quarta-feira, 29 de junho de 2022

TUM

 Tum  e tum

Tá e tum

Baixo e alto

Desce e sobe

método infalível

expurga e orna

à verdade torna 

Tum tum

Tudo azul

Na cabeça no peito

Novo jeito

Norte e sul

Tum e tum

Rio dos curiosos

kkkk

Hahahaha

O que será?

 

terça-feira, 28 de junho de 2022

RUÍDOS

 A vida tem ruídos

vozes asperas

agudas ou graves

atuantes demais

cortam os ares

tiram a paz

e o sossego záz...

prolixos decibeis

irritam da cabeça aos pés. 

sons... sons... sons...

irritates ruidos

dificeis de suportar 

desesperadores sons

giz se arrastanto na lousa 

violão desafinado 

 agulha de vitrola  suja

bagaço de cana rangindo no dente 

isopor na parede

rádio em mal sintonia

desesperadoras

insuportáveis cacofonias 

A eles sou nada propenso

inimigos do silêncio

ruidos...

segunda-feira, 27 de junho de 2022

PESO E PLANO

 Não quero os pesos

Não quero os estorvos

Somente a manhã radiosa

Que se apresenta linda

E transformadora

O sabor da fruta já provada

Aprovada, sentida, amada

Por que será que seu sabor se ausenta?

Que o fel o substituiu

Que tudo rui

Por que piso  em buracos

Se a estrada já foi e pode ser

 Bela, amena, plana?

sexta-feira, 24 de junho de 2022

FliPitangui

 Nos dias 04 e 05 de novembro de 2022 teremos a realização da FliPitangui (feira do Livro de Pitangui MG) que acontecerá no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pitangui. Exposição e vendas de livros, palestras, debates.  Encontro de escritores, leitores e amigos. Um momento de exaltação à  cultura e ao valor da leitura . Venha participar da nossa feira.

Maiores informações pelo tel. (37) 3271 4110 com Múcio

 

Flipitangui

Feira

Do

Livro

Por

aqui

sexta-feira, 10 de junho de 2022

PENSANDO PELAS RUAS

Às vezes andando pelas ruas de Pitangui (MG) e ando muito por elas,  fico imaginando como seria se todo o patrimônio histórico tivesse sido preservado. Como seria bonito tudo isso por aqui! Os prédios conservados, pintados, pequenos postes de iluminação público colocados nas paredes das casas, com luzes amarelas que lembram velas e lampiões, as ruas calçadas com aquelas pedras grandes, aquelas quadradas, não sei bem o nome, que são boas de transitar, não tanto quanto o asfalto, mas são boas. Assim como a gente vê em cidades como São João Del Rei, Ouro Preto e outras histórias.

Fui a Ouro Preto em um dia comum e alguém de lá me disse: -você precisa vir aqui na época do carnaval é uma loucura. Em Diamantina me falaram sobre a tal Vesperata que é um grande espetáculo e gera muito movimento. A mais tranquila que conheci, mas não menos fascinante foi Congonhas com seus profetas e seus morros. Também promove grandes eventos.  

E a preservação do que é histórico traz o turista   o turista então gera um lucro absurdo. Quando andava pelas ruelas de Tiradentes tive a impressão que estava seguindo uma procissão devido ao grande número de pessoas pelas ruas. Ouvi alguém falar numa língua estranha ao meu lado e demorei a perceber que era alemão. Vi restaurantes especializados em comida italiana, japonesa, francesa e outras. À noite entrei num pequeno auditório e lá alguém fazia um belíssimo recital de piano. Meu Deus! Pensei. É só uma cidadezinha do interior de Minas.  Vários museus, em todos se paga para entrar. E fiquei imaginando a renda dessa cidade, os impostos e o quanto dinheiro o turismo não gera por ali.

Isso tudo poderia ser nosso.

O ideal seria que houvesse duas cidades aqui, um centro histórico preservado onde você pudesse andar e sentir-se como se estivesse em outra época. O que aconteceu comigo quando entrei uma vez no centro histórico de são João Del rei. Fui envolvido por um clima de beleza, charme e elegância. Algo difícil de explicar. Fascinante a sensação que se tem. Parece que aquela arquitetura abraça você e o conduz para outro tempo. Existia uma poesia no ar. Até imaginei que fazia parte de uma daquelas antigas novelas das seis, cheias de acontecimentos frenéticos, uma trama de prender a atenção. Desculpem, a imaginação às vezes toma conta, voltemos ao assunto: Por outro lado poderia existir uma cidade moderna com todo o fascínio do progresso em outros barros. Chapadão, Santo Antônio poderiam ter construções mais verticais, um clima de cidade grande.

