quarta-feira, 30 de novembro de 2022

A MORTE ENSINA

 O que é a morte? Que força é essa que nos joga ao chão? O maior de todos os mistérios? Quem morre vira santo? A morte cria qualidades nas pessoas? Porque exaltamos coisas e acontecimentos que minutos antes do falecimento não tinham a menor importância para nós? Será que  a falsidade que nos rodeia, a exaltação do ego que nos faz aproveitar esse momento para pavonearmo-nos com  belos discursos vazios?  Perguntas... perguntas...

É difícil responder a qualquer pergunta referente à morte. Pois ela, essa abominável senhora da foice é a  mais enigmática de todas as damas. Ela é a personificação do mistério.  A guardadora zelosa dos maiores segredos. Os segredos do lado de lá. Só através do seu abraço conheceremos o lado de lá. E o lado de lá enquanto estamos do lado de cá  existe apenas na nossa imaginação. Ninguém  sabe nada.  Mistério total.  É o motivo de inúmeras  indagações e de uma enorme lista de perguntas  feitas pela humanidade ao longo de toda a sua existência.   Nosso encontro com ela está marcado, sabemos que vai acontecer, mas fugimos de suas garras de todas as formas possíveis. Por isso as perguntas acima como todas as demais relacionadas a essa cruel ceifadora são difíceis de responder, mas vou divagar um pouco sobre isso.  

Não acredito que ninguém vire santo porque faleceu. Não é isso que acontece. Acredito que  a morte da forma mais contraditória possível vem despertar, fazer renascer em nos a vida da alma, morta pelas contingências da vida.  E tal qual um farol nos faz  acordar de um sono letárgico e alienante. Percebemos coisas, descobrimos coisas que pensávamos não saber, mas sabemos. Entendemos a brevidade da existência e salientamos as qualidades daquela pessoa. Qualidades existentes, não criadas.  Ela toca lá no fundo e nos faz lembrar a importância de se dar importância aos momentos simples do dia a dia e a valorizar tudo o que temos. Quem já não vou ouviu em um  velório cochichos e lamentos  sobre  a constatação da pequenez da nossa existência. Por todos os cantos pode-se ouvi  as frases:  –Não valemos nada. Vamos aproveitar o hoje, Valorizar o que temos. E coisas assim...

Recuperamos naquele momento  valores esquecidos e ignorados. Muitas pessoas após perderem um ente querido se voltam para a família. Passam a conviver melhor com os que ficaram e mudam seu comportamento. Outros passam a cuidar mais da saúde. E outros infelizmente não resistem ao choque direto com a efemeridade e desmontam na mais profunda depressão.

Mas a cruel ceifadora é capaz de fazer o tempo voltar.  Como num passe de mágica a dama da foice nos mostra o quanto cada momento foi importante e o quanto gostávamos daquela pessoa. Ela nos toma pela mão e nos leva até aquele festivo almoço de domingo ouvindo  o burburinho, os risos alegres, as brincadeiras. Também nos conduz até  aquelas cenas perdidas na infância com todo o seu encanto. Faz-nos sentir de novo a quentura do colo, a suavidade do carinho, a doçura do beijo, a ternura do olhar. Com um sorriso sarcástico a mulher da foice nos conta que gostávamos muito do cheiro daquela pessoa, do estilo dela, da forma de se vestir, do temperamento, de todas as suas qualidades e até mesmo dos defeitos.  Põe outra vez diante de nós a beleza viva daquele semblante, os movimentos, o jeito único de ser. Ela puxa a cadeira e nos faz sentar na varanda e ouvir de novo aquele timbre único e inigualável de voz. E ouvir aquele bordão de estimação, aquela história contada, esquecida e repetida, repetida... Faz-nos ver  quanto aquele gesto e aquela atitude  eram importantes para nós. E de novo, levados pelas suas mãos esqueléticas  lá estamos naquele aniversário, naquele natal de luz, na festa do ano novo ,no almoço de domingo na  casa da vovó, no passeio à praia...curtindo aquela pessoa e vendo o quanto de vida transbordou sem percebermos.  Conta-nos até que gostávamos sem saber daquele tique nervoso, daquela mania estranha, daquele jeito de falar ou daquelas atitudes. Então tudo era importante?  Faz-nos ver que existia muita vida onde pensávamos existir apenas o dia a dia.

