sábado, 22 de janeiro de 2022

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

CHOVE

 chove muito... muito...

e a chuva traz destruição

fez da cidade  um reduto 

de  temor  e apreensão


antes aconchego tranquilidade

agora  molha a alma de medo

a natureza é  na verdade

dotada de inúmeros segredos 


casas e coisas afundam 

rezas e doações se juntam 

hora da mão estendida


do apoio profundo e sincero 

brota a força do mistério 

da comunhão das  vidas 



quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

SEM LIMITES...

 Um dia diante de uma travessura minha meu pai me chamou para conversar. Ele disse de um modo sereno: -Vem aqui conversar com o papai – sentou-me no sofá e agachou-se à minha frente. Então com palavras amorosas e sábias me convenceu a não mais praticar aquele ato por ele reprovado. Não, ele não usou palavras duras, não esbravejou, não impôs autoridade, não, nada disso importava. Tinha a sabedoria para entender que seu ato de humildade se agachando  diante de mim, a fala mansa e a força da  razão seriam bem mais eficazes. Não importava se impor, não havia aquela soberba do autoritarismo, nem a insanidade da violência física ou verbal. Existia amor e vontade de fazer a coisa certa. Dizem que só aprendemos quando mudamos nosso conceito sobre alguma coisa. E ele sabia fazer isso.

Hoje meu pai faria aniversário. Seriam 87 anos. Faria não, faz.

 Sinto falta dele. Uma vontade imensa de vê-lo novamente, beijá-lo, desejar felicidades e ouvir algum dos seus sábios conselhos.

Restam  somente  a foto,  a imaginação, que tem um força imensa  e minhas palavras escritas, meu maior trunfo, mas nada disso se compara a um abraço.

 Parabéns meu pai, que meu abraço rompa os limites do tempo, viaje além das nuvens, fure as barreiras dos insondáveis mistérios e o alcance no esplendor da glória em que se encontra e o enlace como prova do meu amor e  como o mais profundo desejo  de felicidade. Eterna felicidade diante da luz mais brilhante e redentora em que estás agora.

Eternamente grato por tudo. Revivo cada passo de nossa caminhada juntos, e vejo em tudo um encanto. Valeu ouvir seus conselhos, sua risada gostosa, suas brincadeiras e até as broncas. Valeu ver você consertando o meu brinquedo, cantando comigo, me levando para passear, me aconselhando,  e cuidando de mim de mil formas.

  Para  o amor não existe limites nem barreiras. Amo-te sempre.  Parabéns papai.

SIMPLICIDADE

 Construimos castelos

inúteis construções

ornamos de belo 

decrépitos  casarões


armamos-nos  para a guerra

sem arma ou munição

quando a batalha se encerra

mil corpos pelo chão


nada solene ou grande

nem mesmo o maior gigante

supera a força da essência


cultivar  simplicade

procurar apenas a verdade

é sabedoria e boa ciência. 


domingo, 2 de janeiro de 2022

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

DESEJO A TODOS UM FELIZ E SANTO NATAL E UM 2022 REPLETO DE PAZ, SAÚDE, FELICIDADE, REALIZAÇÕES E DE TUDO O QUE HOUVER DE MELHOR.

 Natal

Luz

Sino

Esperança 

Jesus

Menino

DOIS OLHOS (CONTO DE NATAL)

Depois da ceia, do amigo oculto e todo aquele ritual fomos deitar.

Eu não conseguia dormir, estava passando mal,  havia como sempre comido e bebido demais, sentia o estomago queimar, então fui até a cozinha para pegar um sal de frutas e ao passar pela sala vi que alguma coisa brilhava na árvore bem atrás da estrela que ficava no topo. Era uma árvore pequena, tinha poucos enfeites e não era iluminada. Fiquei curioso com aquilo achando que houvesse algo mágico por ali. A estrela brilhando poderia ser um sinal do além. Fui em direção à arvore e vi que haviam dois olhos brilhantes atrás dela e estavam olhando para mim.   Quando cheguei mais perto percebi que era um vaga-lume que se posicionou exatamente atrás da estela iluminando-a.  Ri de mim mesmo por pensar bobagens.

Voltei para cama e ainda não consegui dormir refletindo sobre aquilo. 

Voltei até lá e o vagalume agora brilhava iluminando o rosto do menino Jesus no presépio.

