Tum e tum
Tá e tum
Baixo e alto
Desce e sobe
método infalível
expurga e orna
à verdade torna
Tum tum
Tudo azul
Na cabeça no peito
Novo jeito
Norte e sul
Tum e tum
Rio dos curiosos
kkkk
Hahahaha
O que será?
Tum e tum
Tá e tum
Baixo e alto
Desce e sobe
método infalível
expurga e orna
à verdade torna
Tum tum
Tudo azul
Na cabeça no peito
Novo jeito
Norte e sul
Tum e tum
Rio dos curiosos
kkkk
Hahahaha
O que será?
A vida tem ruídos
vozes asperas
agudas ou graves
atuantes demais
cortam os ares
tiram a paz
e o sossego záz...
prolixos decibeis
irritam da cabeça aos pés.
sons... sons... sons...
irritates ruidos
dificeis de suportar
desesperadores sons
giz se arrastanto na lousa
violão desafinado
agulha de vitrola suja
bagaço de cana rangindo no dente
isopor na parede
rádio em mal sintonia
desesperadoras
insuportáveis cacofonias
A eles sou nada propenso
inimigos do silêncio
ruidos...
Não quero os pesos
Não quero os estorvos
Somente a manhã radiosa
Que se apresenta linda
E transformadora
O sabor da fruta já provada
Aprovada, sentida, amada
Por que será que seu sabor se ausenta?
Que o fel o substituiu
Que tudo rui
Por que piso em buracos
Se a estrada já foi e pode ser
Bela, amena, plana?
Nos dias 04 e 05 de novembro de 2022 teremos a realização da FliPitangui (feira do Livro de Pitangui MG) que acontecerá no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pitangui. Exposição e vendas de livros, palestras, debates. Encontro de escritores, leitores e amigos. Um momento de exaltação à cultura e ao valor da leitura . Venha participar da nossa feira.
Maiores informações
pelo tel. (37) 3271 4110 com Múcio
Flipitangui
Feira
Do
Livro
Por
aqui
Às vezes andando pelas ruas de Pitangui (MG) e ando muito por elas, fico imaginando como seria se todo o patrimônio histórico tivesse sido preservado. Como seria bonito tudo isso por aqui! Os prédios conservados, pintados, pequenos postes de iluminação público colocados nas paredes das casas, com luzes amarelas que lembram velas e lampiões, as ruas calçadas com aquelas pedras grandes, aquelas quadradas, não sei bem o nome, que são boas de transitar, não tanto quanto o asfalto, mas são boas. Assim como a gente vê em cidades como São João Del Rei, Ouro Preto e outras histórias.
Fui a Ouro Preto em um dia comum
e alguém de lá me disse: -você precisa vir aqui na época do carnaval é uma
loucura. Em Diamantina me falaram sobre a tal Vesperata que é um grande espetáculo
e gera muito movimento. A mais tranquila que conheci, mas não menos fascinante
foi Congonhas com seus profetas e seus morros. Também promove grandes eventos.
E a preservação do que é histórico
traz o turista o turista então gera um lucro absurdo. Quando
andava pelas ruelas de Tiradentes tive a impressão que estava seguindo uma
procissão devido ao grande número de pessoas pelas ruas. Ouvi alguém falar numa
língua estranha ao meu lado e demorei a perceber que era alemão. Vi
restaurantes especializados em comida italiana, japonesa, francesa e outras. À
noite entrei num pequeno auditório e lá alguém fazia um belíssimo recital de
piano. Meu Deus! Pensei. É só uma cidadezinha do interior de Minas. Vários museus, em todos se paga para entrar. E
fiquei imaginando a renda dessa cidade, os impostos e o quanto dinheiro o
turismo não gera por ali.
Isso tudo poderia ser nosso.
O ideal seria que houvesse duas
cidades aqui, um centro histórico preservado onde você pudesse andar e
sentir-se como se estivesse em outra época. O que aconteceu comigo quando
entrei uma vez no centro histórico de são João Del rei. Fui envolvido por um
clima de beleza, charme e elegância. Algo difícil de explicar. Fascinante a
sensação que se tem. Parece que aquela arquitetura abraça você e o conduz para outro
tempo. Existia uma poesia no ar. Até imaginei que fazia parte de uma daquelas
antigas novelas das seis, cheias de acontecimentos frenéticos, uma trama de
prender a atenção. Desculpem, a imaginação às vezes toma conta, voltemos ao
assunto: Por outro lado poderia existir uma cidade moderna com todo o fascínio
do progresso em outros barros. Chapadão, Santo Antônio poderiam ter construções
mais verticais, um clima de cidade grande.
