio.
Quando estou desanimado, e em lugares em que não preciso apresentar documento eu digo logo Lúcio (o apelido adotado) e se descobrirem a tramoia digo que entenderam errado. Outras vezes  falo diretamente o segundo nome Ataide porque  esse não traz tanta dúvida.
Uma vez numa festa ouvi meu nome ser pronunciado e fiquei curioso com o que diziam. O que eu não sabia era que estava sendo servida na recepção aquela sobremesa feita de limão ou maracujá, e por questões fonéticas a confusão se deu quando ouvi uma pessoa perguntando à outra: - Você comeu musse? – Não. -  Então coma. E outras conversas relacionadas... Musse é uma delícia... adoro musse... musse tá muito gostoso... musse com sabor de limão...  Demorei a perceber do que se tratava. Foi muito confusa essa situação.
Já me perguntaram se eu sou  descendente de árabes, porque dito rapidamente os dois nomes formam a palavra Mustaíd
Alguns produtos têm nomes parecidos ao meu.  Temos o  inocente leite mucil, o empolado cereal mucilon, e o tendencioso e imperativo  medicamento metamucil. Isso arrepia-me.
Certa vez quis mudar oficialmente para Lúcio, mas essa mudança é muito complicada porque precisa de um processo, a concessão judicial, toda uma   burocracia para se alterar  em todos os documentos e cadastros que tenho por aí... E fiquei com medo de me arrepender. Então desanimei.
Um dia uma pessoa me perguntou: Múcio como é seu nome de verdade? Eu falei  é Múcio mesmo. Ela disse: -Você está brincando, está fazendo hora com a minha cara, isso não é nome só pode ser apelido.
Teve alguém que começou a rir sem parar dizendo: Hahaha que nome mais engraçado!
Outros não conseguem decorar por mais que eu repita. E acho estranho porque a diferença está apenas em uma letra.
Quando eu mesmo preencho alguma ficha ou cadastro, observo a pessoa aproximando a ficha dos olhos para ler bem de  perto e ter a certeza de que é aquilo mesmo. E conferindo lá no chamegão. E observo até um risinho disfarçado.
Pelo telefone então é o caos. Vira uma batalha faraônica tentar fazê-los entender. Parece que as pessoas não aceitam que seja um pouco diferente e querem ter a certeza de que não podem tornar o nome comum. Insistem em muda-lo e adequá-lo  ao que já estão acostumados
Numa bela tarde tentava reservar uma diária de um hotel e então a odisseia começou:
-Alô
-Boa tarde. Eu gostaria de reservar um apartamento individual, uma diária para o próximo sábado, por favor.
- Sim, temos apenas o standard, os outros já estão reservados.
-Pode ser.
-E qual é o nome?
-Múcio Ataide Ferreira
-Como é que é ?
-Múcio
-Lúcio?
-Não, Múcio.
-Não entendi. Pode repetir por favor?
“Arc”!   - É Múcio
-Nossa é um nome diferente!
-É sim...
-Repete mais uma vez.
-Múcio.
-Ah  está certo  Sr.  agora entendi  vou soletrar:   M   U  C   H  O  ?
-Cancele a reserva por favor.

É desse jeito.  E vamos pela vida a fora.

Apesar de tudo gosto do meu nome. Ele me dá histórias para contar. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

 PAREDE FRIA 

Os corredores eram longos e frios e a solidão parecia rondar por cada canto, apesar do movimento até intenso. Talvez porque não fosse um movimento alegre, mas sim o movimento de fuga. A fuga do mal da dor, ou das dores...

Em todos os olhares por ali, via-se apenas a procura de uma paz.

Ao final do corredor o quarto mais triste de todos. 

O homem solitário e sem familia, não tinha ninguem para lhe dar carinho e cuidados. 

Sabia que faltava pouco para o fim do sofrimento. E a esse fim ninguem poderia evitar. 

Lamentava apenas  ter chegado àquele ponto  e constatar que muito pouco valera seus esforços, seu amor e sua  dedicação. 

Fracassou em construir algo que agora o sustentasse e nada mais poderia fazer. Fracassou nos negócios, fracassou na família, fracassou na construção de uma imagem boa de si e de valores que o elevassem e o fizessem se sentir em paz consigo. 

Agora ali estava no mais terrível abandono.

Foi vencido pelo tempo, pelo despreso e pela desesperança. 

Consolava-se um pouco ao  virar-se para o canto da parede fria  do quarto daquele triste hospital e chorar.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

MEU NOME

 Meu nome é um pouco estranho, eu não diria de todo exótico, mas não tão comum que possa passar despercebido. E sua relativa raridade bem como seu poder semântico e fonético me causaram desconfortos e  aborrecimentos ao longo da vida. Por causa dele coleciono mofas, chacotas e gozações. Um rosário de penas que conto uma a uma ao longo de minha existência. Vou narrar aqui tudo o que me aconteceu e o que eu passei por causa do famigerado nome  com o qual meus pais ousaram me presentear. 