 Não elas não criaram qualidades após a morte, apenas nos lembramos de que elas existiram.  A morte vem nos acordar. É o despertador que nos acorda da nossa letargia, da nossa pequenez diante da importância da vida, dos momentos vividos e da pessoa que se foi. Ela nos mostra caminhos e nos faz ver que apesar de efêmera e pequena (Contradição pura. Paradoxo total.) a vida é grande e deve ser vivida de forma plena com outro olhar, com a valorização de todos os pequenos momentos do existir, com a exaltação do que melhor existe em quem está do nosso lado na caminhada.

 Mas é assim que a coisa funciona. Responder as perguntas sobre ela jamais conseguiremos, fugir do corte afiado de sua foice, de forma alguma, mas viver de verdade enquanto ela não vem podemos tentar.

Ouso dizer que a morte é vida e ensina a viver e penso nas toneladas de contradições existentes nessa frase.

Veja a todos como se fossem defuntos. Meu Deus que coisa estranha de se dizer? Nem acredito que escrevi isso, mas o raciocínio é.  Olhe para o vivo com o mesmo olhar. Olhe para quem está do seu lado e pense: como eu viria essa pessoa aqui do meu lado, o que ela seria para mim se ela não mais estivesse aqui?  Ela está.  

Amar mais, tocar mais, sentir mais, olhar mais em volta, a vida acontece agora. Viver de verdade.   A morte ensina

 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

CORES DO BRASIL

 Zilda hasteou grande bandeira verde amarela em frente à sua janela. Queria torcer pelo Brasil na copa

Ficou com medo que alguém achasse que aquela bandeira tinha outro significado.

Pessoas criam símbolos e símbolos podem ser usados para o bem e para o mal. Símbolos podem ser roubados dos seus verdadeiros detentores e usados para diversos interesses. Bandeira. Qual bandeira você hasteia? Qual norteia você? De que cores são? O que defendem? Qual o define? O que é a bandeira da sua vida?

A bandeira do Brasil é de todos os brasileiros, nosso símbolo, símbolo do gigante, do brado retumbando, daquele que não foge à luta. Do impávido colosso, e isso não é pouco. Pátria amada Brasil no céu de anil. Não a roubem, não a manchem, não a envergonhem. Terra de paz, de amor, de alegria, de solidariedade, não de ódio de rancor. É o pavilhão maravilhoso dessa nação também maravilhosa . Não é símbolo do ódio, nem dos privilégios. Não é símbolo de poucos, mas de todos nós.

Zilda recolheu a bandeira da janela, pediu a um amigo pintor que escrevesse uma frase com letras bem grandes na parte verde de baixo:

É PRA COPA.

E o gigante tremulou na janela.


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

ANAHI

 Sentimos, simplesmente sentimos e muitas vezes não podemos explicar. As coisas aqui por dentro são confusas, indecifráveis, pois somos uma célula apenas do grande mistério que ronda, do plasma de incógnitas que cobre todo o existir. E como uma fruta inacessível lá no alto do galho a explicação para muitas sensações não é alcançada. E ficamos sem poder provar o delicioso sabor da verdade. Ela Foge tal qual areia fina pelos vãos dos dedos.

Como diz aquele povo “lá das Minas Gerais, no sabpassado”, eu estava ouvindo músicas pelo youtube e me encantei como uma. É fato conhecido que sou admirador de música sertaneja, caipira e raiz e uso hoje os recursos tecnológicos para espelhar o meu smartphone a uma caixa de som, amplificando assim o prazer da sonoridade dos belos duetos e das deliciosas melodias do passado. Coisas de quem está na flor da idosidade! E por acaso tocou a música Anahí. E foi exatamente aí que tudo começou. A música é lindíssima, uma versão de uma música paraguaia, vinda de uma época em que as versões do espanhol. (castellano) para o português eram comuns no Brasil. Uma enxurrada de guarânias, rancheiras, polcas, boleros e diversos ritmos latinos invadiram o nosso país. Músicas bem duetadas, com um tom de paixão e melancolia na voz. Para embalar os corações apaixonados e fazer o caboclo gritar: desce mais uma. “Eita que é paixão pra mais de metro”. Mas além das apaixonadas tinham as hsitórias emocionantes e ternas. Coisas que duplas como Castanha e Inhana souberam fazer muito bem.

Admirei a canção. Viajei na melodia. A doçura e a sonoridade dos harpejos, o ecoo pelos ares das notas daquele dueto tão perfeito, me conduziram pelos caminhos da emoção enquanto ouvia.

Tratava-se de uma belíssima lenda. Uma história indígena sabe-se lá quantos séculos girou até chegar a nós. Conta a historia de uma jovem guerreira que vai defender sua tribo, é aprisionada e levada até a fogueira, quando as chamas a estão queimando a jovem se transforma numa linda flor. Os inimigos fogem assustados e os pássaros cantam comemorando o milagre da flor , da flor de Anahi.

