segunda-feira, 19 de julho de 2021

RODAS

 A pequena motoneta deslizava suave pela pista do bairro deserto. Estava ali para treinar.  Em alguns momentos fazia movimentos de zig zag o que poderia causar estranhamentos em algumas pessoas, mas ele não se importava. Já se acostumara a  não dar muita atenção aos que os outros pensam. E não existia quase ninguém por ali.  Andava em círculos em curvas fechadas numa rua sem saída. Freava bruscamente e voltava a acelerar.  Ora acelerava muito, ora andava bem devagar, quase parando. Tudo isso fazia parte de um treinamento de equilíbrio e de pilotagem. Um bairro deserto, algumas manobras diferentes garantiriam uma melhor condução no trânsito do dia a dia e compensaria sua dificuldade com tudo o que ser referia ao equilíbrio.

Mas gostava da solidão daquele lugar e do vento batendo em si. Sentia-se vitorioso por estar com sua motoneta, um sonho finalmente realizado. Realizado após um árduo treinamento, uma luta ferrenha contra sua vontade de desistir, e a batalha cruel para a aquisição da carteira de habilitação. Batalha salpicada de gastos e medos. Um rombo na carteira de dinheiro e nas emoções. Mas conseguira.   Agora restava apenas desfrutar e comemorar em cima de sua nave negra as delícias do mundo das duas rodas.

Em algumas tardes sentia-se feliz ao pilotar. Em outras quando não estava tão feliz tentava jogar para fora todo o mal que o atormentava com o vento que vinha. Imaginava o vento levando toda a tristeza que havia em si e a espalhando pelo ar.

Podia comparar a vida a essa pilotagem. O prazer de girar por aí e ver lugares bonitos e gostosas sensações, mas também sentir os perigos e os entraves da estrada. Os dois polos da vida, as duas rodas do existir, os dois caminhos, do bem e do mal. Ora pendemos mais para um lado ora para o outro. Haja equilíbrio.

Acelera, freia, faz uma manobra e outra, fecha a curva olha para um lado e outro, olha no retrovisor. Sente medo e alívio. Sente-se seguro e inseguro.

Observando cada situação fica espantado com a automação de sua direção e por ter conquistava algo em um universo que quando criança nem imaginara visitar.

Por fim resolveu voltar para casa, feliz e realizado.

Agora era um motonetista, ou seria motonista? Vai-se saber! Mas o importante é perceber que a vida muda e que coisas boas  podem acontecer.

Precisamos achar o equilíbrio entre as duas rodas da vida. A Roda do ânimo, e do desânimo. Sempre estaremos pilotando a vida sob essas duas rodas.  

Acelera e vai...

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Poder

 Estruturas de poder

demarcação de território

galos brigadores

simplórios

desprezam a evolução

de uma sociedade mais justa

se soubessem,  aos que  lutam por isso 

o quanto custa?

querem o errado o torto

criticam o  politicamente correto

mas estando entre os dominadores

tudo então fica certo

 Ser a favor de tortura

 sendo torturador e não  o torturado

fazer mofa do bulling 

quando na escola não se foi humilhado

pode-se criticar assim

e chamar a dor dos outros de mimimi

criticar quem sofre num leito de hospital

gente de bem não faz sim 

imitar troçando do sofrimento

de quem está a  caminho do fim

sentir-se superior por sua condição

homem, hetero, branco 

cadê a evolução?

pararam no tempo 

numa era bem lá atras

não entendem somos apenas gente

todos todos iguais. 

Defendem a moral e bons costumes

mas quais são os seus?

deprezar o que pensa diferente

humilhar e até matar em nome de Deus

morrem e matam por nada

por suas ideias pre concebidas 

ilusão de serem conhecedores

do certo e errado da vida

Não entenderam nada. 

terça-feira, 13 de julho de 2021

NEWS DA ESQUINA

 Dois senhores conversando na esquina numa manhã de inverno. Enquanto se aquecem do frio intenso aproveitam para jogar a conversa fora. E conversa jogada fora não volta mais.

 Falam da vida, do tempo, da temperatura, do frio do calor, dos sentimentos diversos de raiva, dor, alegria amor.  Falam de quem passa de quem foi de quem chegou quem nasceu quem morreu de quem se alegrou ou sofreu. Da filha da fulana que fez isso ou aquilo, do rapaz que se envolveu com esses ou aqueles, dos vícios e males da rua. Falam mal ou bem do presidente, da política da inflação, do prefeito,  do vereador. De mandos e desmandos. De tudo o que possível for.

