Natal
Luz
Sino
Esperança
Jesus
Menino
Natal
Luz
Sino
Esperança
Jesus
Menino
Depois da ceia, do amigo oculto e todo aquele ritual fomos deitar.
Eu não conseguia dormir, estava
passando mal, havia como sempre comido e
bebido demais, sentia o estomago queimar, então fui até a cozinha para pegar um
sal de frutas e ao passar pela sala vi que alguma coisa brilhava na árvore bem
atrás da estrela que ficava no topo. Era uma árvore pequena, tinha poucos
enfeites e não era iluminada. Fiquei curioso com aquilo achando que houvesse
algo mágico por ali. A estrela brilhando poderia ser um sinal do além. Fui em
direção à arvore e vi que haviam dois olhos brilhantes atrás dela e estavam
olhando para mim. Quando cheguei mais
perto percebi que era um vaga-lume que se posicionou exatamente atrás da estela
iluminando-a. Ri de mim mesmo por pensar
bobagens.
Voltei para cama e ainda não
consegui dormir refletindo sobre aquilo.
Voltei até lá e o vagalume agora
brilhava iluminando o rosto do menino Jesus no presépio.
Não sei se foi algum sinal do
além, mas aquilo me fez refletir sobre o sentido real do natal e também nas
maravilhas da natureza. De onde vem a luz fosforescente que brilha nos olhos
daquele bichinho? Quem acendeu aquela luz? E por que ela rondava os símbolos do
natal? Queria me mostrar algo ao
iluminar a estrela e o Jesus menino? Estava eu me apagando para o significado do
natal? Deveria aprender a olhar para o mundo e sentir a beleza existente em
cada coisa? O que tudo aquilo significava? Ou tudo não passava de coincidências?
E nos pensamentos acelerados da
madrugada insone todas as conexões eram possíveis.
Voltei até a sala para observar
um pouco mais e o vaga lume pousava agora em minha foto, iluminando meu rosto e
meu sorriso.
Era uma luz que se acendia na madrugada. A luz
mágica dos mistérios desse universo sem limites e sem fronteiras. A luz da
reflexão, da renovação, do indagar sobre a amplitude desse mundo sem fim.
Os olhos brilhantes que fizeram ver muito
além. A luz que se acendia em meu interior e me acordava para muitas coisas adormecidas
dentro de mim.
Senti-me renovado e com alguns
novos propósitos.
A estrela do natal, o rosto
sereno na imagem do menino, e o meu sorriso feliz iluminados pelos olhos
brilhantes, mágicos que
testemunhavam a perfeição da natureza,
me fizeram ver muito além.
Nascia
algo novo em mim naquela noite de luz.
E os dois lindos olhos
brilhantes continuavam me olhando...
Meu pai chegou de tardinha trazendo uma garrafa de guaraná alterosa e colocou-a em cima do guarda-comidas. La no nosso beco do canudo. Eu me animei todo, mas ele disse: - O guaraná é para amanhã, para levar para a festa de conceição do Pará. A garrafa ficou ali em cima do armário, pois não tínhamos geladeira naquela época. Então fiquei olhando o guaraná e imaginando saboreá-lo. Nos meus tempos de menino tomar refrigerante era algo raro de acontecer.
E a rotina do dia oito de
dezembro dia da festa no santuário de Nossa Senhora da Conceição na cidade
vizinha de Conceição do Pará todo ano se repetia.
Levantávamos cedo numa animação
só! Vestíamos nossa roupinha de missa, abríamos o cofrinho com as moedas juntadas
durante todo o ano para serem gastas na festa e estávamos prontos para a grande aventura.
Minha mãe preparava uns sanduiches de carne
com molho de cebola para levar, lá era tudo muito caro, então levávamos nosso próprio
lanche, guardando o pouco dinheiro para comprar algumas coisinhas de lembrança.
Íamos para a praça da rodoviária,
e ficávamos esperando o ônibus “encher
de gente” e nos conduzir até o local dos
festejos. Não era uma espera ansiosa,
pois tudo era diversão.
Saíamos pela estrada de chão com
chuva ou poeira e ver a paisagem com a cabeça para fora da janela do ônibus era uma diversão a mais . Que
alegria! Mamãe fechava os olhos quando passávamos pela pontinha da usina, ela tinha
medo de ver a água correndo naquela valeta pequena.