Quem dera tivéssemos por aqui, shopping center, cinema, teatro... Ninguém precisasse sair da cidade para fazer consultas médicas especializadas. Enfim oferecesse bem mais aos pitanguienses.

Do chapadão ao velho da taipa poderia existir um centro industrial, quem sabe talvez com alguma especialidade, assim como Nova Serrana  é a terra do calçado, Pitangui poderia ser a terra de alguma coisa, ter alguma atividade que alavancasse a economia.

Cidades modernas são belas, cidades histórias também, o progresso é maravilhoso e a preservação do patrimônio é algo louvável. Assim como São Joao Del rei Pitangui poderia ter os dois lados.

Mas ficamos no meio do caminho, nem preservamos, nem fomos em direção à modernidade.

Daí eu volto para casa e fico pensando que são apenas divagações feitas pelas ruas. Sonhos apenas, mas imaginar faz bem e acima de tudo amo Pitangui, gosto desse lugar, gosto das pessoas, acho bonito o que ainda sobrou do nosso patrimônio. Temos muitas cosias boas por aqui.  Acredito que evolui devagar, mas acima de tudo é um lugar bom para se viver.

Parabéns Pitangui pelos 307 anos.

Múcio Ataide.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

DIA RAIZ

 O dia surge bonito

Mais uma oportunidade

De traçarmos nosso caminho

Na fé na luz na verdade.

Novo dia novo compromisso

Dos frutos do amanhã

O novo dia é a raiz

Tudo depende da gente

E não da sorte somente

Para crescer e ser feliz.    

segunda-feira, 6 de junho de 2022

SERENANTE

Madrugada, fria

Escura, serenante

Madrugada da saudade

De amores e amantes

Madrugada de outros tempos

De acordes e serenatas

De tantas coisas perdidas

Pela vida engolidas

Dama triste, cruel, ingrata.

segunda-feira, 30 de maio de 2022

BARCO DA ILUSÃO

 O olhar triste  guarda segredos

Que contrasta  com a face calma

Lá por dentro profusão de pensamentos

Como  ondas revoltas nos mares da alma  

Por eles também  está a navegar

O barco indeciso da ilusão

Lutando com a cruel procela

Na batalha que rasga suas velas

Na tempestade intensa  da solidão

 

 

sábado, 28 de maio de 2022

TARDE SE VAI

 A tarde bela se vai

A noite  cai lentamente

O crespúsculo ja coloriu o céu 

Num movimento calmo e silente

Amarelo, vermelho, rajas de tristeza

Sol em dolente   e deslumbrante despedida

Hora dos temores, desesperanças

Languidez ,poesia,  flashes, lembranças 

Beleza triste pintando  a tarde e a vida.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

REFÉM

 tempestade de areia

uivos horrendos ao longe

um grito de socorro

e quem é que responde?

tão só num deserto

aridez, dureza e  cactos 

o temor pede passagem

sem direito a miragem

refem dos medoe e fatos

sexta-feira, 20 de maio de 2022

ANJO SEM ASA


O mendigo viu o cobertor cair sobre si. Quentinho e gostoso!

Quando virou-se viu  um vulto se afastando. Foi muito rápido.

Seria um anjo? Quem o cobrira com aquela manta tão gostosa?

Enrolou-se na manta, sentindo a gostosura do aquecimento e relaxando o corpo.

Ainda na memória o anjo que se afastava, como um  espectro de luz, vindo do céu e deixando cair  sobre seu corpo o amor  disfraçado de tecido. 

Começou a chorar de tanta felicidade! 

Alguem se preocupava afinal.

Depois dormiu mais quente e mais feliz. 

Foi mesmo um anjo, um anjo sem asas, mas em compensação com um enorme coração e uma conta a mais para pagar numa loja de enxovais.

*** 

DOAR

Tempo do frio

Tempo de doar

Manta, coberta

Tudo o que há

Que se possa vestir

Que se possa aquecer

Pense:  E se

Quem passa frio por aí

Fosse você?