Não sei se foi algum sinal do além, mas aquilo me fez refletir sobre o sentido real do natal e também nas maravilhas da natureza. De onde vem a luz fosforescente que brilha nos olhos daquele bichinho? Quem acendeu aquela luz? E por que ela rondava os símbolos do natal?  Queria me mostrar algo ao iluminar a estrela e o Jesus menino? Estava eu me apagando para o significado do natal? Deveria aprender a olhar para o mundo e sentir a beleza existente em cada coisa? O que tudo aquilo significava? Ou tudo não passava de coincidências?  E nos pensamentos acelerados da madrugada insone todas as conexões eram possíveis.

Voltei até a sala para observar um pouco mais e o vaga lume pousava agora em minha foto, iluminando meu rosto e meu sorriso.

 Era uma luz que se acendia na madrugada. A luz mágica dos mistérios desse universo sem limites e sem fronteiras. A luz da reflexão, da renovação, do indagar sobre a amplitude desse mundo sem fim.

 Os olhos brilhantes que fizeram ver muito além. A luz que se acendia em meu interior e  me acordava para muitas coisas adormecidas dentro de mim. 

  Senti-me  renovado e com alguns novos propósitos.

A estrela do natal, o rosto sereno na imagem do menino, e o meu sorriso feliz iluminados pelos olhos brilhantes,  mágicos que testemunhavam  a perfeição da natureza, me fizeram ver muito além.

  Nascia algo novo em mim naquela noite de luz.

E os dois lindos olhos brilhantes  continuavam me olhando...  

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

GUARANÁ QUENTE

 Meu pai chegou de tardinha  trazendo uma garrafa de guaraná alterosa e colocou-a em cima do guarda-comidas. La no nosso beco do canudo.  Eu me animei todo, mas ele disse: - O guaraná é para amanhã,  para levar para a festa de conceição do Pará.  A garrafa ficou ali em cima do armário, pois não tínhamos geladeira naquela época. Então fiquei olhando o guaraná e imaginando  saboreá-lo. Nos meus tempos de menino  tomar refrigerante era algo raro de acontecer.

E a rotina do dia oito de dezembro dia da festa no santuário de Nossa Senhora da Conceição na cidade vizinha  de Conceição do Pará  todo ano se repetia.

Levantávamos cedo numa animação só! Vestíamos  nossa roupinha de missa,  abríamos o cofrinho com as moedas juntadas durante todo o ano para serem gastas na festa  e estávamos prontos para a  grande aventura.

 Minha mãe preparava uns sanduiches de carne com molho de cebola para levar, lá era tudo muito caro, então levávamos nosso próprio lanche, guardando o pouco dinheiro para comprar algumas coisinhas de lembrança.

Íamos para a praça da rodoviária, e ficávamos esperando o ônibus  “encher de gente”  e nos conduzir até o local dos festejos. Não  era uma espera ansiosa, pois tudo era diversão.

Saíamos pela estrada de chão com chuva ou poeira  e  ver a paisagem com a cabeça para fora  da janela  do ônibus era uma diversão a mais . Que alegria! Mamãe fechava os olhos quando passávamos pela pontinha da usina, ela tinha medo de ver a água correndo naquela valeta pequena.

Mamãe sempre nos contava historias acontecidas por ali, lembrando sua meninice como eu faço agora nesta roda das lembranças, que assim como aquelas rodas da usina,  nunca para de girar.

Chegávamos ao local da festa, mas mamãe logo ditava as regras: primeiro pegar a fila para entrar na igreja, beijar a imagem da santa, dar esmola,  depois assistir à missa e só então andar  pelas barracas. Ficávamos desanimados porque queríamos sair andando, mas  tínhamos que obedecer.

E assim tudo acontecia. Depois das funções religiosos saíamos serpenteando pela multidão encantos com tudo.  

Não podia faltar o retrato em negativo que só poderia ser visualizado num pequeno monóculo, a foto levava um bom tempo para ser revelada, tirada  de manhã e entregue à tarde.  Eu certa vez  tirei uma foto  vestido de cowboy montado num pônei.

Papai comprava alguns brinquedinhos para a gente, coisa barata. Eu sempre pedia um aviãozinho.

 Chupávamos um ou outro picolé.