Desde pequeno o achava estranho e comprido demais, mas não tinha ainda a malícia para perceber o que significava. Apenas na aurora  do entendimento, quando tinha por  volta dos dez anos que  percebi aceso o lume da clarividência e pus sobre as costas o fardo que carregaria pela existência à fora . Desde então passei  a ter vergonha do meu nome e achá-lo um tanto quanto  agressivo.

Obviamente que tudo depende do ponto de vista  e da maneira de se ler. A nossa mãe majestosa e soberana língua portuguesa nos põe à mesa pratos diversificados e iguarias que muitas vezes temos dificuldades para digerir.

E como evitar que isso seja usado para interesses escusos?  Como me era possível  evitar que os colegas maldosos da escola, aqueles que ficam de plantão para criticar todo mundo deixassem passar batida  uma  chance dessas?

 Sei que estou enrolando um pouco, usando alguns artifícios literários de protelação, com a intenção clara de fazer suspense e despertar no leitor intrigante curiosidade.  Mas em breve revelarei  o inusitado  nome e o que sucedeu-se por causa dele. Posso garantir  que em razão desse infortúnio muito já sofri, já passei cabisbaixo por entre os corredores do colégio,  já me escondi debaixo da carteira na hora da chamada,  já briguei, e me meti em muitas confusões.

A maior dificuldade foram as críticas ácidas que surgiram principalmente quando estava cursando o ensino médio. Tinha um colega  que criticava-me o tempo todo,  fazendo-me passar por situações muito vexatórias. O mancebo  não perdia oportunidade para bradar meu nome  completo,  com aquele tom de critica na voz, fazendo a risada coletiva ecoar por entre salas e corredores do colégio. O riso e a chacota estavam de mãos dadas e faziam ciranda em volta de mim. O meu algoz, meu carrasco e  maior inimigo de toda a vida se chamava Joel

Senti um reconfortante alívio quando me formei e fiquei livre de todo aquele aranzel. Depois disso vez ou outra vi um risinho daqui, outro dali quando pronunciava meu nome completo, mas isso não tinha muita importância. É na fase da adolescência que essas coisas machucam mais. Eu estava tranquilo e até já aceitava meu nome como o fardo pesado que a mim fora designado carregar  pela vida afora. .

Chega de engambelação. Chegamos ao momento crucial da revelação. Meu nome é Jacinto Leite Aquino Rego. Um  nome um pouco raro e dependendo do modo como é lido forma uma frase um tanto quanto tendenciosa.

Numa bela tarde estava chegando ao escritório de um advogado para tratar questões referentes ao meu divorcio e foi  nesse momento que as coisas se complicaram novamente. Existia um açougue ao lado do escritório e nesse açougue trabalhava meu antigo colega de escola o indesejável Joel. O algoz, o meu perseguidor, a pessoa que gerava em mim um ódio mortal. Quando me viu, lembrou-se logo dos velhos tempos e começou a proferir seu discurso infame:

-Olha se não é o Aquino? O meu amigo de escola. Jacinto leite Aquino rego. E aí cara continua sentindo? E como é a sensação? Tão velho e não perdeu a mania. Acho que vai  escorrer até a morte.

Não disse nada e entrei para o escritório do advogado.

No dia seguinte passando novamente por lá, fui outra vez  chacoteado por aquele pulha insuportável.

No terceiro dia também

No quarto dia, tomei uma decisão. Precisava acabar definitivamente  com aquilo. Vesti a armadura  da coragem. Muni-me  de ousadia e fui para o embate final, na resolução daquela terrível pendenga. Peguei uma pequena pastinha que carrego sempre comigo e dentro dela  havia um objetivo que poderia resolver de vez a questão.  Estava decidido. Não poderia aguentar  mais aquilo. Sabia  que seria uma atitude drástica, que teria consequências para o resto da vida. Teria que conviver com aquilo todos os dias, mas não importava. Minha intenção ao apelar para aquela atitude tão contundente era acabar de vez com a chacota, com as mofas e o desprezo. Queria eliminar a fonte do mal, e suportaria as consequências. Respirei fundo e  fui.

Aproximei-me do local, um pouco indeciso, olhei  para o objeto dentro da pasta,  hesitei por alguns segundos. Refleti profundamente se deveria fazer aquilo. Depois de algum tempo me decidi. Atravessei a rua devagar, parecia estar pisando em um campo minado, suava frio, meu coração desesperado parecia querer saltar para fora do peito, estava prestes a fazer algo que mudaria toda a vida. Não teria volta. Poderia ficar preso para sempre nas grades de minha consciência. A ideia da mudança me oprimia, mas precisava ir em frente. Agora era tudo  ou nada. Sabia que daqui a poucos segundos estaria definitivamente livre de tudo. O fim daquela odisseia de toda uma vida estava próximo. Até o tempo nublado com nuvens escuras no céu parecia combinar com a tensão daquele momento. Tudo em mim era indecisão e vontade de agir e de parar, mas prossegui. Cheguei à porta do açougue. Parei, , olhei para aquele sacripanta, assumi uma expressão de ódio no olhar, abri a pasta, olhei mais uma vez para o objeto lá dentro, aquele que resolveria de vez o meu problema, toquei nele resoluto  e dirigi-me ao escritório do advogado. La chegando tirei da pastinha o objeto salvador, minha certidão de nascimento e disse: - Dr. eu quero fazer uma alteração no meu nome. Não aguento mais as gozações.