  O papo entre os dois é o almanaque diário do caminhar da vida com seus altos e baixos. Os repórteres acompanham tudo o que acontece.

 Notícias bombásticas  na edição de hoje do diário da rua, do periódico do bairro  do News da esquina de todas as manhãs.

Extra, extra não perca as notícias de hoje!

 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Torrente.

  A vida é torpe

a vida é bela

é sobe e desce

é tom fosco

ou aquarela

é uma louca aventura

uma mata a ser desbravada

uma torrente de emoções

entre ações e reações

é tudo e nada 


terça-feira, 22 de junho de 2021

MAIS UM ANO.

 Mais um ano 

na aventura do viver

entre altos e baixos

tristeza e prazer 

vou acumulando 

as lições no caminho

descobrindo a vida e seus traços

colhendo no passo a passo

as flores e  os espinhos. 


****

Mais valem as flores. Em tudo e por tudo dou graças. Feliz por estar nessa jornada e por cada passo. A vida é maravilhosa. Obrigado Senhor por mais um ano e por tudo. 

Múcio Ataide. 


QUINTA (TEMPO PASSA...)

 Tempo passa

vida segue

de amores 

a vida

regue




domingo, 20 de junho de 2021

SAL


Através das notas de uma canção 
Tal qual um rio
Percorrendo n'alma vales e serras
Campos  e cidades
Por cada momento 
Corre dos meus olhos 
O sal da idade.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

PANDEMÔNIO DA PANDEMIA

Autoria Múcio Ataide  

Fico a refletir sobre as mudanças que aconteceram nos últimos tempos com a chegada do tal corona. Os valores, as intenções, os costumes. Tudo está diferente.

Antigamente quando sentíamos algum sintoma como bambeza, coriza, temperatura do corpo elevada, algo  sinalizando que uma gripe batia às portas dizíamos: tomara que não seja gripe. Agora diante do mesmo quadro físico dizemos: tomara que seja gripe.

Antigamente se alguém fosse até um banco por motivo de doença usando uma máscara no rosto seria barrado pelo segurança com a suspeita de que fosse um assaltante. Agora a pessoa é barrada se não tiver usando máscara.  Tudo está invertido o que era errado agora é certo. O que era certo agora é errado e talvez  que o que é certo hoje  volte a ser errado amanhã  e vice e versa e versa e vice...

Por falar nisso até os assaltos diminuíram parece que os assaltantes têm medo de aglomerações de bancos e casas lotéricas. E para assaltar os pobres indivíduos andando só pela rua também está difícil. Lembrei-me agora da música o dia em que  a Terra parou do Raul Seixas, a ficção de uma letra de música era na verdade uma profecia, e deveria ter sido levada a sério pois foi feita por alguém que nasceu ha mais de dez mil anos atrás. Mas voltando ao assunto os assaltos diminuíram, nem bombinhas nos caixas eletrônicos explodem mais. E para onde foi aquela estranha e suspeita onda de violência de 2018? Será que o vírus levou?

Nós introvertidos, tímidos,  os chamados nerds éramos execrados porque ficávamos muito tempo em casa. Imagina que absurdo  ficar em casa num sábado à noite. Hoje o bobo inconsequente é o que sai. Tudo ao contrário.  O padrão de comportamento aceito como certo e eficaz no mundo  ocidental por muitos anos  foi o dos extrovertidos, agora não é mais. As pessoas estão adotando o padrão introvertido e acho que até gostando dele. Chegou a  nossa vez! O modo introvertido de ser tão criticado agora é abraçado por todos. Antes era esperto quem saía, hoje é esperto quem não sai.  O bobo tornou-se esperto e o esperto virou bobo.

Antigamente o que nos assustava era o mosquito da dengue, agora coitado foi deixado para trás, ninguém nem fala mais dele. Como se fosse uma parada de sucesso o vírus  chegou com seus hits  e tomou conta do pedaço. É o sucesso do momento.  Pobre mosquitinho nem pensa mais em picar ninguém. Deve estar mergulhado nas drogas e na bebida se acabando aos poucos com o fracasso  pensando até em cometer suicídio picando alguém contaminado pelo corona. Não se ouve mais falar dele. É como se sumisse do nada. Pobrezinho.