 Mamãe se demorava um pouco nas barracas e ficávamos nervosos,  a perdíamos de vista e tínhamos que voltar.  Ela parava muito para olhar mercadorias  e  nós queríamos movimento. Então a censurávamos. Que bobagem! Para que pressa? Não era justo nossas reprimendas, pois ela também tinha o direito de ver as coisas e  fazer suas compras.  Hoje vejo como a pressa era uma besteira. Se soubesse que passaria tão rápido não teria pressa alguma. Olharíamos tudo devagar e saboreando bastante o clima agradável daquelas festas. Mamãe  nas paradas acabava comprando somente  utensílios para a  casa e coisinhas para nós , nunca nada para ela.

 Depois íamos a  um lugar mais reservado saborear  os sanduiches e tomar o almejado  guaraná  que continuava quente, mas a gente nem ligava.  Tudo tinha sabor de encontro de festa e vida eterna. Da efemeridade nada sabíamos.

Dificuldade de água e banheiro, aperto nos corredores, roubos, vendedores trapaceiros, eram entre outras coisas complicadas por lá.

Então papai falava, já está bom, vamos embora. Sempre na hora do regresso o velho  gostava de comprar abacaxi para trazer. E o cheiro dessa fruta sempre desperta em  mim o sabor delicioso dessas manhãs de 8 de dezembro. Falou em abacaxi me lembro da festa

Andávamos um pouco mais e  voltávamos enfrentando o engarrafamento da estrada que também não era estressante. Naquela época festa era festa de verdade do começo ao fim.

Era tudo gostoso, era tudo divertido, não tinha um resquício sequer de tristeza.

Mas veio a mão do tempo e fez o que ela sempre faz, se apodera dos melhores pedaços de vida e os esmaga um a um.

Se fechar os olhos e deixar a imaginar voar posso ouvir ainda o sino chamando para a missa, ver a fila que serpenteava em volta da igreja, o zumzumzum das rezas, o barulho das moedas caindo no cofre das esmolas, as músicas  em homenagem a  Nossa Senhora, os cheiros gostosos vindos das barracas de comidas, gritos dos vendedores abordando os clientes,  as musicas nas barracas de fita cassete, posso me sentir esbarrando nas pessoas nos corredores apertados...  Enfim  posso sentir todos  os  sons e sabores daquela época tão feliz!

 E tudo passou tão rápido parece que foi ontem mesmo. Se pudesse entraria numa máquina do tempo e  todo dia 08 de dezembro  voltaria s ser de novo aquele  menino, tê-los de novo aqui e viver aqueles momentos que à época eram tão comuns e agora no espelho colorido das lembranças são tão especiais. E essa frase continua aqui sempre que a lembrança vem: tudo passou tão depressa!

 

Quero de novo o sabor de vida que existia dentro daquela  garrafa  de guaraná, quente e delicioso!

 

 

 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

DE NOVO NATAL

 E  então é de novo natal

e a vida com laços e e enfeites

carregada de planos e deleites

casa ornada da frente ao quintal

 

os mesmos sonhos do natal passado

os infalíveis  propósitos e planos

que se perderam no decorrer do ano

agora são revalidados

 

que não seja uma alegoria

que seja  verdadeira alegria

amor entrelaçado à lida

 

uma explosão um renascer

um novo modo de viver

mudança real de vida

 

domingo, 5 de dezembro de 2021

VAQUITA E BOILERO

 Eu tenho um amigo poeta muito talentoso que se chama Afonso Castro e reside na cidade de Maravilhas MG. Ele criou um personagens para usar em suas trovas e através dele dizer muitas coisas O personagem   é  o Boilero (um boi muito especial) . Essas trovas abaixo explicam bem a questão   

BOILERO VI

Já nasceu fadado ao escuro, 

filho da tal vaca louca.

Boi de carroça, pé duro, 

na vida pândega pouca.


BOILERO VII

"O Brasil por mim se ufana, 

não tem nada de sinistro.

Eu vivo na terra plana", 

são falas do Boi Ministro.

PS.: Boto na boca dos bois as falas que acredito e quero (risos)...

Afonso de Castro Gonçalves.

Maravilhas das Gerais.


Eu então resolvi fazer uma brincadeira com ele, na verdade uma homenagem na forma de uma crônica bem satírica  onde o mundo bovino é o assunto principal. 