Não sei se foi por causa da belíssima melodia, do doce e suave dueto, da beleza da lenda, ou de algo mais, mas viajei para outras eras naquele momento. A canção parecia despertar em mim toda uma coisa brasileira, latina, tupi guarani, sei lá... Parece que foi lá no amago, na parte mais profunda do meu ser e arrancou de lá a emoção escondida, perdida nos mistérios da existência. Tenho a impressão de que aquilo transcendeu, ultrapassou minha vida e foi buscar coisas de outras eras antes de mim. Talvez tenha visitado meu avô ou bisavô. Sei não. Mas algo além de humano e além da minha época foi despertado aqui dentro durante aquela canção. A ancestralidade, a miscigenação, os valores escondidos passados de pai para filho... A poesia acorrentada, a beleza envergonhada, ou talvez não seja nada disso, somente a imaginação criando coisas. Mas foi um êxtase, um momento divino e poderia usar palavras e mais palavras, mas as palavras são poucas, não alcançam a emoção, não alcançam esse lado escondido e misterioso que existe dentro da gente. Senti, e foi algo incrível.

Fiz um curso de parapsicologia com o grande padre Quevedo (tratando de assuntos que ecxistem) e ele defendia a ideia de que temos uma memória genética e podemos carregar a memória das sensações vividas por nossos antepassados. Quem sabe não foi isso que aconteceu. Vai ver despertei uma memoria de algum antepassado meu, que viveu numa tribo ou que esteve em volta de uma fogueira numa noite clara de inverno sob os raios de um belo luar, ouvindo histórias belíssimas como as de Anahi. .. Minha vó pela sua aparência poderia até ser descendente de índios. Vai ver até algum ancestral meu foi índio também e acreditava na lenda como verdade incontestável. Viva a glândula pineal que segundo se diz é aquela responsável pela espiritualidade, transcendência e coisas do gênero. Vai ver foi apenas ela, a química do corpo me enganando... Vai ver... quem sabe... talvez... cogitações, possiblidades ...mistérios...

As lendas fazem parte dessa estrada que transito, que todos nós escritores, poetas gostamos tanto de transitar. A estrada dos sonhos, do que é belo e mágico. E que importa se não é verdade cientifica e comprovada? É uma verdade do sentir, é o que acalenta nossa alma e faz a vida ser muito mais bonita.

Foi um momento de prazer e beleza que quero se repita muitas vezes. Extraindo aí dos milagres da eletrônica, da modernidade dos inventos humanos os tesouros de eras bem distantes.

A emoção, não sei explicar, mas quero sempre sentir em minha vida o perfume dessa flor e desse mundo que estava escondido dentro de mim e que Anahí veio perfumar Que a flor de Anahi exale o perfume sobre a gente, o perfume da beleza, da sensibilidade e da magia. E que venha se contrapôs a essa realidade dura, rotineira, exaurida de beleza, que suas pétalas coloram um pouco esse mundo cartesiano, lógico, murcho e sem graça, Pois é a função da arte, da poesia, das lendas e coisas do gênero povoar o mundo de lindas inutilidade como dizia Manoel de Barros. Porque a vida é pequena, a vida é pouca, não basta e precisa dessa outra realidade. Desse mundo além.

Que nunca deixemos silenciar dentro de nós esses divinos acordes harpeados pelas mãos da imaginação e da sensibilidade.

Anahiiii


sexta-feira, 18 de novembro de 2022

AR DE ETERNIDADE

 Um ar de eternidade

Lá a vida tem alto preço

Infância é a morada

De todos os começos

É a poesia do andar lento

E do sentir cada passo

É o brincar de viver

Não à obrigação e dever

Alegria ocupando todos os espaços

terça-feira, 15 de novembro de 2022

ETERNO SR BRASIL

 Rolando se  foi, foi rolando  a poesia, voando nas notas e versos,  acho que foi  tocando uma bela viola e cantando um modão  lá para a terra dos que viajam fora do combinado. 

Foi ele a viola rumo a Deus, esperando encontrar o amor. O amor que ele plantou com a sua arte.

