Muito movimento
Grande agitação
Me Funde a cuca
E só Traz confusão
Eu Quero a calma
Paz e tranquilidade
Isso sim é prazer
Sem atropelar sem correr
É viver de verdade
Muito movimento
Grande agitação
Me Funde a cuca
E só Traz confusão
Eu Quero a calma
Paz e tranquilidade
Isso sim é prazer
Sem atropelar sem correr
É viver de verdade
A doce brincadeira de rimar
Pode nos levar a
muitos caminhos
Da vida dos sonhos podemos falar
De céus, da terra, de flores e espinhos
A rima pode simplesmente
Nos jogar nos braços da
alegria
Usando o que temos na mente
Rimando plantamos a
semente
Do amor à vida em forma de poesia
COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO O EXILADO DA RUA OUTONO DE OSIAS RIBEIRO NEVES EDITORA ESCRITÓRIO DAS HISTÓRIAS
Gostei muito do livro os exilados da rua outono. Além da indiscutível qualidade literária, riqueza gramatical e léxica, me fez pensar .
Belos contos da cidade e do campo, exaltando as coisas das
gerais, eu diria com um toque roseano,
mas com personalidade e poesia saltando em cada linha.
Um texto
muito bem construído, ameno e agradável em muitos pontos, tenso em
outros, despertando a reflexão, as emoções, questionamentos mas prendendo a atenção durante toda a leitura.
As histórias despertaram
minha atenção:
Na vida das aldeias seus significados e costumes. E no
decorrer dos acontecimentos, trágicos ou amenos com as peculiaridades e os valores próprios e de cada época e de
cada povo.
Nas linhas do trem que continuam vivas na memória e traçam
destinos e assim será para todo o sempre. As marcas que ficam.
No paquiderme, enorme, desajeitado, nos estorvando. O que é o paquiderme? O que
nos incomoda? O que deve ou não estar em nossa vida? Qual o sentido? Quais são
nossos fardos? Reflexões em toneladas nesse texto.
Nos visitantes da noite que representam o período mais
sombrio de nossa história. Que as luzes
se acendam e que essa escuridão, que hoje nos ameaça, não volte a existir.
Coisas do (a) Demo.
Na alma , em Almas, o ruminar do pombo e esse vai e vem da
vida com seus meneios e suas lutas e ideias, ideologias... Caminhos diversos. Os exílios, os encontros e desencontros.
Em o Matador pensei
sobre os limites e extremos da vida. Quem vence e quem é vencido? Coragem, esperteza,
quais são as verdadeiras armas dos grandes?
Em nó do laço, a vida de gado e os aboios da vida com seus
berrantes e ferrões. Texto denso, poético, belo e realista, e chocante no
final.
Em como vemos as paisagens à nossa volta.
Nos contos Um mundo e outro mundo me lembrei de Fernando
Sabino, e de um mundo de imaginação, poesia e
mil possiblidades que reside em cada um de nós. Com aquele toque de fantasia, ternura e senso de aventura.
Nas Rotinas do amor e desamor o realismo das relações,
pequenas histórias que são vividas no dia a dia por muitas pessoas. A
aridez e a decadência das relações, o
machismo, as tragédias. Tudo isso que
acontece por aí, o tempo todo. No princípio achei que eram minicontos, depois
percebi que eram contos contados de forma alternada como uma pequena novela em
capítulos, e todos eles tiveram um fechamento
perfeito. Muito bom.
Em Pássara, a prisão e a liberdade. A lenda do canto livre
que ecoa pelas matas. A fuga da gaiola, o valor da liberdade e da superação dos
males. A passarada que celebra a liberdade e canta livre.
No conto exilado que dá titulo ao livro a história do
professor, de um grande amor, exilados num antigo casarão.
No ultimo conto do livro a exploração faz virar carvão, somos
apenas uma peça a mais na fornalha dos
lucros, trabalhador só uma pecinha a mais, queimou estragou, joga-se fora. A ganância destruindo sonhos. Vale trocar o
certo pelo duvidoso? O sonho que pode
destruir. E o quanto nos tornamos carvão
nesse sistema tão injusto que nos rodeio?
Foi assim que interpretei do meu jeito o livro.