Quem dera tivéssemos por aqui,
shopping center, cinema, teatro... Ninguém precisasse sair da cidade para fazer
consultas médicas especializadas. Enfim oferecesse bem mais aos pitanguienses.
Do chapadão ao velho da taipa
poderia existir um centro industrial, quem sabe talvez com alguma especialidade,
assim como Nova Serrana é a terra do
calçado, Pitangui poderia ser a terra de alguma coisa, ter alguma atividade que
alavancasse a economia.
Cidades modernas são belas,
cidades histórias também, o progresso é maravilhoso e a preservação do patrimônio
é algo louvável. Assim como São Joao Del rei Pitangui poderia ter os dois
lados.
Mas ficamos no meio do caminho,
nem preservamos, nem fomos em direção à modernidade.
Daí eu volto para casa e fico
pensando que são apenas divagações feitas pelas ruas. Sonhos apenas, mas
imaginar faz bem e acima de tudo amo Pitangui, gosto desse lugar, gosto das
pessoas, acho bonito o que ainda sobrou do nosso patrimônio. Temos muitas
cosias boas por aqui. Acredito que evolui
devagar, mas acima de tudo é um lugar bom para se viver.
Parabéns Pitangui pelos 307 anos.
Múcio Ataide.
O dia surge bonito
Mais uma oportunidade
De traçarmos nosso caminho
Na fé na luz na verdade.
Novo dia novo compromisso
Dos frutos do amanhã
O novo dia é a raiz
Tudo depende da gente
E não da sorte somente
Para crescer e ser feliz.
Madrugada, fria
Escura, serenante
Madrugada da saudade
De amores e amantes
Madrugada de outros tempos
De acordes e serenatas
De tantas coisas perdidas
Pela vida engolidas
Dama triste, cruel, ingrata.
O olhar triste guarda segredos
Que contrasta com a
face calma
Lá por dentro profusão de pensamentos
Como ondas revoltas
nos mares da alma
Por eles também está a navegar
O barco indeciso da ilusão
Lutando com a cruel procela
Na batalha que rasga suas velas
Na tempestade intensa da solidão
A tarde bela se vai
A noite cai lentamente
O crespúsculo ja coloriu o céu
Num movimento calmo e silente
Amarelo, vermelho, rajas de tristeza
Sol em dolente e deslumbrante despedida
Hora dos temores, desesperanças
Languidez ,poesia, flashes, lembranças
Beleza triste pintando a tarde e a vida.
tempestade de areia
uivos horrendos ao longe
um grito de socorro
e quem é que responde?
tão só num deserto
aridez, dureza e cactos
o temor pede passagem
sem direito a miragem
refem dos medoe e fatos
ANJO SEM ASA
O mendigo viu o cobertor cair sobre si. Quentinho e gostoso!
Quando virou-se viu um
vulto se afastando. Foi muito rápido.
Seria um anjo? Quem o cobrira com aquela manta tão gostosa?
Enrolou-se na manta, sentindo a gostosura do aquecimento e relaxando o corpo.
Ainda na memória o anjo que se afastava, como um espectro de luz, vindo do céu e deixando cair sobre seu corpo o amor disfraçado de tecido.
Começou a chorar de tanta felicidade!
Alguem se preocupava afinal.
Depois dormiu mais quente e mais feliz.
Foi mesmo um anjo, um anjo sem asas, mas em compensação com um enorme coração e uma conta a mais para pagar numa loja de enxovais.
***
DOAR
Tempo do frio
Tempo de doar
Manta, coberta
Tudo o que há
Que se possa vestir
Que se possa aquecer
Pense: E se
Quem passa frio por aí
Fosse você?
Adoro esse tom sépia
Tonalidades das sensações
Amarelo das tardes morenas
Reduto mágico das ilusões
Viagem por diversos mundos
Imagens, movimento, comparações...doce lida
Tesouro sépia encantado
Caminhos, sentimentos alados
Livro vida.