Chegando por lá deverá hastear a bandeira do Brasil bem na entrada. Depois vai proseando, se entrosando e fazendo amizade. Cantando e contando causos. Vai ficar feliz ao encontrar velhos amigos. Vai atuar na peça do Ariano. Com certeza compor um samba com Adoniram. Dar aquela gargalhada com Dominguinhos. Uma prosa muito gostosa com o Dito Preto lembrando os tempos de São Joaquim. Pontear com Tião Carreiro. Quando encontrar o Tinoco vai ouvir em alto e bom som: -Que Beleza! Se esbaldar numa roda de samba com Cartola e Jamelão. Fazer escada de novo num show do Mazzaropi. Duetar com Inhana. Ouvir imitações de Nho Totico. Chupar uma laranja madura na companhia de  Ataulfo.  Cantar e prosear com Gonzaguinha, Gal, Vander Lee, Vinícius,  e tantos outros.

  Pedir a benção a todos os grandes que já passaram por aqui e continuar por lá a ser o Sr. Brasil.

O Brasil fica triste com essa partida, mas fica descoberto, fora da gaveta e sem medo de se  mostrar, de se expor, por obra dele ergue a cabeça e não se dobra subserviente a ninguém. Descobriu seu valor e a imensidão de sua arte.

E concluímos que  no verso e reverso da sua vida inteira espalhou belas sementes e   que ruminando causos, contando história e cantando as coisas do Brasil  dá pra ser feliz. 

A arte e a cultura brasileira perdem muito com essa viagem.

***

As manhãs de domingos

Agora são assim

Alegres por lá, tristes por aqui

 A benção Rolando Boldrin!

sábado, 12 de novembro de 2022

O CRISTO ESTÁ LÁ

 O cristo continua la*

Uma pedra inerte 

No alto da serra

Com a cidade faz flerte 

Eu continuo aqui

Com as minhas indagações 

Assustado com o tempo

Com seu trotar nada lento.

Descendo sobre mim as mutações 


* Ler o texto "Lá ele não desce", publicação nesse blog, o poema é como se fosse a continuação do texto. 


Para de Minas 12 de novembro de 2022





sexta-feira, 11 de novembro de 2022

QUEM PODE TOMAR CERVEJA?

 Autoria Múcio Ataide

Passei pela praça e vi aquele homem tomando cerveja sentando em um banco. Um fato corriqueiro,  já vi pessoas tomando cerveja em vários lugares, nos bares, nas praias, andando pelas ruas com a lata na mão, nada diferente, então o que chamou a minha atenção? Por que eu achei que ele não podia estar ali tomando a cerveja?  A pergunta não demorou a ter uma resposta: aquele era um mendigo que há algum tempo havia me pedido uma esmola na rua. Tinha  certo impedimento físico que segundo ele o impedia de trabalhar.  E o mancebo  usava o dinheiro ganho para beber.

Num primeiro momento senti-me indignado com aquilo e até mesmo enganado. Uma vozinha maldosa disse bem lá no funda da minha mente. – Então esse malandro me enganou, pediu esmola, e eu pensando que era para comprar comida. Agora está ali bebendo. Não está certo isso. O certo seria ele comprar comida. Comprar o essencial para o seu sustento.

Mas logo depois outra voz falou. – Eu chego à minha casa, posso abrir aquela lata de cerveja que está na geladeira e tomar quando eu bem quiser, sem que ninguém julgue o meu momento de prazer. Eu posso, ele não. E porque eu posso? Porque eu tenho um pouco mais.

Então a realidade caiu como uma pedra em cima de mim. Quem tem mais, tem mais direito. Aquele homem tem menos que eu, e um pouquinho só a menos, então ele tem menos direito, eu o julgo por isso. Eu o julgo porque ele está fazendo algo que eu gosto de fazer. Eu o julgo por me achar de certa forma superior a ele.

Então é assim? Ser pobre não é apenas não ter o que comer? É não ter o direito a muitas coisas, é não ter direito a se deliciar com uma boa cerveja. É viver apenas para o que é básico?

Aquele homem que ali está, pobre mendigo, doente, impossibilitado de trabalhar vivendo de esmolas está fadado a não ter prazer, a sepultar sua vida antes da morte. Qual o sentido existe nisso?

Eu tenho apenas um pouco mais que ele, sou pobre, classe baixa, trabalhador, assalariado e posso tomar cerveja, mas ele que tem menos, um pouco a menos, não pode.

Mas o sistema é injusto não apenas para criar necessidade, mas sim para criar a estratificação e classificar as pessoas em classes e categorias. E deles extrai dinheiro  e direito.

A primeira análise empírica, do homem comum, é cruel julga e aponta o dedo para condenar. A segunda, do cientista social entende, compreende que a coisa vai muito além. Muitas questões estão ali dentro daquela lata, que ele sorve com tanta alegria, parecendo ser a coisa mais gostosa do mundo.

