quarta-feira, 16 de março de 2022

CALMA

 Muito movimento

Grande agitação

Me Funde a cuca

E só Traz confusão

Eu Quero a  calma

Paz e tranquilidade

Isso sim é prazer

Sem atropelar sem correr

É viver de verdade

sexta-feira, 11 de março de 2022

RIMANDO

 A doce brincadeira de rimar

Pode nos levar a  muitos caminhos

Da vida dos sonhos podemos falar

De céus, da  terra,  de flores e espinhos

A rima pode  simplesmente

Nos jogar nos braços  da alegria

Usando o que temos na mente

Rimando plantamos  a semente

Do amor à vida em forma de poesia

quinta-feira, 10 de março de 2022

O EXILADO DA RUA OUTONO

 COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO  O EXILADO DA RUA OUTONO DE OSIAS RIBEIRO NEVES EDITORA ESCRITÓRIO DAS HISTÓRIAS

 Recebi o livro Os exilados da rua outono de Osias Ribeiro Neves, agradeço imensamente ao autor por me presentear com essa leitura maravilhosa e teço  abaixo alguns comentários.

Gostei muito do livro os exilados da rua outono. Além da indiscutível qualidade literária, riqueza gramatical e  léxica, me fez pensar .

Belos contos da cidade e do campo, exaltando as coisas das gerais, eu diria com  um toque roseano, mas com personalidade e poesia saltando em cada linha.

  Um texto  muito bem construído, ameno e agradável em muitos pontos, tenso em outros, despertando a reflexão, as emoções, questionamentos  mas prendendo a atenção   durante toda a leitura.

 

As histórias  despertaram minha atenção:

Na vida das aldeias seus significados e costumes. E no decorrer dos acontecimentos, trágicos ou amenos com as peculiaridades  e os valores próprios e de cada época e de cada povo.

Nas linhas do trem que continuam vivas na memória e traçam destinos e assim será para todo o sempre. As marcas que ficam.

No paquiderme, enorme, desajeitado,  nos estorvando. O que é o paquiderme? O que nos incomoda? O que deve ou não estar em nossa vida? Qual o sentido? Quais são nossos fardos? Reflexões em toneladas nesse texto.

Nos visitantes da noite que representam o período mais sombrio de nossa  história. Que as luzes se acendam e que essa escuridão, que hoje nos ameaça, não volte a existir. Coisas do (a) Demo.

Na alma , em Almas, o ruminar do pombo e esse vai e vem da vida com seus meneios e suas lutas e ideias, ideologias... Caminhos diversos.  Os exílios, os encontros e desencontros.

Em o Matador    pensei sobre os limites e extremos da vida. Quem vence e quem é vencido? Coragem, esperteza, quais são as verdadeiras armas dos grandes?

Em nó do laço, a vida de gado e os aboios da vida com seus berrantes e ferrões. Texto denso, poético, belo e realista, e chocante no final.

Em como vemos as paisagens à nossa volta.

Nos contos Um mundo e outro mundo me lembrei de Fernando Sabino,  e de um mundo de imaginação, poesia  e mil possiblidades que reside em cada um de nós. Com aquele toque de fantasia,   ternura  e senso de aventura.

Nas Rotinas do amor e desamor o realismo das relações, pequenas histórias que são vividas no dia a dia por muitas pessoas. A aridez  e a decadência das relações, o machismo, as tragédias. Tudo isso  que acontece por aí, o tempo todo. No princípio achei que eram minicontos, depois percebi que eram contos contados de forma alternada como uma pequena novela em capítulos,  e todos eles tiveram um fechamento perfeito. Muito bom.

Em Pássara, a prisão e a liberdade. A lenda do canto livre que ecoa pelas matas. A fuga da gaiola, o valor da liberdade e da superação dos males. A passarada que celebra a liberdade e canta livre.

No conto exilado que dá titulo ao livro a história do professor, de um grande amor, exilados num antigo casarão.

No ultimo conto do livro a exploração faz virar carvão, somos  apenas uma peça a mais na fornalha dos lucros, trabalhador só uma pecinha a mais, queimou estragou, joga-se fora.  A ganância destruindo sonhos. Vale trocar o certo pelo duvidoso?  O sonho que pode destruir.  E o quanto nos tornamos carvão nesse sistema tão injusto que nos rodeio?

Foi assim que interpretei do meu jeito o livro.  