O advogado perguntou-me então qual seria o novo nome e fiquei em dúvida. Poderia escolher um bem diferente, mas isso seria complicado, pois as pessoas já estavam acostumadas com meu nome, e mudanças drásticas causariam confusões em fichas e cadastros que tenho espalhado por vários lugares, ou quem sabe até alguma espécie de crise de identidade. Não é fácil se transformar em outra pessoa.  . Talvez uma mudança pequena que não fizesse muita diferença, mas eliminasse o mal.

Depois de muito pensar decidi que o novo nome seria Jacinto Leite de Aquino Rego. Assim, a  frase maliciosa estaria eliminada de vez e eu finalmente liberto do mal de toda uma vida.

Senti-me livre quando saí dali. Poderia voar, deixar-me levar pelos ares, envolto na emoção e no entusiasmo que sentia.

Passei em frente ao frigorifico, novamente olhei para o imbecil e dessa vez com uma expressão mais suave no rosto pensei. acabou seu bandido, acabou para sempre.

Depois de algum tempo foi-me concedido o direito à alteração  e pude então mudar o meu jamegão em todos os documentos.

Andava livremente pelas ruas, fiz até alguns cadastros de compra sentindo a alegria de usar a nova firma e de saber que não mais veria aqueles risinhos sarcásticos nem teria vergonha ao pronunciar meu nome completo. Sentia-me  leve e vitorioso.

Faltava-me fazer apenas uma coisa. De posse da carteira de identidade, fui até o açougue olhei bem nos olhos daquele idiota e disse:

-Olha aqui seu imbecil, acabou a brincadeira, meu nome agora é diferente - Adeus frase tendenciosa.

-O energúmeno pegou o documento, olhou demoradamente, leu em voz alta. Jacinto Leite de Aquino Rego, deu um sorriso zombeteiro e disse:

-Está certo, mas me responda apenas uma coisa: Quem é esse tal de Aqui?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

DUAS MEDIDAS

 Ele traz a manhã multicor

depositária  de mil poesias

O verde,  a flor, o  beijá-flor 

e o quanto couber de magia 

 

Numa   nau desgovernada 

Nos antolha o terror da procela

a esperança faz-se nada 

no ruflar agitado das velas

 

Enigmático Senhor de  duas vidas

polos, extremos,  duas medidas

vai transitando  do ódio ao amor

 

Gentilmente convida ao aconchego

bruscamente  abre o leque dos medos

 É enigmático  esse tal de humor.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

CÉLULA OVO

 O sol chegava

penetrava nos resquicios da noite

sugando o sereno frio que se acumulara

e pingara cruelmente  durante a escuridão

o frio ia aos poucos sendo eliminado 

e uma tênue onda de calor

trazia aconchego e brilho

o luzir da esperança ressurgia

com o lume  daquela manhã

apagando a escurdião da noite

e lançando cores  sobre tantos terrores

terrores que agora pareciam ridículos

A manhã era vida no ser

era a radiante verdade

do renascimento

do fazer outra vez

uma grande célula ovo

A manhã era vida

e tudo em volta

em seus  entornos e contornos

era novo  de novo 

POR ENQUANTO

Caminhando por ruas desertas sentia-se bem. Gostava da solidão e do contato direto com a natureza. Estava andando há quase quarenta minutos por avenidas de um bairro ainda não urbanizado da cidade. Tinha à mão seu leitor kindle e entre uma página e outra parava para sentir o verde das pastagens, o canto bonito dos passarinhos e as paisagens que ainda podia ver. Por ali exista um pouco de  asfalto, alguns postes de eletricidade, o   azul do céu e verde das matas.

Ainda exista ali um  pouco de natureza. O pouco que sobrou e  que ainda respirava depois da agressão das máquinas, que um dia, com notável crueldade invadiram o local, profanando a sacralidade do lugar, e foram abrindo  picadas,  espantando animais, recolhendo  o verde e salpicando  o piche sobre a terra vermelha do chão.

Os pássaros ainda insistiam em voar e cantar por ali. Talvez por pouco tempo, pois uma selva de concreto preparava-se para erguer-se imponente  surrupiando deles o seu ambiente, seus ninhos, a beleza dos cantos  e os movimentos.  

Animais que ali viviam  já migraram para outras paragens, do mesmo modo que migraram para ali, quando outro local foi destruído. E assim vão eles para lá e para cá tentando sobreviver enquanto o progresso vai  lhes sugando a vida e reduzindo o espaço até nada mais sobrar.

Mas não tem outro jeito pensou o leitor. É o progresso, é a evolução, não podemos fugir disso, talvez quem saiba um dia aprendamos a evoluir sem destruir tanto, a usufruir do melhor dos dois lados, da natureza  e do progresso. Quem sabe um dia! Por enquanto não.

O que resta é aproveitar um pouco dessa solidão e sossego e ler tranquilamente enquanto ainda se pode.

Por enquanto aqui estamos. Incrível como tudo na vida  é apenas um  por enquanto.  