O texto é uma brincadeira, uma sátira feito de forma descontraída e despreocupada  e  eu nem o corrigi, apenas fiz algumas aparas daqui e dali. 

 Parabens Afonso pelos seus belos versos. Muito sucesso para você. 

Vejam esta linda história de amor:


 Vaquita e Boilero

A história de amor começou numa exposição agropecuária.

A vaca olhou para o boi e começou a paquerá-lo. O boi retribuiu pois era muito boleiro.   Ela também era uma vaca boleira, e poderia ser chamada de  vaca leira, se algum poeta lá de Minas tivesse criado essa expressão.  Lembrou-se daquela frase que usava nos tempos de menina: A vaca mica o boi e o boi não dá leite. Foi amor ao primeiro balde.. O valente touro coçou o chifre no chão e resolveu abordá-la. Chegou  perto dela com o lero de boi  apaixonado. A vaca logo o classificou de boilero, um  boi cheio de lero. E assim começou aquele amor bovino, que apesar do perigo dos chifres (amor de bovinos sempre esbarra no chifre) prometia ser amor para toda a vida. Aquela relação prometia dar muito  leite.

Saíram pela night e foram dançar um bolero de rosto  quase colado, só não foi colado porque o chifre atrapalhou.

Depois foram até um lugar distante onde puderam observar as estrelas e ver a via láctea.

Ele contou muitas histórias, contou até aquela para o boi dormir. E assim foram se conhecendo pelos pastos da vida.

Boilero era primo do boi soberano que pertencia ao grande cantor e compositor Tião Carreiro. Fora tangido do Mato Grosso pelas estradas no sertão em noites e dias de caminhada. A vaquita como era chamada pelos intimos era premiada em exposições e até um pouco esnobe A vaca  era sobrinha neta do boi bandido famoso pelos rodeios do brasil e parente distante daquela pobre vaquinha que ia para o matadouro tão magra que tinha os ossos furando o couro.

 

Casaram-se e foram passar a lua de mel no Curral Resort em Uberaba. Foi lindo.

 Depois de algum tempo se engajaram na luta política e cantavam a música vida de gado, vaca profana  como sinal de protesto.

Protestaram também contra o poderio econômico representado pelo touro de ouro na bolsa de valores de são Paulo.

Eram livres pensadores, um pouco anarquistas, não quiseram  se filiar ao Jersismo nem ao Nelorismo.

Reclamaram da qualidade do pasto, do milho que lhes era oferecido. Fizeram protesto na porta de matadouros e frigoríficos contra a matança de sua espécie. E apoiaram as ações e invasões do movimento social chamado BSC boi sem curral.

No natal montavam um lindo presépio, e no presépio deles não havia ovelhas nem pastores, somente bois e vacas.

Um dia conheceram a obra de um poeta mineiro que usava muito um boi em suas trovas e ficaram extremamente felizes. Aquele era um poeta talentosíssimo tinha muito criatividade,  e não ficava só boiando nas trovas, mas fazia tudo com muito capricho. O boi ficou orgulhoso ao ver seu nome sendo usado em lindos versos poéticos e de protestos.  Era o poeta das maravilhas.

Tiveram apenas um filhinho, e deram a eles o nome de bezeleiro. Na hora de fazê-lo dormir evitavam cantar a música boi da cara preta, porque a achavam que a canção era racista,  mas cantavam  o couro de boi e também aquela:  Eu sou aquele boizinho que nasceu no mês de maio...

De repente o boilero ficou vaidoso. Estava se considerando um machão reprodutor e mudou todo o seu comportamento. Começou a sair por aí...

A vaca gostava de bater longos papos com o retireiro que vinha todas as manhãs. Ela desabafava com ele, falava do boleiro e que andava desconfiada que seu parceiro  estava pulando a cerca  e indo até a malhada que ficava na outra fazenda. E a fofoca se estendia por algumas horas.  A vaca chorava e dizia que não merecia o chifre.  O retireiro dizia que ela tinha que se cuidar mais, talvez colocar um silicone porque estava com a teta muito caída. A vaca disse que isso era culpa do próprio retireiro e do seu trabalho de todas as manhãs e  que  infelizmente aquela era a sua sina. O retireiro ficou triste com a depressão da amiga e disse que seu leite estava secando por causa disso, dali a pouco ia dar Leite ninho.  Ela chorava e  ficava ruminando aquela ideia de  que se ele já estivesse apaixonado por outra não adiantava chorar sobre o leite derramado.