  

terça-feira, 17 de maio de 2022

SÉPIA

Adoro esse tom sépia

Tonalidades das sensações

Amarelo das tardes morenas

Reduto mágico das ilusões

Viagem por diversos mundos

Imagens, movimento, comparações...doce lida

Tesouro sépia encantado

Caminhos, sentimentos alados

Livro vida.  

sexta-feira, 13 de maio de 2022

 

A GATA PRETA

 

Hoje é o dia, a sexta-feira 13.

Cheio de dúvidas eu pergunto será

Que hoje é mesmo dia nefasto e sombrio

Das coisas ruins, da desgraça e do azar?

Dia das bruxas e lobisomens

De todo tipo de encrenca e treta

Mas para me dar sorte de verdade

O que eu queria mesmo na realidade

Ter para mim uma linda gata preta.

terça-feira, 12 de abril de 2022

SERPENTEANDO

 A fé queima em luzes vivas vindas das velas e dos corações. A fé se dobra nas esquinas, sobe e desce as ladeiras, se espalha pelas praças e vai aglutinando, agrupando, fazendo uma espécie de osmose com as pessoas. Todas na mesma massa.  Elas vão se juntando e crescendo o grande cordão. Como uma serpente se esgueirando nos grandes paralelepípedos exalando o cheiro forte do incenso e se movendo lentamente como se  enfeitiçada  ao som dos sinos e da mais pura tradição. 

A procissão na pequena cidade do interior, da minha cidade,  vai levando junto em seu trajeto toneladas de tradições e de sentimentos. Os casarões históricos com suas janelas ornadas por panos, velas e imagens sagradas são pequenos altares onde fieis de mãos postas  acolhem e se irmanam ao silencio piedoso do cortejo embalados pelas rezas e pelas  tristes canções cantadas por séculos. Melodias de muito além, de outras gerações e que trazem em suas notas o choro, o drama, as dores  e as mais diversas indagações. Tem tanta história em tudo isso que até me perco.

Fico pensando quantas vezes pisei nas pedras grandes dos paralelepípedos (hoje asfalto) da minha pequena Pitangui, enquanto ouvia aquela música: os anjos todos os anjos... Repeti as rezas...   Muito refleti no sermão da quarta feira do encontro... Senti pena do pobre senhor dos passos com aquela pesada cruz nas costas... Imaginei as dores de Maria com as  lanças que transpassavam o coração...  Também me lembro do quanto me  contrai  em tristeza vendo o senhor morto no esquife embalado pela marcha fúnebre da banda José Viriato  após o triste e dramático sermão do descendimento.

Os padres com as batinas em cores tristes  trazem o clima da mortificação, dos sacrifícios e dos pesares pelas faltas e pecados. O medo do inferno difundido por séculos e um pouco esquecido nos últimos anos,  parece ressurgir como algo escondido que se do nada se revela. Uma aura de culpa e contrição se espalha a partir da fumaça e do cheiro das velas e se e espalha pelos cantos da cidade impregnando em tudo uma poesia sutil e  uma beleza triste.

E a procissão vai rompendo, tal qual uma serpente, se esgueirando,  visitando as ruas...  nossa cidade do dia a dia, a cidade alegre do sol e do burburinho da semana, agora é quieta, escura e  contrita. Tudo converge para o silêncio, a contenção e os poucos movimentos.

 

Família, antigos amigos, falecidos, oportunidades perdidas, dia a dia, frases não ditas, mágoas do passado renascendo, arrependimentos, o pesar do não volta mais, encontros, outros tempos, tradição. Tudo misturado num cortejo existencial, que vai também serpenteando dentro de mim com velas acesas, incensos medos e indagações. A procissão vai muito além dessas ruas...

E sigo o cortejo rezando num grande rosário de saudade e de pensamentos. Ah quantas contas tem, Quantas contas!

segunda-feira, 28 de março de 2022

O PINTOR

   



Esse pintor é dos bons!

Que tão bela tela tece

Que ressalta ou esmaece

As cores em vários tons

 

No pincel tem bem destreza

E rajas vermelhas amarelas

Saem de sua aquarela

Essas pinceladas! Que beleza!

 

Vendo algo tão  belo e bom

De minha  interjeição  vem o som

Envolto em êxtase e torpor.

 

Dessa tela gigante tão bonita!

Essa coisa inexplicável, Infinita!

Quem é  o pintor?

 

quarta-feira, 23 de março de 2022

PORTA ABERTA

 A verdade aparece

As tramoias são descobertas

Os esquemas e segredos

Fogem pela porta aberta

Basta esperar um pouco

“Convicção” deve-se ter

Que as injustiças são revistas

O mal vem ao alcança da vista

Punição... doa a quem doer.  