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O FANTASMA NA ESTRADA (DEIXA EU COMPLETAR )

 “Deixa eu completar”. Essa era a frase que meu pai  usava quando o interrompíamos no momento em que contava mais uma de suas historias. 

Sempre narrava em detalhes acontecimentos de sua vida e de sua infância, e nossa pouca paciência de meninos não nos permitia ouvir e saborear seus “causos”. Quando o interrompíamos, ele usava a famosa frase e continuava a contar. Na maioria das vezes essas histórias terminavam molhadas de pequenos  filetes de emoções que serpenteavam por seu rosto como rios calmos. Sabe-se lá quantas mágoas navegavam  naquelas águas!

Muita saudade do velho e das suas historias. Se ele voltasse para contá-las novamente prometo que não ia  jamais interromper.

Vou lembrar uma delas, e meu pai será o próprio narrador, tentando refazer seu discurso como se ele aqui estivesse contando Tentando reconstruir sua  forma de narrativa em sua linguagem simples e coloquial.  E só peço uma coisa:  “DEIXA EU COMPLETAR”

 

Fantasma na estrada

Lembro-me nitidamente da noite em que ele contava essa sua peripécia. Todos reunidos na sala após o jantar, e o velho relembrava seus bons tempos de garoto numa historia curiosa do que aconteceu  numa noite escura numa estrada, quando passou por um grande susto e teve que provar sua coragem. O caso teve um final  surpreendente.  Foi mais ou menos assim:

 

-Eu me lembro de que quando eu era menino e morava lá no Brumado a gente passava ás vezes muitos dias sem vir à cidade. Só vinha mesmo no caso de precisão... uma doença... ou coisa assim. O que precisava comprar a gente comprava por lá mesmo, não tinha muita coisa, mas tinha aquilo que a gente precisava.

-Mas teve um dia que eu precisei vir à cidade para comprar um remédio... eu não lembro bem se  foi para  a mãe ou para um dos meus irmãos. Saí de lá por volta de quatro horas da tarde, não tinha condução e  eu vim à pé. Naquela época não tinha nem asfalto era uma estradinha de terra, muito empoeirada, quase que nem passava carro.

Eu queria comprar e voltar depressa pra não precisar andar de noite no escuro. Eu era muito medroso, então corri bastante para chegar, comprar o remédio e voltar.

A mãe tinha me pedido pra entregar um encomenda na casa da preta que era muito amiga  dela e morava lá no baixo São Francisco. Eu cheguei à cidade, fui até a farmácia, comprei o remédio, depois fui entregar a encomenda pensando em voltar rapidinho porque o sol já estava querendo deitar na serra. Acontece que eu cheguei à casa  da amiga da minha mãe e o pessoal estava jantando. Era por volta de cinco horas da tarde, naquela época o povo jantava muito cedo. Eles me ofereceram comida, eu recusei, mas insistiram bastante,  então acabei comendo.

Jantando e conversando acabou ficando tarde. Então tive que voltar de noite na estrada escura.

-Ah eu morria de medo. Fui rezando pelo caminho. Não tinha lua, nem estrelas, parecia até que ia chover e a   solidão da estrada me apavorava. O cri cri dos grilos e dos bichos da noite me fazia  arrepiar.  Qualquer barulho eu me assustava, achando que era um fantasma, uma alma penada ou alguma coisa assim.

Foi quando eu vi a tal coisa na estrada. Uma coisa que me assustou muito. Eu fiquei gelado e arrepiei dos pés à cabeça.

-O que era pai?

-Calma menina, deixa eu completar. Deixa que eu chego lá. Vou explicar direito como aconteceu:

- Uma luz vinda do meio do mato, ia até a metade da estrada e sumia. Se movimentava para lá e para cá. Apagava e acendia.  Pensei que fosse alguém com uma lanterna, mas não era. Pensei que fosse vaga-lume, mas não era. Era algo maior que se movimentava para os lados. Acendia e apagava.

-Nossa pai! Conta logo o que era.

-Calma menino.  Paciência. Deixa eu...

-Continua pai.

-Eu pensei; mas agora como eu faço? Eu tenho que ir embora. Tinha  que passar por ali, e enfrentar aquela alma penada que estava à minha frente. A luz vinha do mato, mas se estendia sobre a estrada, então eu tinha que passar por lá, não tinha outro caminho.

Tomei  coragem e fui...

-E o que  aconteceu pai?

-Espera menina.

-Desenrola pai

-Espera menino. Vocês  não deixam eu completar.

-Quando cheguei bem perto percebi que o fantasma era apenas uma folha fosforescente, dessas que brilham no escuro. Quando  o vento batia movia o galho da árvore até quase o meio da estrada,  a folha virava mostrando o lado luminoso e se movimentava parecendo um fantasma andando na noite, quando o vento cessava a folha virava novamente e tudo  depois voltava ao normal.

O meu medo é quem criou o fantasma na estrada. 

Daquele dia em diante nunca mais tive medo de nada.  Essas coisas não existem

Pronto completei, agora vamos dormir que já está tarde. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

A MARCA DE MARQUINHO

    Marquinho tinha convicções muito fortes. Era uma pessoa decidida e quando tomava uma decisão não ousava voltar atrás. Afinal de contas tinha  que manter a sua fama de homem de opinião. O que iriam pensar dele se fraquejasse, voltasse atrás e negasse o que havia dito ? Não! Isso não podia acontecer. Convicção é tudo nessa vida. 