Mamãe sempre nos contava historias
acontecidas por ali, lembrando sua meninice como eu faço agora nesta roda das lembranças,
que assim como aquelas rodas da usina, nunca
para de girar.
Chegávamos ao local da festa, mas
mamãe logo ditava as regras: primeiro pegar a fila para entrar na igreja,
beijar a imagem da santa, dar esmola, depois assistir à missa e só então andar pelas barracas. Ficávamos desanimados porque queríamos
sair andando, mas tínhamos que obedecer.
E assim tudo acontecia. Depois das
funções religiosos saíamos serpenteando pela multidão encantos com tudo.
Não podia faltar o retrato em
negativo que só poderia ser visualizado num pequeno monóculo, a foto levava um
bom tempo para ser revelada, tirada de manhã
e entregue à tarde. Eu certa vez tirei uma foto vestido de cowboy montado num pônei.
Papai comprava alguns brinquedinhos
para a gente, coisa barata. Eu sempre pedia um aviãozinho.
Chupávamos um ou outro picolé.
Mamãe se demorava um pouco nas barracas e ficávamos
nervosos, a perdíamos de vista e tínhamos
que voltar. Ela parava muito para olhar
mercadorias e nós queríamos movimento. Então a censurávamos.
Que bobagem! Para que pressa? Não era justo nossas reprimendas, pois ela também
tinha o direito de ver as coisas e fazer
suas compras. Hoje vejo como a pressa
era uma besteira. Se soubesse que passaria tão rápido não teria pressa alguma. Olharíamos
tudo devagar e saboreando bastante o clima agradável daquelas festas. Mamãe nas paradas acabava comprando somente utensílios para a casa e coisinhas para nós , nunca nada para ela.
Depois íamos a um lugar mais reservado saborear os sanduiches e tomar o almejado guaraná que continuava quente, mas a gente nem ligava.
Tudo tinha sabor de encontro de festa e
vida eterna. Da efemeridade nada sabíamos.
Dificuldade de água e banheiro,
aperto nos corredores, roubos, vendedores trapaceiros, eram entre outras coisas
complicadas por lá.
Então papai falava, já está bom,
vamos embora. Sempre na hora do regresso o velho gostava de comprar abacaxi para trazer. E o
cheiro dessa fruta sempre desperta em mim o sabor delicioso dessas manhãs de 8 de
dezembro. Falou em abacaxi me lembro da festa
Andávamos um pouco mais e voltávamos enfrentando o engarrafamento da
estrada que também não era estressante. Naquela época festa era festa de verdade
do começo ao fim.
Era tudo gostoso, era tudo
divertido, não tinha um resquício sequer de tristeza.
Mas veio a mão do tempo e fez o
que ela sempre faz, se apodera dos melhores pedaços de vida e os esmaga um a
um.
Se fechar os olhos e deixar a
imaginar voar posso ouvir ainda o sino chamando para a missa, ver a fila que
serpenteava em volta da igreja, o zumzumzum das rezas, o barulho das moedas
caindo no cofre das esmolas, as músicas em homenagem a Nossa Senhora, os cheiros gostosos vindos das
barracas de comidas, gritos dos vendedores abordando os clientes, as musicas nas barracas de fita cassete, posso
me sentir esbarrando nas pessoas nos corredores apertados... Enfim posso sentir todos os sons
e sabores daquela época tão feliz!
E tudo passou tão rápido parece que foi ontem
mesmo. Se pudesse entraria numa máquina do tempo e todo dia 08 de dezembro voltaria s ser de novo aquele menino, tê-los de novo aqui e viver aqueles
momentos que à época eram tão comuns e agora no espelho colorido das lembranças
são tão especiais. E essa frase continua aqui sempre que a lembrança vem: tudo
passou tão depressa!
Quero de novo o sabor de vida que
existia dentro daquela garrafa de guaraná,
quente e delicioso!
E então é de novo natal
e a vida com laços e e enfeites
carregada de planos e deleites
casa ornada da frente ao quintal
os mesmos sonhos do natal passado
os infalíveis propósitos e planos
que se perderam no decorrer do
ano
agora são revalidados
que não seja uma alegoria
que seja verdadeira alegria
amor entrelaçado à lida
uma explosão um renascer
um novo modo de viver
mudança real de vida
Eu tenho um amigo poeta muito talentoso que se chama Afonso Castro e reside na cidade de Maravilhas MG. Ele criou um personagens para usar em suas trovas e através dele dizer muitas coisas O personagem é o Boilero (um boi muito especial) . Essas trovas abaixo explicam bem a questão
BOILERO VI
Já nasceu fadado ao escuro,
filho da tal vaca louca.