Concluindo um livro muito bom, contos bem escritos com grande qualidade literária, realismo, poesia, despertando a reflexão fazendo pensar ,viajar
pelas palavras e sentir de forma intensa o prazer de ler. Parabéns Osias e mais
uma vez muito obrigado pelo presente e por me proporcionar tão bons momentos
com o exilado da rua outono.
Super recomendo.
Para saber mais sobre a editora e o livro ou para adquiri-lo acesse www.escritoriodehistorias.com.br
Poeira amarela do tempo
Com seus grãos dourados
derramando a cada momento
Sobre mim o ouro do passado
Grãos de alegria e esperança
Caem sob as folhas do meu ser
Traz-me de volta o eu criança
E todo o seu reduto de prazer
Poeira da doce mocidade
E dos amores de todas as idades
pó mágico dos mais belos sonhos
Traz o aconchego do lar
Papai, mamãe, tudo que não
vai voltar
Poeira traz-me céus risonhos
Me contaram essa história não sei se é verdade ou mentira, então como se costuma dizer estou vendendo pelo mesmo preço que eu comprei.
Dizem que nunca pequena cidade há muitos anoso padre recebeu um telegrama de um cardeal avisando que visitaria a cidade e se hospedaria na casa paroquial.
O padre então ficou todo nervoso. O cardeal era uma grande autoridade da igreja, uma
pessoa muita culta e sabida, e obviamente vinha para supervisionar todo o seu
trabalho à frente da paróquia.
Tratou logo de fazer inúmeros preparativos. Deu andamento em
alguns serviços pendentes, pintou a igreja. Supervisionou as pastorais Mandou preparar uma ceia farta. Arrumar muito
bem arrumado o quarto em que o seu visitante ficaria hospedado. Dar uma super limpeza em
toda a casa paroquial . Enfim deixou tudo preparado para que o homem tivesse a melhor impressão possível sobre o andamento
das coisas na paróquia
Mas surgiu uma dúvida: Como deveria trata-lo quando chegasse?
Chama-lo de senhor? Doutor? Não, deveria
usar um pronome de tratamento diferente,
mas qual?
Procurou um famoso professor da cidade e o mestre disse:
-Você deve trata-lo de Vossa Eminência.
-Mas professor, vossa eminencia é um termo feminino. Será
que ele não vai se zangar.
-Não, esse é o tratamento correto para uma cardeal. E a
palavra é feminina mesmo. Chame-o assim e vai agradá-lo
O Padre concordou meio que discordando.
Chegou o dia da chegada da importante autoridade eclesiástica. O padre na estação, super nervoso, contando os minutos, suando sem parar...
O trem começou a apitar na curva, ainda mais nervoso o padre
viu seus pensamentos acelerados pelo nervosismo e pensou mil coisas: Começou a
pensar. Eu devo perguntar algo sobre a viagem dele para ser mais educado. Quem tal
perguntar. –Vossa eminencia está cansada?
Não, mas aí ele pode pensar que estou zombando dele. Devo dizer vossa
eminencia está cansado? Mas assim não vai ficar legal conjugando errado o verbo
posso parecer um idiota. Ah se eu pudesse ir lá perguntar ao professor, mas não
dá tempo. Agora seja o o que Deus quiser
Quando o cardeal desceu do trem, o padre todo atrapalhado
perguntou:
-Vossa Eminência está cansada da viagem?
O cardeal então respondeu com trejeitos
-Estou MORRRRTA de cansada!
A tristeza é bela
A amargura é fina
A melancolia ensina
A poesia brota delas
No triste o belo
Na aceitação a calma
Assim se toca a alma
dois laços num elo
Beleza e tristeza
Poesia na mesa
Nas duas a verdade
Esse encontro diviniza
Essa simbiose humaniza
Transforma a realidade
Foto: William Santiago
OLHARES
Muitas possibilidades num único
clique: Uma varanda, uma belíssima igreja, uma mulher que olha sem olhar para o
tempo, uma cena congelada. Uma boa ideia advinha da sensibilidade e de um olhar
apurado para os devaneios do existir. A força da tecnologia. Fantasia ou
realidade. A magia de um momento
aprisionado na memória, mesmo que artificial e magistralmente eternizado.
O que essa imagem provoca em quem
a contempla?