A  marca de marquinho é ser um  homem de opinião. E essa não era uma marquinha qualquer, não, era  a marquinha de marquinho. Na verdade era a marcona  de marquinho, porque Marquinho, segundo Marquinho não era Marquinho, mas sim Marcão Sua personalidade  contrastava com o diminutivo em seu nome. 

Marco que carregava essa marca sabia que não precisava muito para tiras suas conclusões. As frases contendo verdades pareciam brotar das pedras do chão ou desabrochar como flores no jardim. Já estava certo de que: todo baiano, loira e português eram burros; todo negro preguiçoso; toda mulher má motorista; todo político desonesto; advogados safados; padres pedófilos  e os evangélicos ladrões Estava tudo certo. O quadro todo formado. 

Não precisava pensar, tudo estava pronto, só não via quem era cego. 

Mas daí vieram as eleições. E Marco defendeu ferrenhamente seu candidato que era para ele o herói perfeito, o  salvador da pátrtia.  O homem honesto inteligente, capacitado,  defensor da família e valores cristãos e dotados outras inúmeros e incontestáveis qualidades. Esse sim, esse valia a pena. E as mensagens que chegavam comprovavam  tudo isso. Sem permitir que se se movimentassem muito, aplicou logo a sua marca, O M bem no lombo das cogitações. Dúvida era palavra que não constava no seu dicionário. Coisa de gente frouxa.   É esse  e não tem conversa.  

A posse chegou, o tempo passou e não teve jeito, Marco  foi obrigado a voltar atrás, mudar de opinião. Perdeu o voto, a marca e as certezas. 

Votar, viver e formular opiniões sem pensar, nunca mais

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Notas

 Suavidade

notas no ar

bem devagar 

vão se entranhando por fim,

nos móveis, nas paredes, nas frestas

em mim

conduzindo-me

a sensações

que nao posso explicar

uma tranquilidde

um aconchego

um  relaxar 

notas, sabores, olhares 

uma nova visão

criações

noite, amores

vai além 

muito além da imaginação. 



sábado, 6 de fevereiro de 2021

MISTURA

 Sabado à noite à meia luz

Do reino da antena  o clarão 

Preso sem grades ou penas

Às garras da senhora solidão 

Tem canções,  sabores e esperança  no ar

Saudade, indagações,reflexoes, melancolia...

Uma profusao de sentimentos 

Ontem, hoje, amanhã,  momentos... 

Eterna mistura  tristeza e alalegria 


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

CADA PENA

 Poemas nas manhãs de sol

no dias frios e chuvosos

poemas tristes lamentosos 

no degradê do arrebol 


poemas dos mil sentires

das alegrias e tristezas

de vileza e torpezas

por tras de  cloridas iris 


poema que é viver

poema que é ser e ter

Nos contornos  de cada pena


poema é força na lida

é pulsar, amar é vida 

Por tudo e em tudo  poema


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

QUAIS ESPECIALISTAS?

 Abriu o Whatsapp e viu que chegou mais uma daquelas mensagens. Ficou logo excitado, era um pouco mais de alimento para suas ideias. Elas não eram muito aceitas e sempre quando as disseminava por aí, sentia o desprezo das pessoas. Quando não o contestavam abertamente, soltavam aquele risinho sarcástico que doía tanto. E naquelas mensagens sentia-se apoiado. Tinha alguém que pensava como ele, ou melhor, que sabia das verdades.

A mensagem dizia claramente  que  a vacina é um plano para o controle da população. Especialistas afirmam isso. Mas quais especialistas? A mensagem omitia os nomes, , mas isso não importava, estava ali no whatsapp vinha de fonte confiável e isso já era suficiente.  

Leu em voz alta com enorme satisfação:

“A vacina é condutora de uma substantiva nociva, uma espécie de chip na forma de plasma, esse liquido vai até o cérebro e muda toda a sua química. Pesquisas realizadas por grandes  especialistas comprovam a existência da substância. Quando inserida no cérebro danifica todo o sistema e a partir daí a pessoa passa a ser controlada. A inteligência artificial passará a controlar o indivíduo e ele se tornará uma espécie de zumbi ou escravo fazendo tudo o que a IA quer. Então NÃO TOME A VACINA.”

Agora era só esfregar na cara daqueles incrédulos, idiotas.

 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Sementes

 Pequenas sementes

nem sei quem as semeou

numa explosão tudo começou

geraram raizes tão de repente


raizes que se multiplicaram 

frondosa árvore cresceu

chegando ao grande apogeu

e mil frutos dos galhos brotaram


arvore do mal

é assim tal qual 

de ervas daninhas um nicho


arvore plantada em mim

frutos de medo e de fim 

gosto de um nefasto vício. 




terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Principes da fé

Numa reunião secreta numa igreja um pastor falava a alguns fieis exaltados .