DA SÉRIE PEDAÇOS DE VIDA - A REZA E A FESTA

 Eu seguia pela longa avenida. Estava animado porque estava indo  para a festa. A cidade era luz MG. Uma bela cidade do nosso interior mineiro.

A velha historia de sonhar com momentos bons  e fazer o sonho acontecer. Planejar a viagem, me arrumar, colocar a esperança na mochila e seguir pela estrada.  E no trajeto descobrir mil coisas boas: O hotel e o sempre delicioso café da manhã, conhecer a cidade suas ruas, praças, monumentos,  igrejaqs, seus cantos e encantos, os restaurantes com seus também  deliciosos pratos, parada gostosa entre uma caminhada e outra, as tardes de reflexões e planos, as  lanchonetes e bares onde se prova os sabores do lugar.    As promessas de diversão e aventura que povoam a mente. E a noite com seus mistériose suas luzes. Um conjunto de prazeres que incluía aquela caminhada solitária rumo à festa.  Algumas realizações planejadas com esmero já  haviam acontecido e outras ainda viriam. Dali a pouco a alegria da festa, as pessoas bem traiadas, como se costuma dizer, andando para lá e para cá, os sabores e cheiros, o perigo pulando na arena, as luzes do palco e muitas, muitas coisas boas mais. Alegrias, muitas  alegria! Prazeres e promessas de prazeres.

Muitos carros passavam e  pedestres também, todos animados para a festa de peão. O rodeio, os shows as novidades geravam um  clima de alegria que invadia a cidade e trazia de longe muitos  visitantes que vinham com o ânimo na mochila e a vontade de curtir a vida e aproveitar  tudinho. E eu era um deles.

Enquanto andava olhei para traz e vi um espectro de luz que parecia pairar no ar da cidade. Um pequeno pedaço do céu na terra. A imponente catedral. Toda iluminado por luzes verdes parecia boiar no ar. Lembrando a fé, os preceitos religiosos, a grandiosidade dos templos e dos poderes.  A imagem despertava em mim um quê de culpa, uma sensação de pequenez e de nada saber sobre os mistérios da eternidade. Linda, estupendamente linda! Estive ali mais cedo, na hora em que a decência reina, na fisionomia contida das pessoas, no recato dos poucos movimentos, na hora da missa. Mas aquela hora já passou, agora é hora da festa, dos movimentos não contidos, de rasgar um pouco o recato. De romper algumas barreiras.

O enorme edifício lá estava, e todos aqueles que participaram da celebração agora dormiam ou estavam assim como eu indo para a festa. Era  o outro lado da vida, primeiro o contido, o comportado, o religioso, agora o profano, o aventureiro.

E o movimento continuava. Carros e pessoas,  um zumzum que aumentava ao chegar perto do parque de exposições.  Passavam todos agitados, gritando, cantando, ouvindo alto as músicas pelos toca fitas dos carros. Um motel no caminho era a parada de alguns deles. Música, festa, bebidas sexo, cada um com sua ilusão. Todos esperam alguma coisa de um sábado à noite, como dizia aquela velha canção.

Eu andava e de vez em quando olhava para traz.

 

 

Não conseguia deixar de olhar para as luzes verdes muitos   brilhantes que  fazeiam destacar aquele tesouro arquitetônico,  sobre todas as outras construções da cidade. Aquela imagem parecia unir dois mundos. De um lado a alegria, a festa e a aventura, a vontade louca de abraçar a vida e usufrui de todas as suas possiblidades rompendo todas as barreiras. Uma postura que fecha os olhos da consciência para o lado sombrio do existir, para o fim, para a decadência e para as verdades escondidas e amarradas Lá no fundo do âmago. Do outro, a ideia ruim que escapa e vem incomodar. Essa festa acaba, essa alegria acaba, tudo tem um fim. Tudo é ilusão. Fumaça que se perde no ar.

A construção iluminada imponente,  com todas as suas torres apontando para o céu escancarou-me os extremos da existência. As forças paradoxais que coexistem e são ambas verdadeiras. Lados opostos do existir

Fui andando e olhando para aquele espectro na noite

Depois da festa, voltando pelo mesmo caminho, ela ainda estava lá, mais uma vez me mostrando no silencio da madrugada, depois da reza e da festa, que a vida continuava e o eterno rosário repleto de contas do bem e do mal, seria ainda rezado por mim em muitas outras ocasiões.