O boi jurava que era mentira e que poderia ser mochado se isso fosse verdade. Podia até ter seus olhos arrancados e usados como tentos numa partida de truco.

Ela boilou uma forma de pegá-lo em flagrante com o chifre na massa. Então seguiu as patas pelo  pasto a fora e chegou ao local da traição.  Fez um escândalo quando encontrou o harem. Ali estava o boileiro com a malhada, a mimosa, a brabuleta,  a mocha, que viera lá do sítio do picapau amarelo  e outras . Até a estrela que ficou famosa porque foi tema de uma música e que pertencia ao poeta Patativa do Assaré ali estava. E fubá nem desconfiava.  Uma surubaca só.

A vaca rodou a anca, agitou a fraldinha, arrepiou a chã de fora, bufou  de raiva e saiu acém por hora. Parecia até que estava com a doença da vaca louca. Foi para cima das outras e fez o maior escândalo.

-Suas vacas! Eu vou mostrar para vocês – A vacada estourou e  começou  a saltar pelo pasto à fora.

Olhou para boleiro e disse;

-Seu sem vergonha. Eu sabia que estava me pondo chifre.

O boi amuado ficou no cantinho com medo. Não soltou nenhum mujidinho.  

Depois de uma boa bronca os dois voltaram para cá.

A principio a vaca pensou em abandonar de vez o parceiro. Manda-lo ir comer capim. Mas ruminou melhor as possiblidades  e resolver varrer a sujeira para baixo do casco.  

Não se falavam mais, nem um méee de bom dia. Nada. E ficaram alguns dias calados, parecia até que estavam brincando daquela brincadeira da vaca amarela pulou a  janela....

Passaram a dormir em currais separados

Aquele episódio quase terminou em divórcio. Mas enfim se reconciliaram e o boi prometeu se comportar.

A vida seguiu entre altos baixos.

Depois de algum tempo levaram o bezeleiro embora e os dois ficaram  ruminando aquela tristeza..

Envelheceram juntos e um dia   foram conduzidos a um matadouro onde boilero se despediu chorando de sua amada.  Reviveram sua vida quando os dois  ficavam de lero um com outro, e depois quando dançaram boleros. Os protestos contra o boi da bolsa ao som de vida de gado. Às vezes em que ele recitou para ela as belas trovas do poeta das maravilhas. Reviveram tudo no momento do fim. E se foram os dois juntos, vaca cadáver e boi defunto.

A vida é breve e como dizia o grande mestre espiritual ZEBUDA: não fique ruminando os problemas. Existe a época do boi gordo e das vacas magras. Às vezes é preciso dar o couro para vencer na vida. E não tenha  medo de mudar.  Muuude.

 

 


quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

TORMENTA

 A tormenta se avizinhava.  O céu plúmbeo não deixava dúvidas de que cairia uma terrível tempestade com o terror colorido dos raios e o barulho assustador dos trovões.

  A pobre Marta estava apavorada. Tinha medo do que estava por vir e  se sentia acuada. Pegou o pequeno livro de orações e começou a rezar.  O céu escuro, o riscar dos raios e o barulho dos trovões pareciam desenterrar todas as suas  culpas. Via impropérios e promessas de castigos sendo proferidos em cada ribombar vindo dos céus. A ira implacável de deuses nervosos  estava para ser jogada   sobre a terra. Um arrepio pelo corpo uma vontade de se esconder em um lugar bem escuro e protegido.

Tudo acontecia à hora triste e melancólica  do crepúsculo, o que dava ao ambiente uma aura triste e fantasmagórica.

 Escureceu um pouco mais. A noite chegava e  Marta acendeu as luzes da casa, escondeu as facas, desligou alguns aparelhos elétricos da tomada e ficou andando pela casa para lá e para cá.

A noite chegou depressa. Acabou a energia da casa, então a escuridão foi total sendo interrompida apenas pelos assustadores flashes celestiais gigantes que traziam consigo milhões de fantasmas e monstros.

Pensamentos acelerados, mil possibilidades ruins, castigos, culpas e fim do mundo. Tudo misturado à claridade intermitente e aos barulhos assustados.