A GATA PRETA
Hoje é o dia, a sexta-feira 13.
Cheio de dúvidas eu pergunto será
Que hoje é mesmo dia nefasto e sombrio
Das coisas ruins, da desgraça e do azar?
Dia das bruxas e lobisomens
De todo tipo de encrenca e treta
Mas para me dar sorte de verdade
O que eu queria mesmo na realidade
Ter para mim uma linda gata preta.
A fé queima em luzes vivas vindas das velas e dos corações. A fé se dobra nas esquinas, sobe e desce as ladeiras, se espalha pelas praças e vai aglutinando, agrupando, fazendo uma espécie de osmose com as pessoas. Todas na mesma massa. Elas vão se juntando e crescendo o grande cordão. Como uma serpente se esgueirando nos grandes paralelepípedos exalando o cheiro forte do incenso e se movendo lentamente como se enfeitiçada ao som dos sinos e da mais pura tradição.
A procissão na pequena cidade do
interior, da minha cidade, vai levando
junto em seu trajeto toneladas de tradições e de sentimentos. Os casarões
históricos com suas janelas ornadas por panos, velas e imagens sagradas são
pequenos altares onde fieis de mãos postas
acolhem e se irmanam ao silencio piedoso do cortejo embalados pelas
rezas e pelas tristes canções cantadas
por séculos. Melodias de muito além, de outras gerações e que trazem em suas
notas o choro, o drama, as dores e as
mais diversas indagações. Tem tanta história em tudo isso que até me perco.
Fico pensando quantas vezes pisei
nas pedras grandes dos paralelepípedos (hoje asfalto) da minha pequena
Pitangui, enquanto ouvia aquela música: os anjos todos os anjos... Repeti as
rezas... Muito refleti no sermão da
quarta feira do encontro... Senti pena do pobre senhor dos passos com aquela
pesada cruz nas costas... Imaginei as dores de Maria com as lanças que transpassavam o coração... Também me lembro do quanto me contrai
em tristeza vendo o senhor morto no esquife embalado pela marcha fúnebre
da banda José Viriato após o triste e dramático
sermão do descendimento.
Os padres com as batinas em cores
tristes trazem o clima da mortificação,
dos sacrifícios e dos pesares pelas faltas e pecados. O medo do inferno
difundido por séculos e um pouco esquecido nos últimos anos, parece ressurgir como algo escondido que se do
nada se revela. Uma aura de culpa e contrição se espalha a partir da fumaça e
do cheiro das velas e se e espalha pelos cantos da cidade impregnando em tudo uma
poesia sutil e uma beleza triste.
E a procissão vai rompendo, tal
qual uma serpente, se esgueirando, visitando as ruas... nossa cidade do dia a dia, a cidade alegre do
sol e do burburinho da semana, agora é quieta, escura e contrita. Tudo converge para o silêncio, a
contenção e os poucos movimentos.
Família,
antigos amigos, falecidos, oportunidades perdidas, dia a dia, frases não ditas,
mágoas do passado renascendo, arrependimentos, o pesar do não volta mais, encontros,
outros tempos, tradição. Tudo misturado num cortejo existencial, que vai também
serpenteando dentro de mim com velas acesas, incensos medos e indagações. A
procissão vai muito além dessas ruas...
E sigo o cortejo rezando num
grande rosário de saudade e de pensamentos. Ah quantas contas tem, Quantas
contas!
Esse pintor é dos bons!
Que tão bela tela tece
Que ressalta ou esmaece
As cores em vários tons
No pincel tem bem destreza
E rajas vermelhas amarelas
Saem de sua aquarela
Essas pinceladas! Que beleza!
Vendo algo tão belo e bom
De minha interjeição vem o som
Envolto em êxtase e torpor.
Dessa tela gigante tão bonita!
Essa coisa inexplicável, Infinita!
Quem é o pintor?
A verdade aparece
As tramoias são descobertas
Os esquemas e segredos
Fogem pela porta aberta
Basta esperar um pouco
“Convicção” deve-se ter
Que as injustiças são revistas
O mal vem ao alcança da vista
Punição... doa a quem doer.