Boi de carroça, pé duro,
na vida pândega pouca.
BOILERO VII
"O Brasil por mim se ufana,
não tem nada de sinistro.
Eu vivo na terra plana",
são falas do Boi Ministro.
PS.: Boto na boca dos bois as falas que acredito e quero (risos)...
Afonso de Castro Gonçalves.
Maravilhas das Gerais.
Eu então resolvi fazer uma brincadeira com ele, na verdade uma homenagem na forma de uma crônica bem satírica onde o mundo bovino é o assunto principal.
O texto é uma brincadeira, uma sátira feito de forma descontraída e despreocupada e eu nem o corrigi, apenas fiz algumas aparas daqui e dali.
Parabens Afonso pelos seus belos versos. Muito sucesso para você.
Vejam esta linda história de amor:
A história de amor
começou numa exposição agropecuária.
A vaca olhou para o boi
e começou a paquerá-lo. O boi retribuiu pois era muito boleiro. Ela
também era uma vaca boleira, e poderia ser chamada de vaca leira, se algum poeta lá de Minas tivesse
criado essa expressão. Lembrou-se
daquela frase que usava nos tempos de menina: A vaca mica o boi e o boi não dá
leite. Foi amor ao primeiro balde.. O valente touro coçou o chifre no chão e
resolveu abordá-la. Chegou perto dela
com o lero de boi apaixonado. A vaca
logo o classificou de boilero, um boi
cheio de lero. E assim começou aquele amor bovino, que apesar do perigo dos
chifres (amor de bovinos sempre esbarra no chifre) prometia ser amor para toda
a vida. Aquela relação prometia dar muito
leite.
Saíram pela night e
foram dançar um bolero de rosto quase
colado, só não foi colado porque o chifre atrapalhou.
Depois foram até um
lugar distante onde puderam observar as estrelas e ver a via láctea.
Ele contou muitas
histórias, contou até aquela para o boi dormir. E assim foram se conhecendo
pelos pastos da vida.
Boilero era primo do
boi soberano que pertencia ao grande cantor e compositor Tião Carreiro. Fora
tangido do Mato Grosso pelas estradas no sertão em noites e dias de caminhada.
A vaquita como era chamada pelos intimos era premiada em exposições e até um
pouco esnobe A vaca era sobrinha neta do
boi bandido famoso pelos rodeios do brasil e parente distante daquela pobre
vaquinha que ia para o matadouro tão magra que tinha os ossos furando o couro.
Casaram-se e foram
passar a lua de mel no Curral Resort em Uberaba. Foi lindo.
Depois de algum tempo se engajaram na luta
política e cantavam a música vida de gado, vaca profana como sinal de protesto.
Protestaram também contra
o poderio econômico representado pelo touro de ouro na bolsa de valores de são
Paulo.
Eram livres pensadores,
um pouco anarquistas, não quiseram se
filiar ao Jersismo nem ao Nelorismo.
Reclamaram da qualidade
do pasto, do milho que lhes era oferecido. Fizeram protesto na porta de
matadouros e frigoríficos contra a matança de sua espécie. E apoiaram as ações
e invasões do movimento social chamado BSC boi sem curral.
No natal montavam um
lindo presépio, e no presépio deles não havia ovelhas nem pastores, somente
bois e vacas.
Um dia conheceram a
obra de um poeta mineiro que usava muito um boi em suas trovas e ficaram
extremamente felizes. Aquele era um poeta talentosíssimo tinha muito
criatividade, e não ficava só boiando
nas trovas, mas fazia tudo com muito capricho. O boi ficou orgulhoso ao ver seu
nome sendo usado em lindos versos poéticos e de protestos. Era o poeta das maravilhas.
Tiveram apenas um
filhinho, e deram a eles o nome de bezeleiro. Na hora de fazê-lo dormir
evitavam cantar a música boi da cara preta, porque a achavam que a canção era
racista, mas cantavam o couro de boi e também aquela: Eu sou aquele boizinho que nasceu no mês de
maio...