Permito-me divagar sobre a cena e
descobrir seus meneios e suas possiblidades
Posso ver ali o olhar do oprimido diante do opressor. A
imponência da igreja e do papel passivo
desta instituição tão poderosa
diante de séculos de atrocidades
e de dominações injustas. Estaria a mulher negra à janela refletindo
sobre isso? Volvendo seu olhar de raiva e revolta? Os dois extemos da história
da humanidade. As instituições que sempre existiram e sempre existirão: o
dominador e o dominado. Seria o oprimido
diante do opressor sentindo a angustia e os pesares que as opressões causaram?
Ou talvez seja algo mais leve e
bucólico. Apenas a mulher que olha a vida da cidade passar. Talvez espere o
namorado dobrar a esquina, se espantando um pouco com o agito da pequena
cidade que já é mais tão pacata como antigamente. Talvez traga dentro de si a tranquilidade de
quem está de bem com a vida, olhando para tudo sem muito compromisso, apenas
olha a vida acontecer e espera por algo
bom.
Mas quem é ela, o que pensa, o
que sente? Opa espera! Tem algo diferente com aquela mulher. Não, não é uma
mulher é uma boneca, não apenas por ser
linda, mas porque é uma boneca mesmo. Então não é gente? É algo artificial criado pelo homem? Mas tem gente que para e conversa com ela. Então
é apenas uma fantasia, uma imagem arranjada pela sensibilidade do fotografo.
As imagens mentem, os conceitos mentem. O que é a realidade e o que é a fantasia
nesta vida?
Quem tirou aquela foto, de onde
veio e para onde vai? O que pensava no momento do clique? Talvez lhe ocorreu um
insight mágico, tirar a foto de modo a
sugerir mil possiblidades. Uma mulher que olha para a cidade, para a vida, para
o existir e saboreia com calma as coisas. Será que foi isso que o fotógrafo
pensou? A quem provocou com essa foto?
Será que olhou para a cidade
também e refletiu sobre tudo o que eu
acontecia? Quem passava pela rua quais os pensamentos e sentimentos carregavam
consigo? Seria ele um antigo morador que visitava a cidade depois de rondar o
mundo colhendo vivências? Seria um homem descansando de uma vida cigana e
nômade em sua terra?
E quem passava lá em baixo o que
pensava sobre aquela mulher da sacada?
Ah por quantas sendas uma simples
foto conduz o pensamento! Quantos questionamentos e conexões neurais pode ativar! O que ela não é capaz de provocar numa mente divagante e sonhadora de quem se deixa levar pela imaginação!
Quantas possibilidades!
Vai ver era só uma foto e nada
mais.
***
(ABAIXO O TEXTO NA VERSÃO POEMA)
O OLHAR DA JANELA
A “moça” da janela
Tranquila "olha" para cidade
O que na realidade
Pensa ou “não pensa” ela?
“Vê” o templo imponente
A oprimida diante do opressor
Numa história de horror
Injusta e inclemente
"contempla" a cidade calma
Acena com a “palma”
Procura namorado?
Realidade ou fantasia?
Quem a clicou sabia
Que o pensamento é alado.
Foto: William Santiago
Na madrugada pensante e sozinho
a dor , o aconchego a esperança
um homem feito, a criança
sendas de mil caminhos
o galo canta ao longe
anunciando novo dia
o canto é dor melancolia
onde a amargura se esconde
madrugada doce poesia
tem mistério tem magia
onde a verdade aparece
uma dama ardilosa
orvalho frio sobre a rosa
vida brota ou fenece
Como os nazistas brasileiros vão defender a supremacia racial (o ariasmo) num pais tão miscigenado?
E o governo que tem
um ministro da economia ultraliberal vai aderir a uma ideologia que prega o totalitarismo do estado?
E quanto à proibição do livre comércio?
Para os neonazistas brasileiros quem serão os neojudeus?
E a proposta de volta ao paganismo num pais que tem como
lema Deus acima de todos?
Haverá a perseguição declarada e oficial das raças impuras:
negros, índios, mestiços, pardos, mulatos, mamelucos, misturados?
Eliminando a população impura vai ser possível tocar esse
país?
Onde serão os campos de concentração e as câmaras de gás?
O escritor tinha uma dúvida: Qual seria melhor compor o que viesse à cabeça fazendo assim um retrato escrito do que sentia no momento, ou preparar uma crônica esmerada, que gastasse tempo para ficar pronta, com mil retoques e acertos?