Concluindo um livro muito bom, contos bem escritos  com grande qualidade literária,  realismo, poesia,  despertando a reflexão fazendo pensar ,viajar pelas palavras e sentir de forma intensa o prazer de ler. Parabéns Osias e mais uma vez muito obrigado pelo presente e por me proporcionar tão bons momentos com o exilado da rua outono.

Super recomendo.

Para saber mais sobre a editora e o livro ou para adquiri-lo acesse www.escritoriodehistorias.com.br

quarta-feira, 9 de março de 2022

POEIRA DO TEMPO

 Poeira amarela  do tempo

Com seus grãos dourados

derramando a cada momento

Sobre mim o ouro do passado

 

Grãos de alegria  e esperança

Caem sob as folhas do meu ser

Traz-me de volta o eu criança

E todo o seu reduto de prazer

 

Poeira da doce mocidade

E dos amores de todas as  idades

pó mágico dos mais belos sonhos

 

Traz o aconchego do lar

Papai, mamãe,  tudo que não vai  voltar

Poeira traz-me céus risonhos

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A VISITA DO CARDEAL

 Me contaram essa história não sei se é verdade ou mentira, então como se costuma dizer estou vendendo pelo mesmo preço que eu comprei.

Dizem que nunca pequena cidade há muitos anoso padre recebeu um telegrama de um cardeal  avisando que  visitaria a cidade e se hospedaria na casa paroquial.

O padre então ficou todo nervoso. O cardeal  era uma grande autoridade da igreja, uma pessoa muita culta e sabida, e obviamente vinha para  supervisionar todo o seu trabalho à frente da paróquia.

Tratou logo de fazer inúmeros preparativos. Deu andamento em alguns serviços pendentes, pintou a igreja. Supervisionou as pastorais  Mandou preparar uma ceia farta. Arrumar muito bem arrumado o quarto em que o seu visitante  ficaria hospedado. Dar uma super limpeza em toda a casa paroquial . Enfim deixou tudo preparado para que o homem  tivesse a melhor impressão possível sobre o andamento das coisas na paróquia

Mas surgiu uma dúvida: Como deveria trata-lo quando chegasse? Chama-lo de senhor? Doutor?  Não, deveria usar um pronome de tratamento  diferente, mas qual?

Procurou um famoso professor da cidade e o mestre disse:

-Você deve trata-lo de Vossa Eminência.

-Mas professor, vossa eminencia é um termo feminino. Será que ele não vai se zangar.

-Não, esse é o tratamento correto para uma cardeal. E a palavra é feminina mesmo. Chame-o assim e vai agradá-lo

O Padre concordou meio que discordando.

Chegou o dia da chegada da importante autoridade eclesiástica. O padre na estação, super nervoso, contando os minutos,   suando sem parar...

O trem começou a apitar na curva, ainda mais nervoso o padre viu seus pensamentos acelerados pelo nervosismo e pensou mil coisas: Começou a pensar. Eu devo perguntar algo sobre a viagem dele para ser mais educado. Quem tal perguntar. –Vossa eminencia está cansada?  Não, mas aí ele pode pensar que estou zombando dele. Devo dizer vossa eminencia está cansado? Mas assim não vai ficar legal conjugando errado o verbo posso parecer um idiota. Ah se eu pudesse ir lá perguntar ao professor, mas não dá tempo. Agora seja o o que Deus quiser

Quando o cardeal desceu do trem, o padre todo atrapalhado perguntou:

-Vossa Eminência está cansada da viagem?

O cardeal então respondeu com trejeitos

-Estou  MORRRRTA de cansada!

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

BELEZA E TRISTEZA

 A tristeza é bela

 A amargura é fina

A melancolia ensina

A poesia brota delas

 

No triste o belo

Na aceitação a calma

Assim se toca a alma

dois laços  num elo

 

Beleza e tristeza

Poesia na mesa

Nas duas a verdade

 

Esse encontro diviniza

Essa simbiose humaniza

Transforma a realidade

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

 

                                                                                  Foto: William Santiago

OLHARES

 

Muitas possibilidades num único clique: Uma varanda, uma belíssima igreja, uma mulher que olha sem olhar para o tempo, uma cena congelada. Uma boa ideia advinha da sensibilidade e de um olhar apurado para os devaneios do existir. A força da tecnologia. Fantasia ou realidade.  A magia de um momento aprisionado na memória, mesmo que artificial e magistralmente  eternizado.

O que essa imagem provoca em quem a contempla?