De repente o boilero
ficou vaidoso. Estava se considerando um machão reprodutor e mudou todo o seu
comportamento. Começou a sair por aí...
A vaca gostava de bater
longos papos com o retireiro que vinha todas as manhãs. Ela desabafava com ele,
falava do boleiro e que andava desconfiada que seu parceiro estava pulando a cerca e indo até a malhada que ficava na outra
fazenda. E a fofoca se estendia por algumas horas. A vaca chorava e dizia que não merecia o
chifre. O retireiro dizia que ela tinha
que se cuidar mais, talvez colocar um silicone porque estava com a teta muito
caída. A vaca disse que isso era culpa do próprio retireiro e do seu trabalho
de todas as manhãs e que infelizmente aquela era a sua sina. O
retireiro ficou triste com a depressão da amiga e disse que seu leite estava
secando por causa disso, dali a pouco ia dar Leite ninho. Ela chorava e ficava ruminando aquela ideia de que se ele já estivesse apaixonado por outra
não adiantava chorar sobre o leite derramado.
O boi jurava que era
mentira e que poderia ser mochado se isso fosse verdade. Podia até ter seus olhos
arrancados e usados como tentos numa partida de truco.
Ela boilou uma forma de
pegá-lo em flagrante com o chifre na massa. Então seguiu as patas pelo pasto a fora e chegou ao local da
traição. Fez um escândalo quando
encontrou o harem. Ali estava o boileiro com a malhada, a mimosa, a brabuleta, a mocha, que viera lá do sítio do picapau
amarelo e outras . Até a estrela que
ficou famosa porque foi tema de uma música e que pertencia ao poeta Patativa do
Assaré ali estava. E fubá nem desconfiava. Uma surubaca só.
A vaca rodou a anca,
agitou a fraldinha, arrepiou a chã de fora, bufou de raiva e saiu acém por hora. Parecia até que
estava com a doença da vaca louca. Foi para cima das outras e fez o maior escândalo.
-Suas vacas! Eu vou
mostrar para vocês – A vacada estourou e começou a saltar pelo pasto à fora.
Olhou para boleiro e
disse;
-Seu sem vergonha. Eu
sabia que estava me pondo chifre.
O boi amuado ficou no
cantinho com medo. Não soltou nenhum mujidinho.
Depois de uma boa
bronca os dois voltaram para cá.
A principio a vaca
pensou em abandonar de vez o parceiro. Manda-lo ir comer capim. Mas ruminou
melhor as possiblidades e resolver
varrer a sujeira para baixo do casco.
Não se falavam mais,
nem um méee de bom dia. Nada. E ficaram alguns dias calados, parecia até que
estavam brincando daquela brincadeira da vaca amarela pulou a janela....
Passaram a dormir em
currais separados
Aquele episódio quase
terminou em divórcio. Mas enfim se reconciliaram e o boi prometeu se comportar.
A vida seguiu entre
altos baixos.
Depois de algum tempo
levaram o bezeleiro embora e os dois ficaram ruminando aquela tristeza..
Envelheceram juntos e um
dia foram conduzidos a um matadouro
onde boilero se despediu chorando de sua amada.
Reviveram sua vida quando os dois
ficavam de lero um com outro, e depois quando dançaram boleros. Os
protestos contra o boi da bolsa ao som de vida de gado. Às vezes em que ele
recitou para ela as belas trovas do poeta das maravilhas. Reviveram tudo no
momento do fim. E se foram os dois juntos, vaca cadáver e boi defunto.
A vida é breve e como
dizia o grande mestre espiritual ZEBUDA: não fique ruminando os problemas.
Existe a época do boi gordo e das vacas magras. Às vezes é preciso dar o couro
para vencer na vida. E não tenha medo de
mudar. Muuude.
A tormenta se avizinhava. O céu plúmbeo não deixava dúvidas de que cairia uma terrível tempestade com o terror colorido dos raios e o barulho assustador dos trovões.
A pobre Marta estava apavorada. Tinha medo do
que estava por vir e se sentia acuada.
Pegou o pequeno livro de orações e começou a rezar. O céu escuro, o riscar dos raios e o barulho
dos trovões pareciam desenterrar todas as suas culpas. Via impropérios e promessas de
castigos sendo proferidos em cada ribombar vindo dos céus. A ira implacável de
deuses nervosos estava para ser
jogada sobre a terra. Um arrepio pelo
corpo uma vontade de se esconder em um lugar bem escuro e protegido.