Eu seguia pela longa avenida. Estava animado porque estava indo para a festa. A cidade era luz MG. Uma bela cidade do nosso interior mineiro.
A velha historia de sonhar com
momentos bons e fazer o sonho acontecer.
Planejar a viagem, me arrumar, colocar a esperança na mochila e seguir pela
estrada. E no trajeto descobrir mil
coisas boas: O hotel e o sempre delicioso café da manhã, conhecer a cidade suas ruas, praças, monumentos, igrejaqs, seus cantos e encantos, os
restaurantes com seus também deliciosos
pratos, parada gostosa entre uma caminhada e outra, as tardes de reflexões e
planos, as lanchonetes e bares onde se
prova os sabores do lugar. As promessas
de diversão e aventura que povoam a mente. E a noite com seus mistériose suas luzes. Um
conjunto de prazeres que incluía aquela caminhada solitária rumo à festa. Algumas realizações planejadas com esmero já haviam acontecido e outras ainda viriam. Dali a
pouco a alegria da festa, as pessoas bem traiadas, como se costuma dizer,
andando para lá e para cá, os sabores e cheiros, o perigo pulando na arena, as
luzes do palco e muitas, muitas coisas boas mais. Alegrias, muitas alegria! Prazeres e promessas de prazeres.
Muitos carros passavam e pedestres também, todos animados para a festa de peão. O rodeio, os shows as
novidades geravam um clima de alegria
que invadia a cidade e trazia de longe muitos visitantes que vinham com o ânimo na mochila e
a vontade de curtir a vida e aproveitar tudinho.
E eu era um deles.
Enquanto andava olhei para traz e
vi um espectro de luz que parecia pairar no ar da cidade. Um pequeno pedaço do céu
na terra. A imponente catedral. Toda iluminado por luzes verdes parecia boiar
no ar. Lembrando a fé, os preceitos religiosos, a grandiosidade dos templos e
dos poderes. A imagem despertava em mim
um quê de culpa, uma sensação de pequenez e de nada saber sobre os mistérios da
eternidade. Linda, estupendamente linda! Estive ali mais cedo, na hora em que a
decência reina, na fisionomia contida das pessoas, no recato dos poucos
movimentos, na hora da missa. Mas aquela hora já passou, agora é hora da festa,
dos movimentos não contidos, de rasgar um pouco o recato. De romper algumas
barreiras.
O enorme edifício lá estava, e
todos aqueles que participaram da celebração agora dormiam ou estavam assim
como eu indo para a festa. Era o outro
lado da vida, primeiro o contido, o comportado, o religioso, agora o profano, o
aventureiro.
E o movimento continuava. Carros
e pessoas, um zumzum que aumentava ao
chegar perto do parque de exposições. Passavam todos agitados, gritando, cantando,
ouvindo alto as músicas pelos toca fitas dos carros. Um motel no caminho era a
parada de alguns deles. Música, festa, bebidas sexo, cada um com sua ilusão. Todos
esperam alguma coisa de um sábado à noite, como dizia aquela velha canção.
Eu andava e de vez em quando
olhava para traz.
Não conseguia deixar de olhar
para as luzes verdes muitos brilhantes que fazeiam destacar aquele tesouro arquitetônico,
sobre todas as outras construções da
cidade. Aquela imagem parecia unir dois mundos. De um lado a alegria, a festa e
a aventura, a vontade louca de abraçar a vida e usufrui de todas as suas
possiblidades rompendo todas as barreiras. Uma postura que fecha os olhos da consciência
para o lado sombrio do existir, para o fim, para a decadência e para as
verdades escondidas e amarradas Lá no fundo do âmago. Do outro, a ideia ruim
que escapa e vem incomodar. Essa festa acaba, essa alegria acaba, tudo tem um
fim. Tudo é ilusão. Fumaça que se perde no ar.
A construção iluminada imponente,
com todas as suas torres apontando para
o céu escancarou-me os extremos da existência. As forças paradoxais que
coexistem e são ambas verdadeiras. Lados opostos do existir
Fui andando e olhando para aquele
espectro na noite
Depois da festa, voltando pelo
mesmo caminho, ela ainda estava lá, mais uma vez me mostrando no silencio da
madrugada, depois da reza e da festa, que a vida continuava e o eterno rosário repleto
de contas do bem e do mal, seria ainda rezado por mim em muitas outras ocasiões.