O terror de uma noite de tempestade sozinha em casa fazia Marta perdeu todo o seu juízo e a levava ao desespero total

  Rezou o ofício de Nossa Senhora, a oração a Santa Bárbara, A salve rainha por três vezes e um monte de outras rezas. 

A chuva  despencou provocando outro som assustador, caiu bem forte, mas foi rápida e então tudo serenou.

Marta se acalmou e suas culpas se esconderam outra vez. Elas voltariam na próxima tempestade.

A tempestade maior aconteceu dentro dela. A tempestade dos medos, da ansiedade e  dos pensamentos acelerados e catastróficos. Raios de medos, trovões de culpas, chuva de terrores. Tempestade no peito, nas nuvens da alma, no íntimo do ser.

 Nos céus da alma as tormentas vêm e vão. Dias claros e agitados se alternam. Chovem momentos bons e ruins.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

 ESSA É A HISTÓRIA  DO FIM DE UM AMOR  (TEXTO FEITO A PEDIDO DE UM AMIGO AO SE DESPEDIR DE SUA AMADA)


ADEUS AMOR 

 

 

Hoje estou muito triste , desolado,  nossa história de amor se acabou.  Depois de tantos  anos nos separamos. E agora aqui estou a relembrar nossos momentos.

Lembro-me como se fosse hoje o dia em você chegou à minha vida.  Virei a esquina da minha casa e  a vi ali toda bela à minha frente. Foi  amor à primeira vista. Como era bonita! Seus contornos me provocaram no mesmo instante em que a vi. Minhas mãos ficaram suadas, senti borboletas no estômago. Uma alegria imensa tomou conta de mim. Rapidamente me pus a fazer planos para nós dois. Você ali toda bela à minha frente despertava minha  imaginação.   Sua cor maravilhosa, provocante  mexia com minha emoção e a queria bem perto de mim.

Me aproximei e pude vê-la melhor. Seus olhos tinham uma luz muito intensa.  Percebi que correspondia ao meu interesse, pois piscava para mim. Pareceu inclinar a cabeça virando para o lado para me ver melhor.   Fazia um pequeno biquinho que seria um charme a mais para me provocar.

Cheguei de mansinho, observando e aos poucos fui me atrevendo. Depois de alguns instantes eu já a tocava, apertava algumas partes de seu corpo e sentia um enorme prazer com isso.

Seus pés  tinham um formato arredondado e eram  muito bonitos,

Seu colo era macio  e acolchoado.

E cada parte do seu corpo lindo me envolvia e despertava meu interesse.

Bem lá por dentro, sem revelar a ninguém eu pensava:”  é uma verdadeira máquina”

Então começamos nossa historia de amor que agora relembro  e retrato aqui nossas aventuras.

Fomos aos poucos  nos aproximando e passamos a viver juntos todos os momentos da vida.

Passeávamos pelas ruas da cidade nas tardes de domingo e todos podiam ver a nossa felicidade.   Andávamos sempre de mãos dadas por aí.

Nas noites pelos bares você estava sempre ali do meu lado

Até para o trabalho você passou a me acompanhar. Tornou-se a parceira de todas as horas, alegres e tristes.

 

Fizemos algumas viagens juntos, curtindo bons momentos em várias cidades por aí.

 

Mas não posso esquecer também dos nossos momentos íntimos. Você foi  a primeira em minha vida e a primeira vez como todos sabem, ninguém esquece.  E quando a conheci você também era inexperiente,  como dizem por aí, não era rodada, era o que  se costuma dizer popularmente zero quilômetro. Aprendemos juntos e juntos vivemos muitas emoções e prazeres.

Quantas vezes vi meu corpo colado ao seu,  viajando nas estradas do prazer. Nas noites escuras, seus olhos brilhantes iluminavam minha vida, eram a luz do meu caminho.

Por tantas vezes estive em cima de você e sempre atendeu a todos os meus apelos. Eu comandava a relação e você apenas obedecia a mim. Sempre quieta, sem reclamar , aceitando tudo.

Nossos movimentos em alguns momentos  eram suaves e tranquilos em outros mais agressivos, com vigor e velocidade.   A velocidade sem limites do prazer.  Sentia seu corpo abaixo do meu, tocava você, me inclinava sobre seu corpo, roçando cada cantinho.  Como era bom senti-la abaixo de mim vibrando e tremendo. Mudávamos de posição a todo momento. Ora eu a conduzia para direita ora para esquerda, como se estivesse cavalgando em você  eu ia aumentando ou diminuindo a marcha de acordo com o que você desejava de mim.    Quantas loucuras de amor fizemos!