Bom dia amigos, queridos  membros escolhidos da igreja Príncipes da Fé. Estamos aqui hoje reunidos para uma reflexão sobre os últimos acontecimentos. Tenho  entrado em contato com pessoas muitos instruídas sobre o futuro da humanidade  e  dou a vocês um conselho, precisamos estar preparados.  O nosso Deus todo poderoso designou alguns homens para nos preparar para esse período do fim, homens iluminados e de grande sabedoria  e entre eles está o mestre , vou chamá-lo apenas assim, pois ele não quer que seja revelada ainda sua identidade.  Por isso convoquei a vocês membros fieis da nossa igreja e que têm a marca da santidade. Nenhum de vocês se misturou com o mundo, por isso podem entender muito bem o que falo e acreditar nas previsões sobre todas as desgraças que vêm por aí. Estamos aqui de portas fechadas porque ninguém pode saber sobre o nosso projeto. Somos chamados Os príncipes da fé, porque somos os herdeiros do verdadeiro rei do universo e temos a missão de implantar seu reino na terra. Somente nós podemos fazer isso, outros pastores virão, mas são todos falsos.  Somos os únicos marcados na testa, a verdade somos nós, todas as outras religiões são falsas.  Somos  os escolhidos para implantar o novo reino e combater  o demônio e as suas mil formas.  Estive ontem com o mestre e ele me passou as últimas informações sobre a ação do encardido. Parece que o tempo previsto está muito próximo. O demônio e seus anjos começaram a reinar no 2º reinado  do fim a partir de 2014, ou seja cem anos após o seu primeiro reinado que começou em 1914. Se minha conta não estiver errada. O tempo é curto.

-Senhor pastor. Mas afinal de contas quem é esse mestre?

-Eu que pergunto quem é você?

-Eu sou Rebeca sou jornalista.

-Eu não estou entendendo. O que faz aqui?

-Eu a trouxe

--Tereza, não acredito que trouxe uma estranha para cá.

- Me desculpe pastor, mas eu sou amiga da Rebeca e achei melhor trazê-la. Se temos que catástrofes previstas  é melhor que uma jornalista,  que sabe escrever muito bem, nos ajude a comunicar isso ao mundo.

-Muito bem Tereza, você tem uma certa razão. Nóss falamos sobre as previsões, ela escreve e então o mundo poderá tomar consciência do nosso futuro nefasto.

- Então dona Rebeca pode perguntar e eu respondo?

-Quem é esse mestre?

-O mestre é um ser de luz, ele não nasceu como todos nós, mas Jesus o preparou para vir. É como se fosse sua segunda vinda ao mundo. Ele nasceu dentro de um grande pé de repolho. Um repolho gigante. Um milagre fantástico e ali permaneceu até completar quatorze anos, então quebrou a haste e veio para o mundo para nos iluminar com suas lições e ensinamentos.

-Nasceu num pé de repolho? Isso é biologicamente impossível.

-Dona Rebeca, não seja incrédula, para Deus nada é impossível.

-E o que ele ensina?

-Ah ele traz as profecias sobre o fim.

-Mas profecias, existem várias. Eu me lembro de uma famosa , me parece que  de Nostradums  e dizia que o mundo acabaria em  2000 e que a partir de 1992 os meninos nasceriam com um dente na garganta  e isso não aconteceu.

-As professias  podem ser mudadas, eu não conhece esse nostadanu, mas provavelmente Deus revogou essa praga porque seria difícil para os dentistas arrancarem o tal dente. Mas havia  outra previsão ainda pior para as crianças.

-E que previsão é essa?

-Os  meninos e meninas seriam gestados até completarem quatorze nãos.

- Até os quatorze anos na barriga?

- Sim. Porque o mestre saiu do repolho com quatorze anos, então as gestações seriam até os quatorze anos.

-Fico imaginando senhor pastor a barriga de uma gestante ao final da gravidez. O parto seria bem difícil também.

-Por isso essa praga também foi revogada. Deus determina as coisas depois quando vê que está muito difícil  ele dá um jeitinho, remenda daqui, remenda dali, diz que não pode por isso ou por aquilo. As previsões não se cumprem, não porque eram mentiras, mas sim porque Deus resolve mudar de ideia para o bem da humanidade. O mundo acabaria em 2012, mas ele adiou o fim até a acabar a inflação.   Ah e esses meninos nascidos com quatorze anos teriam três metros de altura. Cresceriam muito rapidamente. Mas como não passariam nas portas Deus resolveu mudar isso também.

 

-Essa coisa de fim de mundo já virou mania senhor pastor. Acaba, não acaba, acaba, não acaba... parece promessa de politica em época de eleição.

-Mas quando virem os sinais terremotos  vendavais, pestes doenças...

-Isso acontece em todas as eras senhor. Terremotos vendavais são fenômenos da natureza e as doenças também. Antes da existência do homem por aqui isso tudo já acontecia. São coisas da natureza sempre aconteceram e sempre aconteceram.

-Mas agora está chegando. Agora com essa crise nos aproximamos do fim.  Deixe-me  relatar a ultimas informações passadas pelo mestre que entenderá.

-Sim  estou ansiosa para saber.  