Permito-me divagar sobre a cena e descobrir seus meneios e suas possiblidades

Posso ver  ali o olhar do oprimido diante do opressor. A imponência da igreja e do papel passivo  desta instituição tão poderosa  diante de séculos de atrocidades  e de dominações injustas. Estaria a mulher negra à janela refletindo sobre isso? Volvendo seu olhar de raiva e revolta? Os dois extemos da história da humanidade. As instituições que sempre existiram e sempre existirão: o dominador e o dominado.  Seria o oprimido diante do opressor sentindo a angustia e os pesares que as opressões causaram?

Ou talvez seja algo mais leve e bucólico. Apenas a mulher que olha a vida da cidade passar. Talvez espere o namorado dobrar a esquina, se espantando um pouco com o agito da pequena cidade  que já é mais tão pacata  como antigamente.  Talvez traga dentro de si a tranquilidade de quem está de bem com a vida, olhando para tudo sem muito compromisso, apenas olha a vida acontecer e espera  por algo bom.

Mas quem é ela, o que pensa, o que sente? Opa espera! Tem algo diferente com aquela mulher. Não, não é uma mulher é uma boneca, não  apenas por ser linda, mas porque é uma boneca mesmo. Então não é gente?  É algo artificial criado pelo homem? Mas  tem gente que para e conversa com ela. Então é apenas uma fantasia, uma imagem arranjada pela sensibilidade do fotografo. As imagens mentem, os conceitos mentem. O que é  a realidade e o que é  a fantasia nesta vida?

Quem tirou aquela foto, de onde veio e para onde vai? O que pensava no momento do clique? Talvez lhe ocorreu um  insight mágico, tirar a foto de modo a sugerir mil possiblidades. Uma mulher que olha para a cidade, para a vida, para o existir e saboreia com calma as coisas. Será que foi isso que o fotógrafo pensou? A quem provocou com essa foto?

Será que olhou para a cidade também e  refletiu sobre tudo o que eu acontecia? Quem passava pela rua quais os pensamentos e sentimentos carregavam consigo? Seria ele um antigo morador que visitava a cidade depois de rondar o mundo colhendo vivências? Seria um homem descansando de uma vida cigana e nômade em sua terra?

E quem passava lá em baixo o que pensava sobre aquela mulher da sacada?

Ah por quantas sendas uma simples foto conduz o pensamento! Quantos questionamentos e conexões neurais pode  ativar!  O que ela não é capaz de provocar numa mente  divagante e sonhadora  de quem se deixa levar pela imaginação!

Quantas possibilidades!

Vai ver era só uma foto e nada mais. 

*** 

(ABAIXO O TEXTO NA VERSÃO POEMA)


O OLHAR DA JANELA 


A “moça” da janela

Tranquila "olha" para cidade 

O que na realidade

Pensa ou “não pensa” ela?


“Vê” o templo imponente

A oprimida diante do opressor

Numa  história de horror 

Injusta e inclemente


"contempla" a cidade calma

Acena com a “palma”

Procura namorado?


Realidade ou fantasia?

Quem a clicou sabia

Que o pensamento é alado.


                                                                                  Foto: William Santiago

sábado, 12 de fevereiro de 2022

 Idéia  indefensável  sim

Cruel, sem lógica  alguma

Arianismos para mim

Só se for os de Suassuna.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

MADRUGADA

 Na madrugada pensante e sozinho

a dor , o aconchego a esperança 

um homem feito, a criança 

sendas de mil caminhos


o galo canta ao longe

anunciando novo dia

o canto é dor melancolia

onde a amargura se esconde


madrugada doce poesia

tem mistério tem magia

onde a verdade aparece


uma dama ardilosa

orvalho frio  sobre a rosa

vida brota  ou fenece



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Algumas perguntas sobre o nazismo brasileiro:

 Como os nazistas brasileiros vão defender a supremacia racial (o ariasmo) num pais tão miscigenado?

 E o governo que tem um ministro da economia ultraliberal vai aderir a uma ideologia que prega  o totalitarismo  do estado?

E  quanto à proibição  do livre comércio?

Para os neonazistas brasileiros  quem serão os neojudeus?

E a proposta de volta ao paganismo num pais que tem como lema Deus acima de todos?

Haverá a perseguição declarada e oficial das raças impuras: negros, índios, mestiços, pardos, mulatos, mamelucos, misturados?

Eliminando a população impura vai ser possível tocar esse país?

Onde serão os campos de concentração e as câmaras de gás?

OUTRO NOME

O escritor tinha uma dúvida: Qual seria melhor compor o que viesse à cabeça fazendo assim um retrato escrito do que sentia no momento, ou preparar uma crônica esmerada, que gastasse tempo para ficar pronta,  com mil retoques  e acertos?