Admirava suas qualidades na intimidade. Sabia  dosar seus movimentos, as vezes ia devagar, outras vezes mais depressa. Freava meus impulsos para que o prazer não acabasse de repente.  Era perfeita.  E depois do prazer eu sempre queria mais e pedia bis.

Lembro-me daquele dia em que fomos até aquela estrada de terra. Ah como foi  bom estar em cima de você sentindo seus movimentos. Não quero que este texto se torne algo pornográfico, mas aquele dia eu a fiz gemer com o toque da minha mão e o acariciar dos meus dedos.

Em cada viagem que fazíamos era uma nova lua de mel.

Mas  o que tivemos foi um amor de verdade. Não saía contigo apenas como dizem por aí para trocar o óleo, embora pelas necessidades da vida isso se fazia necessário muitas vezes.

Passamos a morar na mesma casa. Nossa cumplicidade foi maior.

Em toda a sua vida jamais bebeu nada de álcool. Estranho,  eu que gosto tanto de uma cervejinha andar com alguém assim.

Nunca foi gastadeira. Sempre admirei o fato de você ser muito econômica. Gastar devagar aquilo que tinha. Isso me ajudou também em meu orçamento. A parceira que além de me dar muito prazer  sabe regrar nas coisas controlando o orçamento do casal.  

.

Minha mãe ficava apreensiva, não confiava muito em você.  Talvez fosse o excesso de zelo pensasse que você fosse de alguma forma me machucar.  Eu dizia que confiava no meu amor e sabia conduzir a nossa relação e nada iria nos derrubar. Nenhum revés da vida, nenhuma pedra do caminho nos levaria ao chão. Tínhamos um bom equilíbrio para enfrentar tudo.

Em certos momentos ousamos em nosso relacionamento.  Convidamos mais alguém para aproveitar bons momentos. Eu você, uma mulher e em outras vezes até mesmo um homem. Aventuras a três também fazem parte da vida .

Você me acompanhava até o supermercado para fazer compras e carregava algumas sacolinhas para mim. Já me ajudou a buscar muita cerveja para o final de semana.

Então eu só tenho a agradecer.

Você sempre  foi minha musa, minha amada, que me conduzia para tão bons caminhos. Eu passeava em seu corpo e descobria o lado bom da vida andando por aí com você

Mas infelizmente tudo acaba nesta vida. O tempo foi degastando nossa relação. E parti para novos caminhos, novos amores, mas você estará sempre presente em meus pensamentos. Jamais vou me esquecer de ti.

Espero que seu novo amor cuide bem de você. Sei que posso ter parecido um ingrato por trocá-la por outra, mas são as coisas da vida. Infelizmente aconteceu. Mas saiba que serás sempre muito importante para mim.

 

A nossa história como a de todos os casais teve seus altos de baixos, suas retas e curvas, subidas e descidas, pois a vida é assim ora uma estrada plana e asfaltada em outras uma estrada pedregosa e cheia de buracos. Mas tudo valeu a pena.

Nunca me esquecerei de você.

 

Adeus meu amor.

 

 

 

 

P.S   Valeuuuuu  minha honda  Biz

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

UMA HISTÓRIA A MAIS?

 José Eleutério voltava dirigindo sozinho para a sua fazenda, estava um pouco bêbado e muito relaxado.

Foi pelo caminho pensando na noite agradável que tivera. Passou horas gostosas  no bar  do Pedrão, um empório onde se vende de tudo, localizado no povoado dos Canários, disto oito  quilômetros de sua casa,  bebendo e contando seus causos  bravatas.

Gostava de reunir a turma, pagar bebidas para todos e contar suas histórias mirabolantes . A maioria era mentira, e mentira absurda, mas adorava o efeito que causavam durante e de pois da narração. A expectativa da turma o animava e a cara de surpresa de todos  após o desfecho espetacular o divertia bastante.

Naquela noite contou o caso de um lobisomem que apareceu para ele na estrada numa noite escura igual àquela e todos ficaram espantados quando contou como lutou e venceu o bicho. Aquela narrativa foi tão real! Encantou tanto que teve que contar várias vezes.