Tudo é covid. Qualquer sintoma de doença hoje em dia e a pessoa já fica apavorada pensando que está com o famigerado vírus agindo dentro de si. As outras doenças, parece que resolveram dar uma trégua. Fizeram greve porque ninguém liga para elas.  Ninguém morre mais do coração. Não se tem mais parada cardíaca. O infarto está de férias. A insuficiência renal não é mais suficiente. O enfisema saiu do esquema,  No caso de falência dos órgãos, os falidos pediram concordata.   O derrame do cérebro parou de derramar. O aneurisma passou a ver as coisas por outro prisma.   O pulso ainda pulsa e deixará de pulsar somente quando a covid chegar. Fizeram greve por serem desvalorizadas.  As doenças descansam ninguém ouve mais falar que se adoeceu ou se morreu de outras coisas só de covid. O vírus brilha absoluto no palco dos leitos hospitalares e todos os holofotes são para ele.

Os decretos do isolamento me fazem questionar uma coisa interessante o direito de ir e vir, antes você tinha o direito constitucional de ir e vir agora você tem o direito apenas de ficar. De não ir. Não estou criticando os decretos acho importante o isolamento, mas fico tentando entender as contradições dessa vida.  Tudo volúvel. Hoje temos um direito, amanhã por uma simples canetada não temos mais. Porque toda a nossa vida depende das canetadas e dos caprichos da natureza que cria um ser minúsculo, poderoso capaz de mudar todas as nossas vidas.

No hospício da conspiração já ouvi falar de tudo.  Vacina criada por comunistas da china. Um chip que existe no plasma da vacina para dominar as mentes. O vírus é a sétima trombeta do apocalipse. O vírus foi criado pelos Estados Unidos para combater o terrorismo. Está previsto la na Bíblia. O mundo acabou e nós somos as almas que ficamos no purgatório para cumprir nossas penas. O vírus não existe, mas eu tenho um remédio ótimo para combatê-lo. Uma nova ordem mundial está chegando e o vírus veio para destruir o que é velho e trazer o começo de uma nova era. E blá, blá, blá...

Um remédio totalmente desconhecido tornou-se de repente um remédio milagroso  e um remédio inócuo. A cloroquina é amada e odiada. E muitos que a defendem ferrenhamente não têm nenhum conhecimento do assunto e nunca ouviram falar dela. E os que são contra também. Ninguém sabe nada, mas todos estão certos.

Fora a polarização política e ideologia da doença. Cada um puxa para o seu lado.  Vírus doença, OMS, remédios, tratamentos tudo isso é jogado de lá para cá numa ciranda de acusações e de fake-news que complicam ainda mais as coisas. Parece até aquela brincadeira do cabo de guerra onde um puxa para um lado e o outro para o outro.

Um pandemônio na pandemia. Uma bagunça de teorias, dicas regras, procedimentos. Isola não isola. Precisamos salvar a economia por isso não pode haver fechamento. Se não houver o fechamento todos morrerão.  Use álcool, use máscaras, não faz assim não faz assado. Esse remédio é bom aquele não é. Beba muita água.  Isso é castigo de Deus. Por que os             chineses comem sapo. Cloroquina droga fina, Ivermectina nos meninos e nas meninas.   A vacina vai salvar. A vacina faz virar jacaré.  Vai comprar a vacina, não vai comprar. Acabaram-se as doses.  O  que é recomendado o que não é. O caos está montado. Bombardeio de informações.  Uma onda de medo e incerteza tomou conta do mundo. Tudo de cabeça para baixo.

 

Um pequeno ser microscópico conseguiu mudar todo o nosso comportamento. Pôs o certo e o errado de cabeça para baixo. De quantas coisas precisávamos e agora não precisamos mais? O que era imprescindível deixou de ser. O que não se podia fazer agora se pode. O que  era errado virou certo e o certo errado. Mudou valores, mudou parâmetros, nos fez dar menor ou maior importância a muitas coisas da vida. Reduziu a nada coisas que eram até assustadoras. Talvez nos tenha mostrado o quanto criávamos problemas do nada e sofríamos por coisas sem importância.  Esse pilantrinha nos fez refletir o quanto nada sabemos e o quanto somos frágeis diante da natureza e de seus contínuos movimentos de evolução. Como de nada temos certeza. Segurança nenhuma. Talvez isso venha quebrar alguns topetes por aí, fazer descer por terra uma carga de arrogância e refletir sobre a falsa segurança que colocamos nas coisas efêmeras dessa vida.  De nada temos certeza, tudo pode mudar ou acabar num instante. Basta um ser microscópico, invisível sem uma nesga de racionalidade atacar-nos. Pronto lá está o gigante racional poderoso e perfeito destruído.