Pensou e finalmente se decidiu:

Os dois... às vezes era melhor ser objetivo e direto e exprimir o sentimento do momento. Outras vezes esmerar o texto para que fique perfeito.

A dúvida agora era saber qual deveria ser de uma forma e qual de outra.

Qual texto merece ser dourado? Qual é mais importante? Quais temas publicar no embalo do momento?

E as perguntas vinham...sempre virão...

Dúvida, esse é o outro nome da arte de escrever. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

MAIS PELOS

 Com olhos de pedinte

e expressão de humildade

ela passa  a mensagem seguinte

e de quebra lembra a lealdade 


quero algo de você 

e estou a lhe pedir

o que eu quero fazer?

passear... sair por aí


À ternura me remete

 tudo então se repete

E cedo aos seus apelos 


me desmonta o olhar pidão

minha cadela torna-se então 

uma filha com mais  pelos






sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

TESOUROS

 

O homem veio de longe e trouxe consigo uma bagagem de histórias dentro da   sua mala. E naquela mala  trazia  tesouros que o sábio de cabelos brancos foi cavando por aí  pelas ilhas secretas da vida.

A riqueza estava nas ruGas, nas marcas no tempo, nos frios brancos em sua cabeça e até nalgumas dores acumuladas.

Histórias eram barras de  ouro, experiência pérolas, conhecimento prata,  aprendizados joias preciosas...

Abriu e colocou sobre a mesa suas relíquias.

Quanta riqueza garimpada  pelas estradas do existir!

 

sábado, 22 de janeiro de 2022

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

CHOVE

 chove muito... muito...

e a chuva traz destruição

fez da cidade  um reduto 

de  temor  e apreensão


antes aconchego tranquilidade

agora  molha a alma de medo

a natureza é  na verdade

dotada de inúmeros segredos 


casas e coisas afundam 

rezas e doações se juntam 

hora da mão estendida


do apoio profundo e sincero 

brota a força do mistério 

da comunhão das  vidas 



quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

SEM LIMITES...

 Um dia diante de uma travessura minha meu pai me chamou para conversar. Ele disse de um modo sereno: -Vem aqui conversar com o papai – sentou-me no sofá e agachou-se à minha frente. Então com palavras amorosas e sábias me convenceu a não mais praticar aquele ato por ele reprovado. Não, ele não usou palavras duras, não esbravejou, não impôs autoridade, não, nada disso importava. Tinha a sabedoria para entender que seu ato de humildade se agachando  diante de mim, a fala mansa e a força da  razão seriam bem mais eficazes. Não importava se impor, não havia aquela soberba do autoritarismo, nem a insanidade da violência física ou verbal. Existia amor e vontade de fazer a coisa certa. Dizem que só aprendemos quando mudamos nosso conceito sobre alguma coisa. E ele sabia fazer isso.

Hoje meu pai faria aniversário. Seriam 87 anos. Faria não, faz.

 Sinto falta dele. Uma vontade imensa de vê-lo novamente, beijá-lo, desejar felicidades e ouvir algum dos seus sábios conselhos.

Restam  somente  a foto,  a imaginação, que tem um força imensa  e minhas palavras escritas, meu maior trunfo, mas nada disso se compara a um abraço.

 Parabéns meu pai, que meu abraço rompa os limites do tempo, viaje além das nuvens, fure as barreiras dos insondáveis mistérios e o alcance no esplendor da glória em que se encontra e o enlace como prova do meu amor e  como o mais profundo desejo  de felicidade. Eterna felicidade diante da luz mais brilhante e redentora em que estás agora.

Eternamente grato por tudo. Revivo cada passo de nossa caminhada juntos, e vejo em tudo um encanto. Valeu ouvir seus conselhos, sua risada gostosa, suas brincadeiras e até as broncas. Valeu ver você consertando o meu brinquedo, cantando comigo, me levando para passear, me aconselhando,  e cuidando de mim de mil formas.

  Para  o amor não existe limites nem barreiras. Amo-te sempre.  Parabéns papai.

SIMPLICIDADE

 Construimos castelos

inúteis construções

ornamos de belo 

decrépitos  casarões


armamos-nos  para a guerra

sem arma ou munição

quando a batalha se encerra

mil corpos pelo chão


nada solene ou grande

nem mesmo o maior gigante

supera a força da essência


cultivar  simplicade

procurar apenas a verdade

é sabedoria e boa ciência. 


domingo, 2 de janeiro de 2022

Site oficial  Neste site,  um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para  brindar a vida e descobrir se...