Pensou e finalmente se decidiu:
Os dois... às vezes era melhor ser objetivo e direto e exprimir
o sentimento do momento. Outras vezes esmerar o texto para que fique perfeito.
A dúvida agora era saber qual deveria ser de uma forma e
qual de outra.
Qual texto merece ser dourado? Qual é mais importante? Quais
temas publicar no embalo do momento?
E as perguntas vinham...sempre virão...
Dúvida, esse é o outro nome da arte de escrever.
Com olhos de pedinte
e expressão de humildade
ela passa a mensagem seguinte
e de quebra lembra a lealdade
quero algo de você
e estou a lhe pedir
o que eu quero fazer?
passear... sair por aí
À ternura me remete
tudo então se repete
E cedo aos seus apelos
me desmonta o olhar pidão
minha cadela torna-se então
uma filha com mais pelos
O homem veio de longe e trouxe consigo uma bagagem de
histórias dentro da sua mala. E naquela
mala trazia tesouros que o sábio de cabelos brancos foi
cavando por aí pelas ilhas secretas da
vida.
A riqueza estava nas ruGas, nas marcas no tempo, nos frios
brancos em sua cabeça e até nalgumas dores acumuladas.
Histórias eram barras de ouro, experiência pérolas, conhecimento prata,
aprendizados joias preciosas...
Abriu e colocou sobre a mesa suas relíquias.
Quanta riqueza garimpada
pelas estradas do existir!
chove muito... muito...
e a chuva traz destruição
fez da cidade um reduto
de temor e apreensão
antes aconchego tranquilidade
agora molha a alma de medo
a natureza é na verdade
dotada de inúmeros segredos
casas e coisas afundam
rezas e doações se juntam
hora da mão estendida
do apoio profundo e sincero
brota a força do mistério
da comunhão das vidas
Um dia diante de uma travessura minha meu pai me chamou para conversar. Ele disse de um modo sereno: -Vem aqui conversar com o papai – sentou-me no sofá e agachou-se à minha frente. Então com palavras amorosas e sábias me convenceu a não mais praticar aquele ato por ele reprovado. Não, ele não usou palavras duras, não esbravejou, não impôs autoridade, não, nada disso importava. Tinha a sabedoria para entender que seu ato de humildade se agachando diante de mim, a fala mansa e a força da razão seriam bem mais eficazes. Não importava se impor, não havia aquela soberba do autoritarismo, nem a insanidade da violência física ou verbal. Existia amor e vontade de fazer a coisa certa. Dizem que só aprendemos quando mudamos nosso conceito sobre alguma coisa. E ele sabia fazer isso.
Hoje meu pai faria aniversário.
Seriam 87 anos. Faria não, faz.
Sinto falta dele. Uma vontade imensa de vê-lo
novamente, beijá-lo, desejar felicidades e ouvir algum dos seus sábios
conselhos.
Restam somente a foto, a imaginação, que tem um força imensa e minhas palavras escritas, meu maior trunfo,
mas nada disso se compara a um abraço.
Parabéns meu pai, que meu abraço rompa os
limites do tempo, viaje além das nuvens, fure as barreiras dos insondáveis
mistérios e o alcance no esplendor da glória em que se encontra e o enlace como
prova do meu amor e como o mais profundo
desejo de felicidade. Eterna felicidade diante
da luz mais brilhante e redentora em que estás agora.
Eternamente grato por tudo.
Revivo cada passo de nossa caminhada juntos, e vejo em tudo um encanto. Valeu ouvir
seus conselhos, sua risada gostosa, suas brincadeiras e até as broncas. Valeu
ver você consertando o meu brinquedo, cantando comigo, me levando para passear,
me aconselhando, e cuidando de mim de
mil formas.
Para o amor não existe limites nem barreiras. Amo-te
sempre. Parabéns papai.
Construimos castelos
inúteis construções
ornamos de belo
decrépitos casarões
armamos-nos para a guerra
sem arma ou munição
quando a batalha se encerra
mil corpos pelo chão
nada solene ou grande
nem mesmo o maior gigante
supera a força da essência
cultivar simplicade
procurar apenas a verdade
é sabedoria e boa ciência.
Site oficial Neste site, um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para brindar a vida e descobrir se...