Mas nos levantaremos e esse pandemônio da pandemia vai passar.

 


quarta-feira, 26 de maio de 2021

JOÃOZINHO E A LUA

 A lua surgiu diferente aquela noite. Não era cor de prata, mas parecia avermelhada. Uma bola vermelha boiando no céu. E tudo em volta estava cinzo e opaco.

Joãozinho assustou-se com aquilo e pensou que fosse algo muito sério. Será que o mundo estava se acabando e Deus estava botando fogo nas coisas e começara com a lua? Aiaiai e se tudo em volta começasse a pegar fogo também? Seria uma loucura.  

Deitou-se bem cedo e começou a chorar, pensando nos seus pecados e nas atrocidades do fim. O que iria acontecer. Ele queimaria também junto com todas as coisas? Seria castigado porque mentiu,  porque aprontou tantas artes? Quem sabe o mundo estava acabando por causa de seus feitos? Pensou, chorou e tremeu até que vencido pela exaustão  adormeceu.

No outro dia tudo estava normal. O mundo não acabara e foi contente para a pequena escola que funcionava numa casa velha no povoado de Ribeirãozinho.

Quando a aula começou o assunto no geral era a lua estranha da noite anterior. Então a professora explicou o que havia acontecia. Aquela fora uma noite de eclipse.

O conhecimento chegou, e tudo mudou. Quando ele chega todos os fantasmas vão embora. Os medos se dissipam. As perguntas são respondidas e a luz se faz.  

A noite opaca e tenebrosa deu lugar a um dia lindo.

ESFERA

 Grande esfera  prateada

Às vezes  torna-se vermelha

Cheia de encantos tão faceira

Admira-se no espelho das águas

 

Vem ferrar minha intenção

Para um alegre cavalgar

Sobre letras e versos deixar

Os rastros da imaginação

 

Lua dos poetas, dos seresteiros

Dos mistérios, dos aventureiros

Dos fascínios da astronomia

 

Brincando no céu feito menina

Toda vestida de beleza... fascina

Enche-me de inspiração e magia

 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

LIVRE

 uma bela ideia tive

fazer um poema direto no blog

não tem nenhuma correção ou  retoque

o ser sai pelo mundo livre 



quero buscar a inspiração

e  ver no que vai dar

escrever o que pintar

sem regra ou determinação


deixa a poesia livre voar

feito um passaro pelo ar

brotando de dentro de mim


Amo flores, luas, mares,  estrelas 

poesia em cada canto vejo,  dama faceira

em tudo está, do começo ao fim



ROBERTO VIVE

 Uma manhã muito bonita surgia. Roberto animou-se logo, pois além do sol gostoso da manhã amena de inverno, viu um céu límpido sem nenhuma nuvem e pensou logo em fazer sua tradicional caminhada de todas as manhãs.

Gostava de andar, de ver a vida despertando e observar a natureza. Caminhava sempre por lugares desertos um pouco afastados do centro urbano onde ainda podia ouvir os pássaros cantando e respirar um ar bem puro.

Saiu de casa, atravessou a rodovia, andou um pouco mais e chegou ao novo bairro. Viu ali algumas pessoas que também caminhavam. Não havia trânsito, nem barulhos irritantes, ouviu apenas os ruídos harmoniosos vindos dos pastos e matas próximos.

Andou por ali durante aproximadamente 40 minutos e voltou. Tudo em paz, com alegria e tranquilidade. Fim da história.