Dois mundos distantes e ao mesmo tempo tão proximos. Quem sabe até um necessite do outro para existir. 

A noite seguia seu curso...

Enquanto me foi possível olhei para aquela igreja. Grande, iluminada, imponente e reveladora. Espectro de luz e de verdades que pairava ao longe, como que  boiando no ar,  na beleza triste e silente da madrugada.

terça-feira, 22 de março de 2022

POSSESSÃO

 O escritor  começava a escrever e uma magia acontecia. Ele se sentia protegido por algo superior e não conseguia entender por que do nada a inspirações surgiam. Falava consigo mesmo: - Hoje não tem jeito, hoje não vem nada. Nenhuma ideia pode romper essa barreira. Mas quando começava a escrita a magia acontecia, as ideias se organizavam, a história fluía liquida e quente com começo meio e fim, tudo surpreendente.  

Então a poesia pousava no texto como uma bela borboleta multicolorida pousa numa flor. Depois voa pelos campos livres para espalhar a beleza de suas cores e a graciosidade de seus movimentos.

E escrever tornava-se um mergulho mágico no mar ora calmo, ora tempestuoso das letras com sua fantástica flora, seus encantos e belezas.

E um novo mundo se fazia... Mundo de mil aventuras e possiblidades.

 Como se  uma enorme nuvem descesse sobre sua cabeça e ditasse as frases.

 E as teias da trama eram tecidas como as perfeitas teias de uma aranha. Tudo entrelaçado, tudo no seu lugar, os encaixes perfeitos. Fios de enredos, traçados de acontecimentos, nós de personagens. Uma grande teia se formava para prender os leitores. Feito moscas eles eram enredados na teia e não conseguiam se libertar dela.  Caiu na teia mágica das letras, de lá não se pode mais sair.

Era um ser mágico que se apoderava de si e punha as coisas no lugar. Bastava começar para tudo se ajeitar.  

Nuvens, borboletas, flora marinha, teia... Não! Nada! Nenhuma metáfora poderia definir  aquela maravilhosa possessão.

segunda-feira, 21 de março de 2022

BAILADO NA TARDE.

 A jovem Maria, bela e   sonhadora olhava a rua no fim da tarde. E olhava também para o horizonte. Na pequena cidade era possível contemplar os montes distantes. Ainda não havia a selva de pedras que barra essa visão em muitas  outras cidades.

Ela olhava o horizonte que acolhia a escuridão da tardinha. Com rajas vermelho amareladas apresentava um espetáculo de rara beleza.

O sol já partira e a escuridão ia aos poucos comendo o céu  e espalhando sombras. Era a hora indecisa entre a noite e o dia, a tristeza e a alegria. Entre o bom e o ruim.

Um sino tocava, uma melodia voava pelos céus em notas tristes, vinda da matriz que ficava ali bem pertinho.  A oração da Ave Maria penetrava no fundo da alma e de lá extraia mil tesouros do sentir. Vasculhava o amago do ser e fazia dor pra valer.

A tarde era triste e bela, fazia promessas e cobrava também. A beleza podia até apagar a dor, mas essa se escondia em cada sombra.

Os sentimentos eram confusos e se alternavam.

Indagações e delírios pairavam no ar.  

Tardinha de sábado na janela entre a luz e a escuridão, entre a esperança e o desespero.

A noite prometia surpresas e logo as coisas iam se ajeitar, mas naquele momento tudo era confuso e os sentimentos do bem e do mal, muito intensos.

Talvez por  um delírio, pela alucinação de  seus sentimentos Maria viu dois seres abraçados, voando pela rua. Dois espectros esfumaçados. Delírio advindo do seu estado de torpor emocional? Ou os seres do mundo dos mistérios que acordavam para rondara pela noite como sempre fazem? Não sabia responder, mas poderia definir como a dança  elegante entre a tristeza e a alegria. Os dois seres dos extremos que  bailavam  bonito pelas ruas da cidade naquela hora do lusco-fusco,  no paradoxo daquela tarde.  

quarta-feira, 16 de março de 2022

CALMA

 Muito movimento

Grande agitação

Me Funde a cuca

E só Traz confusão

Eu Quero a  calma

Paz e tranquilidade

Isso sim é prazer

Sem atropelar sem correr

É viver de verdade

Site oficial  Neste site,  um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para  brindar a vida e descobrir se...