Dois mundos distantes e ao mesmo tempo tão proximos. Quem sabe até um necessite do outro para existir.
A noite seguia seu curso...
Enquanto me foi possível olhei
para aquela igreja. Grande, iluminada, imponente e reveladora. Espectro de luz
e de verdades que pairava ao longe, como que
boiando no ar, na beleza triste e
silente da madrugada.
O escritor começava a escrever e uma magia acontecia. Ele se sentia protegido por algo superior e não conseguia entender por que do nada a inspirações surgiam. Falava consigo mesmo: - Hoje não tem jeito, hoje não vem nada. Nenhuma ideia pode romper essa barreira. Mas quando começava a escrita a magia acontecia, as ideias se organizavam, a história fluía liquida e quente com começo meio e fim, tudo surpreendente.
Então a poesia pousava no texto
como uma bela borboleta multicolorida pousa numa flor. Depois voa pelos campos
livres para espalhar a beleza de suas cores e a graciosidade de seus
movimentos.
E escrever tornava-se um mergulho
mágico no mar ora calmo, ora tempestuoso das letras com sua fantástica flora,
seus encantos e belezas.
E um novo mundo se fazia... Mundo
de mil aventuras e possiblidades.
E as teias da trama eram tecidas como as
perfeitas teias de uma aranha. Tudo entrelaçado, tudo no seu lugar, os encaixes
perfeitos. Fios de enredos, traçados de acontecimentos, nós de personagens. Uma
grande teia se formava para prender os leitores. Feito moscas eles eram
enredados na teia e não conseguiam se libertar dela. Caiu na teia mágica das letras, de lá não se
pode mais sair.
Era um ser mágico que se
apoderava de si e punha as coisas no lugar. Bastava começar para tudo se
ajeitar.
Nuvens, borboletas, flora marinha,
teia... Não! Nada! Nenhuma metáfora poderia definir aquela maravilhosa possessão.
A jovem Maria, bela e sonhadora olhava a rua no fim da tarde. E olhava também para o horizonte. Na pequena cidade era possível contemplar os montes distantes. Ainda não havia a selva de pedras que barra essa visão em muitas outras cidades.
Ela olhava o horizonte que acolhia a escuridão da tardinha. Com
rajas vermelho amareladas apresentava um espetáculo de rara beleza.
O sol já partira e a escuridão ia aos poucos comendo o céu e espalhando sombras. Era a hora indecisa
entre a noite e o dia, a tristeza e a alegria. Entre o bom e o ruim.
Um sino tocava, uma melodia voava pelos céus em notas
tristes, vinda da matriz que ficava ali bem pertinho. A oração da Ave Maria penetrava no fundo da
alma e de lá extraia mil tesouros do sentir. Vasculhava o amago do ser e fazia
dor pra valer.
A tarde era triste e bela, fazia promessas e cobrava também.
A beleza podia até apagar a dor, mas essa se escondia em cada sombra.
Os sentimentos eram confusos e se alternavam.
Indagações e delírios pairavam no ar.
Tardinha de sábado na janela entre a luz e a escuridão,
entre a esperança e o desespero.
A noite prometia surpresas e logo as coisas iam se ajeitar,
mas naquele momento tudo era confuso e os sentimentos do bem e do mal, muito
intensos.
Talvez por um delírio,
pela alucinação de seus sentimentos
Maria viu dois seres abraçados, voando pela rua. Dois espectros esfumaçados. Delírio
advindo do seu estado de torpor emocional? Ou os seres do mundo dos mistérios que
acordavam para rondara pela noite como sempre fazem? Não sabia responder, mas
poderia definir como a dança elegante entre
a tristeza e a alegria. Os dois seres dos extremos que bailavam bonito pelas ruas da cidade naquela hora do
lusco-fusco, no paradoxo daquela tarde.
Muito movimento
Grande agitação
Me Funde a cuca
E só Traz confusão
Eu Quero a calma
Paz e tranquilidade
Isso sim é prazer
Sem atropelar sem correr
É viver de verdade
Site oficial Neste site, um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para brindar a vida e descobrir se...