Parece uma historia boba e simples. E os leitores com certezas ficaram esperando um grande acontecimento. Quem sabe uma tragédia! Poderia eu, o deus escritor, onisciente onipotente e onipresente,  dono do Roberto, senhor de sua vida, matá-lo atropelado enquanto atravessava a rodovia. Ou talvez fazer surgir uma onça pintada vinda das matas próximas ao local onde o personagem fazia caminhada e devorá-lo. Um ladrão poderia assaltá-lo e mata-lo. Se se esforçasse demais bem podia eu sofrer um infarto, entupiria eu suas coronárias, mostrando assim a fatalidade que existe nos momentos bons da vida. Poderia jogar-lhe um vírus já que não mencionei que  usava máscaras. Infectá-lo com corona vírus. Ou qualquer outra doença. Se fosse bem cruel colocaria com muito jeito uma pedrinha em seus rins, ou sugaria o ar de seus pulmões. Tenho doenças aqui nas pontas dos dedos para ofertar.  A tortura das letras é muito cruel.  Fazê-lo ser abduzido por um disco voador. Chamaria com o poder das letras alguns índios canibais que surgiriam das matas e o colocariam em um caldeirão para devorá-lo num ritual macabro. Mil destinos, mil coisas poderiam acontecer ao nosso querido  Roberto.  Tenho em minhas mãos o poder sobre sua vida e sobre a sua morte. Comando a sua alegria e a sua tristeza. Sua saúde e sua doença. Posso até mudar seu visual, se eu quiser ele será loiro, um toque aqui nestas teclas e tornar-se-a moreno. Alto, baixo, magro, gordo, bonito, feio. Um cara legal, um bandido. Ele é o que eu quiser. Tele transporta-lo para outras eras, outros planetas,  fazê-lo voar com um belo par de asas, torná-lo um cavaleiro andante errante, um dom quixote das rodovias. Ah eu posso tudo. Nesse universo mágico aqui eu posso tudo. Pelo meu poder supremo de escritor ele me pertence e faço dele o que eu bem entender. Como aquele brado emblemático de um herói dos desenhos animados: EU TENHO A FORÇA!  Poderia tê-lo exterminado de mil formas.    Do nada vivemos do nada morremos. Roberto é frágil, muito frágil, subserviente e conformado, aceita sem reclamar todas as minhas vontades. 

 Bem pensei eu, vários destinos para o jovem mancebo, mas decidi que os acontecimentos bons e tranquilos da vida também podem ser grandes e valiosos. Andar por aí, respirar o ar fresco, se deliciar na apreciação da natureza e voltar tranquilamente para casa tudo isso é aventura também. A grande aventura do viver capaz sim de ser um grande acontecimento numa trama e marcar de forma definitiva a vida de um personagem. A jornada desse nosso herói foi:  ir e voltar em paz e com alegria de seu passeio matinal. O arco dramático: ir apreciar e retornar.  A saga se cumpriu e a epopeia simples do dia a dia também se agiganta quando a ela se dá valor.

Deixarei Roberto viver e será ele um símbolo de que a vida simples e comum carregada dos pequenos grandes prazeres pode ser simplesmente maravilhosa.

Isso apenas porque eu, deus escritor, quero. E que seja feita a minha vontade. Amém. 

Roberto vive.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

CUMPRIR

GOSTO DE  APARAR AS PONTAS

 DE ACORDAR DA TREGUA 

DE PASSAR A REGUA 

E FECHAR A CONTA 


GOSTO DO PRAZER REAL

DA MISSÃO CUMPRIDA 

DO FIM DE UMA LIDA 

ESCREVER  O PONTO FINAL 


CUMPRIR O QUE PROPUS

TRAZ UMA ESTRANHA LUZ

QUE EM MIM SE AGIGANTA


DESCANSAR DA BATALHA

A  PAZ  EM MIM ESPALHA 

ALGO QUE FASCINA E ENCANTA 


quinta-feira, 13 de maio de 2021

FLORES E RUAS

  A vida é

Tal qual flores

Jogadas sobre ruas pedregosas

Misturado ao que é rígido

está o que é  doce  e  terno

A eterna simbiose entre

O sorriso e a dor

O quente e o frio

o cinza e a cor

O efêmero e o eterno  

As amenidades atreladas às durezas

Assim é a vida, eterna alternância. 

Por vezes ruas estreitas, becos apertados

Noutras avenidas largas  e floridas

Tudo se mistura nas sendas do existir

Nos tropeços do caminho

Nas flores e espinhos

Espalhados por aí

Nos extremos do ser

Tâmaras e pedras jogadas

Nas misteriosas  ruas do viver



quarta-feira, 12 de maio de 2021

LUTAR

 O processo

A luta

A peleja

O fazer

O caminhar

Momento verdadeiro

Desprezado

Jogado de lado

Sem lugar

Intervalo entre o ontem e o amanhã

Mas ele é que constrói a realidade

Que cava a pedra, que faz o alicerce.