Tudo acontecia à hora triste e melancólica do crepúsculo, o que dava ao ambiente uma aura
triste e fantasmagórica.
Escureceu um pouco
mais. A noite chegava e Marta acendeu as
luzes da casa, escondeu as facas, desligou alguns aparelhos elétricos da tomada
e ficou andando pela casa para lá e para cá.
A noite chegou depressa. Acabou a energia da casa, então a
escuridão foi total sendo interrompida apenas pelos assustadores flashes
celestiais gigantes que traziam consigo milhões de fantasmas e monstros.
Pensamentos acelerados, mil possibilidades ruins, castigos,
culpas e fim do mundo. Tudo misturado à claridade intermitente e aos barulhos
assustados.
O terror de uma noite de tempestade sozinha em casa fazia
Marta perdeu todo o seu juízo e a levava ao desespero total
Rezou o ofício de Nossa Senhora, a oração a
Santa Bárbara, A salve rainha por três vezes e um monte de outras rezas.
A chuva despencou
provocando outro som assustador, caiu bem forte, mas foi rápida e então tudo
serenou.
Marta se acalmou e suas culpas se esconderam outra vez. Elas
voltariam na próxima tempestade.
A tempestade maior aconteceu dentro dela. A tempestade dos
medos, da ansiedade e dos pensamentos
acelerados e catastróficos. Raios de medos, trovões de culpas, chuva de
terrores. Tempestade no peito, nas nuvens da alma, no íntimo do ser.
Nos céus da alma as
tormentas vêm e vão. Dias claros e agitados se alternam. Chovem momentos bons e
ruins.
ESSA É A HISTÓRIA DO FIM DE UM AMOR (TEXTO FEITO A PEDIDO DE UM AMIGO AO SE DESPEDIR DE SUA AMADA)
ADEUS AMOR
Hoje estou muito triste , desolado, nossa história de amor se acabou. Depois de tantos anos nos separamos. E agora aqui estou a
relembrar nossos momentos.
Lembro-me como se fosse hoje o dia em você chegou à minha
vida. Virei a esquina da minha casa e a vi ali toda bela à minha frente. Foi amor à primeira vista. Como era bonita! Seus
contornos me provocaram no mesmo instante em que a vi. Minhas mãos ficaram
suadas, senti borboletas no estômago. Uma alegria imensa tomou conta de mim.
Rapidamente me pus a fazer planos para nós dois. Você ali toda bela à minha
frente despertava minha imaginação. Sua cor maravilhosa, provocante mexia com minha emoção e a queria bem perto
de mim.
Me aproximei e pude vê-la melhor. Seus olhos tinham uma luz muito
intensa. Percebi que correspondia ao meu
interesse, pois piscava para mim. Pareceu inclinar a cabeça virando para o lado
para me ver melhor. Fazia um pequeno
biquinho que seria um charme a mais para me provocar.
Cheguei de mansinho, observando e aos poucos fui me atrevendo.
Depois de alguns instantes eu já a tocava, apertava algumas partes de seu corpo
e sentia um enorme prazer com isso.
Seus pés tinham um
formato arredondado e eram muito
bonitos,
Seu colo era macio e
acolchoado.
E cada parte do seu corpo lindo me envolvia e despertava meu
interesse.
Bem lá por dentro, sem revelar a ninguém eu pensava:” é uma verdadeira máquina”
Então começamos nossa historia de amor que agora
relembro e retrato aqui nossas
aventuras.
Fomos aos poucos nos
aproximando e passamos a viver juntos todos os momentos da vida.
Passeávamos pelas ruas da cidade nas tardes de domingo e
todos podiam ver a nossa felicidade.
Andávamos sempre de mãos dadas por aí.
Nas noites pelos bares você estava sempre ali do meu lado
Até para o trabalho você passou a me acompanhar. Tornou-se a
parceira de todas as horas, alegres e tristes.
Fizemos algumas viagens juntos, curtindo bons momentos em várias
cidades por aí.
Mas não posso esquecer também dos nossos momentos íntimos. Você
foi a primeira em minha vida e a
primeira vez como todos sabem, ninguém esquece. E quando a conheci você também era
inexperiente, como dizem por aí, não era
rodada, era o que se costuma dizer
popularmente zero quilômetro. Aprendemos juntos e juntos vivemos muitas emoções
e prazeres.