 Agora ali naquela  estrada deserta sob o clarão da lua cheia, à meia noite de uma  de sexta-feira, diante do que via à sua frente  pensava  que na proxima reunião  teria uma história a mais para contar, ou talvez não.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

JESUS OU NOEL?

 Um menino esperava o natal. Estava ansioso pelos presentes trazidos pelo papai Noel, pelas comidas, a festa, por tudo aquilo.

Um dia alguém perguntou:

-Está esperando o nascimento do menino Jesus – O menino respondeu:

-Não, só do Papai Noel.

E uma lágrima caiu do céu.

ADVENTO

Tempo de refletir e esperar

Ah como é bom esse tempo

O tempo do advento

esperando a estrela brilhar 


fazer planos, criar metar e gestar

no fundo d'alma e sozinho 

uma nova vida um  novo caminho

para o ano que vai começar


onde tudo se faz novo 

a esperança no meio do povo 

a  soprar novos e bons ventos 


E então tudo vai ser diferente

A vida mais leve e contente

é assim o tempo do advento




 

terça-feira, 23 de novembro de 2021

UM DESPERTAR

É belo o doce despertar

e o raiar de mais um dia

uma nova esperança está no ar

com misto de tristeza e alegria


um bocejo, um espreguiçar

ficar na cama bem que queria

mas a vida exige um acordar

apesar da preguiça arredia


Sair, fazer a vida acontecer

buscar planos e metas

cuidar bem do viver


sonhos no chão refazer

a luta constante e concreta

novo dia,  realização e prazer.



 

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

UNGUENTO

O bichinho da tristeza fura

Corroi tudo  lá por dentro 

Numa sensação ruim  que dura

por bem mais que um momento


Então se começa uma procura

por soluções mágicas  e unguentos

A eterna busca de uma cura

aumenta ainda mais os tormentos


pode ser um eficiente remédio

abraçar o sentimento em questão

É este o perfeito intermédio


viver a sua emoção

ansiedades, tristeza , tédio...

fugir não é a  solução



quinta-feira, 18 de novembro de 2021

CONTAR AS ESTRELAS

 Mário encontrou sua amiga de muitos anos. Colega da faculdade. Uma pessoa muito especial em sua vida. Por ela já alimentou um grande amor, com ela já riu, já chorou, já falou de coisas bem Íntimas, já desabafou. Aquela pessoa era muito especial para ele.

Agora parecia uma desconhecida, embora tenha sentido uma grande alegria no reencontro não conseguia vê-la com aquela intimidade nem em torno dela girava aquela aura de fantasia e de confiança.

Quem sabe talvez o tempo apague os mitos  sobre as pessoas e elas passem a ser apenas pessoas, o tempo fez murchar e cair ao chão a imagem colorida que fazia de sua amiga.

Então uma grande tristeza tomou conta dele. Pensou que aquela pessoa não existe mais,  o tempo a transformou em outro ser.

É a ilusão de juntar de novo a turma de outros tempos. Não funciona.  Aquele tempo bom não volta mais. E mesmo que os reencontros aconteçam e que se tente reavivar aqueles bons momentos  a impressão é outra, o tempo é outro. Ninguém é mais o mesmo. 

Manter unida a turma nunca mais. Cada um está fazendo sua vida sua historia em lugares diferentes. Não somos mais os mesmos e nem representamos na cabeça das pessoas o que representávamos naquela época.

Lamentável, triste e até desolador, mas é a realidade.

Despediu-se da amiga, estava contente por revê-la, mas ao mesmo tempo triste. 

Sabia  que seria quase impossível vê-la novamente.

Foi-se embora levando a desilusão e na cabeça uma frase que estava escrita no seu convite de formatura, naquele dia  do fim de um maravilhoso ciclo. O dia que determinou  este distanciamento e programou para muitos anos além,  esta angústia  que sentia agora. O dia dos paradoxos, alegre e triste, de comemoração e despedida. Era uma frase do Gonzaguinha. Recitou-a em voz alta sem se preocupar que as pessoas à sua volta  pudessem ourir, enquanto enxugada uma lágrima:

“Um dia nos encontraremos e contaremos as estrelas para ver qual ainda brilha e qual se apagou”


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