Que abre as picadas

Desmata a mata

Aplaina caminhos

Que sobrepõe as peças

Que as encaixa perfeitamente

E constrói  tudo

Tens o direito

De imaginar o fim

De projetar, sonhar...

Esperar

Mas acima de tudo

Valorize O lutar...

***

Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste.


quinta-feira, 22 de abril de 2021

BUSCANDO A BOLA

 Quando saiu com seu cachorrinho não imaginou o que pudesse acontecer.

Como era bom vê-lo correndo, atravessando a rua rapidamente! Envolto na mais pura alegria na companhia de seu amado dono, abraçando assim toda a beleza daquela manhã de sol e aprontando todas enquanto balançava o rabinho de contentamento.

Dono e cão ambos felizes brindavam o novo dia numa alegre caminhada admirando o movimento do transito que ainda era pouco na manhã e a natureza que se descortinava ao longe salpicada pelo tom amarelado do sol recém-nascido. O passeio dos dois tinha o perfume da mais bela flor e o encanto da mais tocante poesia. A vida era mais  vida naquele renascer de dia.

 Apertava entre as mãos uma pequena bola, que ao ser pressionada produzia um som parecido ao de uma apito, e a jogava longe só para ver o bichinho correr até ela. Voltava feliz abanando o rabinho trazendo-a entre os dentes. E novamente a bola era  arremessada, fazendo voar  pelos ares mais uma rajada de alegria.

Nossas atitudes muitas vezes são impensadas e não nos preocupamos em analisar as possiblidades e nem em medir as consequências do desdobramento dos nossos atos e do quanto eles podem nos causar sofrimento. Pensamos muitas vezes apenas no presente e no prazer que sentimos sem a mínima previsão de um futuro por mais próximo e evidente que seja. Só o embalo do momento, do prazer e da ideia infalível de que somos infalíveis nos domina. Um ato impensado, e o pior acontece.

Num certo momento jogou a bola sem olhar para os lados, arremessando  bem para o  meio da rua  e não percebeu o desastre que estava para acontecer. Não viu além, não previu, não pensou...

  O cão saltando e exalando vida foi buscar a bola e trouxe a morte em seu lugar.  

segunda-feira, 19 de abril de 2021

PROTEÇÃO

 Faço a você apenas  um apelo

Hasteie a bandeira da consciência

Cuide de si e do seu irmão, com zelo

Trilhe os caminhos da prudência

 

Uma máscara e um protetor 

 E o álcool em gel  para purificar

Peço encarecidamente, por favor

Não deixes nada disso  faltar


Pense  com muito carinho

e espalhe em seu caminho

 esse bem  essa grande virtude

 

do cuidado e da proteção

para a total exaltação  

do bem maior   a  saúde.


ID

impulsos  me aprisionam

Sedentos de gozo e prazer

Entrelaçam-se ao viver

E da razão até zombam

 

Sou um pobre sonhador

Sou uma vítima, um cativo

Do poder excelso sempre ativo

Do instinto e seu insano  furor

 

Fantasias, impulsos, desejos

Sabores, fome, gozos, beijos

“Hedonê”  irracional, urgente

 

Sou  Ataide, todo   id

Que a  si mesmo agride

Entregue às garras do inconsciente

 

 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

BLOG É DIÁRIO

 O blog é um diário

Onde vou registrando

Tudo o que vai se passando

No meu itinerário

 

Quem quiser me conhecer

Acompanhe-se por aqui

E vai descobrindo assim

O  meu jeito de ser

 

Dia a dia vou postando

Dia a dia vou mostrando

O que acontece de fato

 

Medos ilusões, passos e preces

Alegrias, tristezas, sobe e desce

O meu mais fiel  retrato

sexta-feira, 9 de abril de 2021

BECOS E AVENIDAS

 Nas ruelas tortuosas do  meu ser

Esbarro nas  guias e nas esquinas

Titubeio e dou trombada nas quinas

Nos acentuados  aclives do  viver

 

Encontro largas e floridas  praças

Com rosas vermelhas, lírios e jasmins

Róseas pétalas perfumando  jardins

Exalando beleza,  magnitude e graça

 

Transito por muitas  avenidas e  ruelas

Manchadas de musgos, limos  ou belas

Contraste  entre a vastidão e o aperto

 

Sou eu um eterno andarilho

Por estradas sendas  ou trilhos

Tristezas, alegrias, erros e acertos.

 

 

Site oficial  Neste site,  um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para  brindar a vida e descobrir se...