Quantas vezes vi meu corpo colado ao seu, viajando nas estradas do prazer. Nas noites
escuras, seus olhos brilhantes iluminavam minha vida, eram a luz do meu
caminho.
Por tantas vezes estive em cima de você e sempre atendeu a
todos os meus apelos. Eu comandava a relação e você apenas obedecia a mim. Sempre
quieta, sem reclamar , aceitando tudo.
Nossos movimentos em alguns momentos eram suaves e tranquilos em outros mais
agressivos, com vigor e velocidade. A velocidade sem limites do prazer. Sentia seu corpo abaixo do meu, tocava você,
me inclinava sobre seu corpo, roçando cada cantinho. Como era bom senti-la abaixo de mim vibrando
e tremendo. Mudávamos de posição a todo momento. Ora eu a conduzia para direita
ora para esquerda, como se estivesse cavalgando em você eu ia aumentando ou diminuindo a marcha de
acordo com o que você desejava de mim. Quantas
loucuras de amor fizemos!
Admirava suas qualidades na intimidade.
Sabia dosar seus movimentos, as vezes ia
devagar, outras vezes mais depressa. Freava meus impulsos para que o prazer não
acabasse de repente. Era perfeita. E depois do prazer eu sempre queria mais e
pedia bis.
Lembro-me daquele dia em que fomos até aquela estrada de
terra. Ah como foi bom estar em cima de
você sentindo seus movimentos. Não quero que este texto se torne algo
pornográfico, mas aquele dia eu a fiz gemer com o toque da minha mão e o
acariciar dos meus dedos.
Em cada viagem que fazíamos era uma nova lua de mel.
Mas o que tivemos foi
um amor de verdade. Não saía contigo apenas como dizem por aí para trocar o
óleo, embora pelas necessidades da vida isso se fazia necessário muitas vezes.
Passamos a morar na mesma casa. Nossa cumplicidade foi
maior.
Em toda a sua vida jamais bebeu nada de álcool. Estranho, eu que gosto tanto de uma cervejinha andar com
alguém assim.
Nunca foi gastadeira. Sempre admirei o fato de você ser
muito econômica. Gastar devagar aquilo que tinha. Isso me ajudou também em meu
orçamento. A parceira que além de me dar muito prazer sabe regrar nas coisas controlando o
orçamento do casal.
.
Minha mãe ficava apreensiva, não confiava muito em
você. Talvez fosse o excesso de zelo
pensasse que você fosse de alguma forma me machucar. Eu dizia que confiava no meu amor e sabia
conduzir a nossa relação e nada iria nos derrubar. Nenhum revés da vida,
nenhuma pedra do caminho nos levaria ao chão. Tínhamos um bom equilíbrio para
enfrentar tudo.
Em certos momentos ousamos em nosso relacionamento. Convidamos mais alguém para aproveitar bons
momentos. Eu você, uma mulher e em outras vezes até mesmo um homem. Aventuras a
três também fazem parte da vida .
Você me acompanhava até o supermercado para fazer compras e
carregava algumas sacolinhas para mim. Já me ajudou a buscar muita cerveja para
o final de semana.
Então eu só tenho a agradecer.
Você sempre foi minha
musa, minha amada, que me conduzia para tão bons caminhos. Eu passeava em seu
corpo e descobria o lado bom da vida andando por aí com você
Mas infelizmente tudo acaba nesta vida. O tempo foi
degastando nossa relação. E parti para novos caminhos, novos amores, mas você
estará sempre presente em meus pensamentos. Jamais vou me esquecer de ti.
Espero que seu novo amor cuide bem de você. Sei que posso
ter parecido um ingrato por trocá-la por outra, mas são as coisas da vida.
Infelizmente aconteceu. Mas saiba que serás sempre muito importante para mim.
A nossa história como a de todos os casais teve seus altos
de baixos, suas retas e curvas, subidas e descidas, pois a vida é assim ora uma
estrada plana e asfaltada em outras uma estrada pedregosa e cheia de buracos.
Mas tudo valeu a pena.
Nunca me esquecerei de você.
Adeus meu amor.
P.S Valeuuuuu minha honda Biz
José Eleutério voltava dirigindo sozinho para a sua fazenda, estava um pouco bêbado e muito relaxado.