-Essa doença que aí está, foi algo planejado. O belzebu  desceu à terra , ou melhor, subiu à terra após o inicio do segundo reinado e reuniu-se com um grupo de lideres comunistas, chineses, cubanos, ex soviéticos   já caquéticos,  estavam  todos em Miami numa belíssima praia planejando como dominar esse mundo. O belzebu se aproximou deles e então deu todo o serviço. Sugeriu  que criassem um vírus fatal que seria o mal da humanidade e depois apresentassem  uma cura, mas isso seria uma grande armadilha. Uma cura que não curaria, mas escravizaria. Eles gostaram da ideia. Raul Castro até acendeu um daqueles seus enormes charutos para comemorar  e o belzebu apesar de gostar de lugares quentes irritou-se com aquela fumaça, mas nada disse, o importante era realizar seu plano.  Fizeram  um laboratório secreto, subterrâneo  embaixo do mar para que minguem os descobrisse, bem perto a ilha dos castro, e então num clima de amizade e cooperação começaram a desenvolver o corona vírus. Testaram em alguns chineses e cubanos e funcionou, pois  eles morreram rapidamente. Então começaram a disseminar pelo mundo. Dizem que o transmissor dos primeiros foi um mosquito. Desenvolveram um mosquito geneticamente modificado, metade mosquito, metade robô. Colocaram esses mosquitos  dentro de aviões indo para vários países e então a disseminação aconteceu. A doença se alastrou mundo a fora.  Logo após o embarque dos mosquitos na primeira classe, trataram de  desenvolver a segunda parte do plano. Associar-se a países também capitalistas, a grandes empresas para juntos dominarem o mundo. Não fizeram essa associação porque esqueceram suas  diferenças politico ideológicas, mas por influencia do diabo, todos se tornaram comunistas. Até o Bil Gates entrou na roda,  e  juntos  criaram um centro de inteligência artificial.  Computadores e robôs trabalhando em mil aplicativos, desenvolvendo programas especiais. Enquanto grandes laboratórios, institutos de pesquisas e industrias farmacêuticas desenvolviam a vacina. Dentro da tal vacina  existe u chip microscópico e através dele conseguem comandar a mente das pessoas. O Plano então era   Disseminar  a doença,  eliminar parte da população, depois apresentar a vacina e controlar  o restante. Tornam-se assim donos do mundo.  Todos viram  robôs sendo conduzidos pelos chips.

-Desculpe senhor pastor, mas já inventaram uma forma mais prática de robotizar as pessoas. E isso foi muito usado na última campanha eleitoral.

-Sei onde chegar senhora jornalista. Queres confrontar os poderes constituídos dados por Deus. Ele é que determina e escolhe aqueles que nos governam, portanto não me venha com esse papo.  Espero que não faça parte do plano e esteja aqui como espiã. É mais uma destruidora da moral, da família de propriedade? Na certa é contra também a pureza e a castidade, sendo adepta aos  pecaminosos prazeres do mundo. A imoralidade não pode entrar pelas portas dessa igreja.

-Senhor pastor desculpe a intromissão pode continuar com seu discurso.

 

- Então voltando ao assunto, depois de tudo isso, esses crápulas enviados de belzebu dominam o mundo. Mas eles não terão vez porque o Deus todo poderoso em breve virá e acabará com toda essa raça de víboras. Serão eliminados e arderão no fogo do inferno por toda a eternidade.

Agora precisamos encerrar essa reunião, porque eu sinto que estão nos observando. A inteligência artificial está nos rondando com seus robôs em forma de mosquito. Vejam, tem muitos mosquitos aqui na sala.

-Não seria por causa daquelas    xícaras de café sujas ali na mesa do canto senhor?

-Minha cara jornalista, você não tem a sensibilidade para perceber as forças do mal agindo. Você é do mundo, me desculpe o modo de falar, mas não é como nós iluminada nos caminhos do pai para perceber as artimanhas que existe por trás das coisas. Você deve ser do tipo que não vê que tudo está programada que tudo está previsto na Bíblia. Um mosquito não é um mosquito um mosquito é mais que um mosquito, talvez uma mosca, mas é algo maior. Observe que as pernas deles não são naturais, são robôs.  Cada coisa que acontece faz parte de um plano maior e de uma luta faraônica entre o bem e o mal. Os não iluminando acham que tudo é natural, que um mosquito é só um mosquito, não conseguem perceber, ver além. Não entendem... a natureza não existe ela é apenas uma ilusão tudo é ilusão nada disso existe. Estamos num sonho. Todos nós vivemos em um grande sonho. Todos fomos criados do barro, mas alguns de um barro mais sujo que outros, a qualidade do barro é o que determina o caráter da pessoa. Nada é por acaso tudo tem uma razão. E eu vejo aqui os mosquitos robôs dos inimigos nos rondando.  Da mesma  forma que o inimigo influenciou os homens para criarem o kit gay, para criar a ideologia de gênero, os tais  dos  ativistas,   para queimar as batatas do Mc Donald,  para se afundarem na bebida, virarem escravo da cerveja que apesar do sabor e da delicia daquela bem gelada com o colarinho branco para refrescar o calor, hummmm, é algo do mal, do diabo. Eu nem me       sinto tentado com isso porque já sou um iluminado.  Da mesma forma ele sussurra aos poderosos para realizarem grandes feitos de maldade.  A senhora dona Rebeca pode também estar sendo usado por belzebu, com essa saia curta, essas cochas grossas, roliças seios fartos à mostra ,esse corpo moreno, boca carnuda, isso pode ser motivo de tentação os  para os fracos, mas não para mim,  eu nem penso nessas cosias porque sou de Deus sou mais forte então nem me passa pela cabeça desejos proibidos com esse corpo maravilhoso, mas como eu dizia o diabo usa a muitos para seus ataques. Então não pense que os mosquitos são mosquitos.

Sendo assim eu declaro encerrada a nossa reunião. Pode contar ao mundo sobre tudo isso senhora jornalista, nos ajude a combater o mal. Vamos convencer a todos a não tomar essa vacina e acabar assim com os planos da inteligência artificial, dos comunistas e seus muitos aliados e do grande belzebu. 

Ao sair daquele  lugar a jornalista notou que existia uma placa com os dizeres Igreja os Príncipes da fé. Pegou seu batom, riscou “Os príncipes” e escreveu logo acima dele, formando a frase:  Hospício da fé. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

O BARRANCO

 Olhou para o  enorme barranco à sua frente. Era tudo o que precisava.

Sem se importar com a terra vermelha no short  branco, sentou-se, deu um impulso no corpo e desceu...

 Com um enorme sorriso no rosto deixou-se levar naquele tobogã natural feito de terra vermelha e de infância. Reviveu antigas eras de brincadeiras, folguedos e aventuras, fantasias, meninices,  arvores e quintas e  muito mais...  

 Sentiu até um vento bater no rosto. Ah aqui se pode tudo. A imaginação não tem mesmo limite.

Apesar do pequeno percurso aquela descida foi emocionante. Mas poderia se prolongar o quanto ele quisesse. Poderia até ser um barranco eterno...

 Uma descida ao passado pelo barranco do tempo, nas páginas de um arquivo Word e ...

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

ITINERÁRIO.

 Acelerou um pouco mais o carro, aquela rodovia convidava à velocidade. Nunca fora de correr, mas agora se sentia compelido a pisar mais fundo.

Talvez fosse o efeito do vinho do almoço que agia dentro de si, ou quem sabe o descontrole emocional da terrível briga com a esposa. Talvez quisesse com a velocidade jogar para a fora a tensão de uma semana difícil no trabalho, ou outros embaraços emocionais que tanto o atormentavam.

 Não, a culpa era daquela rodovia tão ampla e bonita.  Mesmo os motoristas mais prudentes se arriscavam um pouco mais ali. Pista duplicada, asfalto bom,  transito livre, pouco movimento naquela tarde de domingo. Tudo fluía, tudo desembaraçava,  a vida o compelia para frente.  Tinha ânsia de  chegar mais depressa.  

Deu um grito de liberdade e deixou-se levar pela gostosa sensação de sentir o vento no rosto, não queria o ar condicionado, queria o vento batendo em si. Soprando mil ideias e o desafiando a abraçar aquele clima de aventura. Queria a liberdade, dar um chega pra lá na prudência e abraçar fortemente a ousadia.

Pisou fundo e mais fundo...

Empolgou-se e então chegou mesmo mais rápido, apenas  mudou o destino, aquele itinerário estava marcado para bem mais adiante, mas quem corre chega antes.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

ILHA

O tolo que por toda uma vida sonhou  viver em uma ilha deserta, demorou a perceber o deserto que existia dentro de si, o vão de areia sem fim que entrava pelos olhos, o sol castigante que fazia surgir bolhas em sua pele e aquele mar de águas calmas que o impedia de sair.  

Estava preso na ilha de seu peito e de suas escolhas. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O HOMEM DOS PAPÉIS

 

Não sabia ler e muito pouco entendia das coisas do mundo do dinheiro do comercio e de coisas assim ...

 Vivia em seu mundo, um lugar muito bom para se viver, mas desconectado de tudo.

 Sempre andava com papeis e cartões de banco na mão perguntando a um e a outro o que estava escrito naquele papel, quando venceria aquela conta de água ou luz, qual o valor ou quando receberia sua aposentadoria...

Não se  importava se a resposta era ríspida, se a reação era de pena,  se alguns tinham boa vontade outros não.

Sabia que precisava do auxilio das pessoas  e não tinha vergonha disso.

E pagava com uma valiosa moeda,  aquele sorriso terno de agradecimento. Moeda sempre desejada, mas nem sempre valorizada. Muitos a amam mais que à outra, mas nem percebem.  

E seguia assim sempre com os papeis na mão, perguntando sorrindo e agradecendo.  

E tocando a vida do seu jeito...

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

TONS

 Tem dias que o dia 

traz pouco contentamento 

Ânimos são folhas  ao vento 

voando levam junto   a alegria


Momentos maus e bons

esperanças e agruras, todos eles têm 

Tudo balançando no vai e vem 

É a vida e seus tons 


Do ceu um  cinza cai

aos poucos se espalhando vai 

por becos sendas e  cantos 


espero por novas cores

alegria, vida, amores 

e por um  novo encanto


Site oficial  Neste site,  um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para  brindar a vida e descobrir se...