Foi pelo caminho pensando na noite agradável que tivera. Passou
horas gostosas no bar do Pedrão, um empório onde se vende de tudo,
localizado no povoado dos Canários, disto oito quilômetros de sua casa, bebendo e contando seus causos bravatas.
Gostava de reunir a turma, pagar bebidas para todos e contar
suas histórias mirabolantes . A maioria era mentira, e mentira absurda, mas adorava
o efeito que causavam durante e de pois da narração. A expectativa da turma o
animava e a cara de surpresa de todos após
o desfecho espetacular o divertia bastante.
Naquela noite contou o caso de um lobisomem que apareceu
para ele na estrada numa noite escura igual àquela e todos ficaram espantados
quando contou como lutou e venceu o bicho. Aquela narrativa foi tão real!
Encantou tanto que teve que contar várias vezes.
Agora ali naquela estrada deserta sob o clarão da lua cheia, à
meia noite de uma de sexta-feira, diante
do que via à sua frente pensava que na proxima reunião teria uma história a mais para contar, ou
talvez não.
Um menino esperava o natal. Estava ansioso pelos presentes trazidos pelo papai Noel, pelas comidas, a festa, por tudo aquilo.
Um dia alguém perguntou:
-Está esperando o nascimento do menino Jesus – O menino
respondeu:
-Não, só do Papai Noel.
E uma lágrima caiu do céu.
Tempo de refletir e esperar
Ah como é bom esse tempo
O tempo do advento
esperando a estrela brilhar
fazer planos, criar metar e gestar
no fundo d'alma e sozinho
uma nova vida um novo caminho
para o ano que vai começar
onde tudo se faz novo
a esperança no meio do povo
a soprar novos e bons ventos
E então tudo vai ser diferente
A vida mais leve e contente
é assim o tempo do advento
É belo o doce despertar
e o raiar de mais um dia
uma nova esperança está no ar
com misto de tristeza e alegria
um bocejo, um espreguiçar
ficar na cama bem que queria
mas a vida exige um acordar
apesar da preguiça arredia
Sair, fazer a vida acontecer
buscar planos e metas
cuidar bem do viver
sonhos no chão refazer
a luta constante e concreta
novo dia, realização e prazer.
O bichinho da tristeza fura
Corroi tudo lá por dentro
Numa sensação ruim que dura
por bem mais que um momento
Então se começa uma procura
por soluções mágicas e unguentos
A eterna busca de uma cura
aumenta ainda mais os tormentos
pode ser um eficiente remédio
abraçar o sentimento em questão
É este o perfeito intermédio
viver a sua emoção
ansiedades, tristeza , tédio...
fugir não é a solução
Mário encontrou sua amiga de muitos anos. Colega da faculdade. Uma pessoa muito especial em sua vida. Por ela já alimentou um grande amor, com ela já riu, já chorou, já falou de coisas bem Íntimas, já desabafou. Aquela pessoa era muito especial para ele.
Agora parecia uma desconhecida, embora tenha sentido uma
grande alegria no reencontro não conseguia vê-la com aquela intimidade nem em
torno dela girava aquela aura de fantasia e de confiança.
Quem sabe talvez o tempo apague os mitos sobre as pessoas e elas passem a ser apenas
pessoas, o tempo fez murchar e cair ao chão a imagem colorida que fazia de sua
amiga.
Então uma grande tristeza tomou conta dele. Pensou que aquela
pessoa não existe mais, o tempo a
transformou em outro ser.
É a ilusão de juntar de novo a turma de outros tempos. Não funciona. Aquele tempo bom não volta mais. E mesmo que os reencontros aconteçam e que se tente reavivar aqueles bons momentos a impressão é outra, o tempo é outro. Ninguém é mais o mesmo.
Manter unida a turma nunca mais. Cada um está
fazendo sua vida sua historia em lugares diferentes. Não somos mais os mesmos e
nem representamos na cabeça das pessoas o que representávamos naquela época.
Lamentável, triste e até desolador, mas é a realidade.
Despediu-se da amiga, estava contente por revê-la, mas ao mesmo tempo triste.
Sabia que seria quase impossível vê-la novamente.
Foi-se embora levando a desilusão e na cabeça uma frase que
estava escrita no seu convite de formatura, naquele dia do fim de um maravilhoso ciclo. O dia que determinou
este distanciamento e programou para
muitos anos além, esta angústia que sentia agora. O dia dos paradoxos, alegre
e triste, de comemoração e despedida. Era uma frase do Gonzaguinha. Recitou-a em voz alta sem se preocupar que as pessoas à sua volta pudessem ourir, enquanto enxugada uma lágrima:
“Um dia nos encontraremos e contaremos as estrelas para ver qual ainda brilha e qual se apagou”
Todos os caminhos
levam ao mesmo lugar
todas as estradas têm buracos
pedra, poeira...
sempre dificil caminhar
parece que girarmos pelo mundo todo
Fazemos e acontecemos ...arteiros
mas voltamos para o mesmo lugar
Resta fazer do limão limonada
origami com papel velho
transformar esta estrada
apenas isso podemos fazer
o agir sobre o ser
o poder de midas
dourando a existência
não espere da vida
ela não está aí para lhe agradar
a ação de transformação
a construção da propria história
unico caminho para a libertação
das grades desta eterna prisão...
Toda vez que uma missão
Árdua e tenaz está
cumprida
Ainda mais após uma tribulação
Abre e escancara as portas da vida
Uma sensação doce de alívio
Vem em nosso peito morar
É como abrir um belo livro
E em suas páginas viajar
Existem certas sensações
Que acordam as emoções
E fazem desabrochar o prazer
De uma forma tão intensa
Que a gente até pensa
Como é maravilhoso o viver!
um toque um retoque
tira de la e põe cai
pode dar samba ou dar rock
dependendo do que mudar
corta a frase comprida
nas cenas da noite ou do dia
dou minha propria vida
para eliminar a dislexia
Da orgtografia cuide bem
e da gramática também
temos que ter muito cuidado
na correção do livro
o leitor tem o seu crivo
Nada pode estar errado
O Escritor aventurou-se a deixar a alma solta. Não planejou daquela vez. Deixou que as ideias viessem e que o texto saísse solto, sem regras, sem métricas, sem limites...
Quando percebeu estava contando histórias e conseguindo fazer enredos bons e
não conseguia descobrir de onde vinham.
Talvez houvesse lá dentro de si, uma chavinha que era ligada
no nada no momento em que tocava as teclas e então... as ideias surgiam como
mágicas.
Colocou a mão no teclado, uma luz se acendeu, o show começou,
a coisa aconteceu. Parou de teclar, a cortina fechou, o show terminou, tudo
acabou.
Era assim como uma mágica. Poderia dizer que tinha dentro de
si a chave do talento usada para ligar os potentes motores da máquina da
imaginação que mora no peito e no coração e o que vem de suas engrenagens é algo sem
limites. Vai além de tudo o que se pode sonhar.
Vire a chave aí...
Gosto do verso simples
Da rima pura e direta
Falando do que existe
Como se fosse uma conversa
Pode salpicar por cima
Um tantão de poesia
É ela além da rima
Que dá ao verso magia
Que alegre que encante
Que ao ler a alma cante
Que também faça refletir
Que transforme tudo em volta
Que de um mundo novo abra a porta
Para os muitos caminhos do existir
Fim de livro
fim da missão
não mais cativo
de toda pressão
escrever é dom
da muito prazer
um lado tenso além de bom
no ato de escrever
comemoro agora
este momento a vitória
terminei mais um
e ofereço ao mundo
num clique num segundo
meu universo tão próprio incomum.
***
No dia de finados Marcos foi visitar os túmulos dos parentes nos cemitérios da cidade e ouviu alguém chorando muito. Ficou triste e uma onda de fim tomou conta de sua alma. As velhas perguntas sem respostas apareceram. A chamada crise existencial deu-lhe uma lambada com seu poderoso chicote. De onde? Para onde? Por quê? Para que? De que vale? Qual o sentido...
Depois de algum tempo alguma esperança veio apossar-se de si.
Uma coisa que estava para acontecer veio restaurar a fé insana numa pseudo
eternidade. Como se de um momento para outro o
homem colocasse a dor no bolso,
deixasse-a para depois e vestisse a roupa da ilusão. É verdade que tudo vai ao
fim, mas deixa o fim para o fim.
A mente é mesmo cheia de artimanhas. A flor mais bela pode
nascer na lama. Da tristeza vem a alegria, da alegria vem a tristeza.
O sentir é insano e totalmente irracional.
Site oficial Neste site, um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para brindar a vida e descobrir se...