Vi uma lógica no meu julgamento e ao mesmo tempo vi uma grande injustiça nele. Percebi como as coisas são perversas e como tudo está calcado em cima da estratificação. Quem pode fazer isso ou aquilo? A quem é dado esse ou aquele privilégio?  Tem mais pode mais, tem menos pode menos? Não é apenas ter o dinheiro para comprar, mas é o direito de realizar. Pois ele tem o dinheiro, ganhou pedindo, não roubando, mas não dou a ele o direito de fazer o que quiser com o dinheiro que é dele.  Soberba, pura soberba.  E por causa disso o meu dedo apontou para ele e logo o execrou pelo ato que pratico com a maior naturalidade sem que ninguém me aponte o dedo. Vejam só o tamanho do abismo que o sistema cria. O enorme buraco que existe entre uma existência e outra.

O primeiro raciocínio simples e empírico faz sentido, é o que todos pensam, mas o segundo vem mostrar o tamanho das injustiças, a calamidade da perda simples de um direito. Pobre só pode comer tal qual um animal vive apenas para as coisas básicas e elementares, não nasceu para os prazeres e delícias , está fadado a carregar sua existência miserável e sem graça até o fim dos seus dias. A mendigar pelo básico, viver pelo básico, uma vida básica e sofrida.

E assim segue até que a vida diga: - Chega, já sofreu demais. A cerveja é só para os privilegiados iguais ao Múcio, quem tem um pouco mais que você, só para os que têm mais, mesmo que seja só um pouquinho mais. Para eles, sim é permitido o prazer, o gozo e as alegrias da vida. Para você não. Bem feito! Quem mandou ser pobre sem nada? Quem mandou não conseguir emprego, quem mandou ser doente e não poder trabalhar? Coisas da sorte, do destino, culpa sua, somente sua.  Direito a menos para você, prazeres a menos para você. O Múcio pode, ele sim, tem direito. Você não. Agora é sua hora de ir. Libere o banco da praça para outros mendigos, outros mais dignos que gastem o dinheiro da esmola com comida e não com prazeres a que não têm direito.

Sai dali pensando sobre essas duas visões. A simples e a sociológica e nenhuma delas resolveu o problema do mendigo que continuou lá saboreando a cerveja, parecendo bem feliz. Um hiato para suas dores e seus dramas.

-Saúde  amigo!

 

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

CONTAS DE GOTAS

Deixa a chuva cair

Que ela faz muito bem

Deixa a chuva cair

Que a paz cai também

Brinda com sua doce poesia

Em contas de gotas desfia seu rosário

Vem saudar nossa alegria

Derrame serenidade nesse dia

Do nosso encontro literário

 

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Pensando aqui...

 Vamos esperar para ver o que vai acontecer

Bolsonaro disse que fecharia o STE se não tivesse 60% dos votos, então vamos esperar para ver se ele vai mesmo fazer isso. Se tem coragem para tanto.

Algumas pessoas disseram que se Lula ganhasse sairiam do Brasil. Vamos ver se vão mesmo embora, e aguardar a alegre despedida.

Será que ao final dos quatro anos nossa bandeira será vermelha? Sai o verde e amarelo azul e branco e entra o vermelho?

Vamos ter banheiro unissex nos lugares públicos?

Todas as igrejas evangélicas estarão fechadas?

O Brasil será uma Venezuela? Uma cuba? Um país comunista?

Como estaremos?

Curioso para ver o que vai acontecer.

Você que acompanha esse blog me lembre dessa postagem.

Talk?

 

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

VIVA A MERITOCRACIA.

 Pedro era esforçado e trabalhador. E gostava de sonhar. Às vezes exagerava um pouco na utopia.

Saía todas as manhãs para a dura lida. E sempre alimentava o sonho de ter uma grande fortuna. Tudo seria pelo seu mérito. Afinal de contas havia lido sobre isso e também assistia a vídeos motivacionais que levantavam aquela bandeira: Bastava ter fé, acreditar, trabalhar e pronto, seria rico. Tudo dependia dele. Teria e seria o que quisesse.

Tudo muito simples... bastava trabalhar com afinco e vencer.

Viu numa revista que um dos ricaços mais pobres do país tinha uma fortuna de R$ 30.000.000,00. Fez os cálculos... bastava apenas conseguir um emprego melhor e ao invés do seu salário mínimo, ganhar R$ 50.000,00 por mês e trabalhar durante 50 anos, sem ter nenhum gasto, guardando toda a bufunfa para alcançar essa fortuna. Fácil e simples. Só dedicar-se.

Viva a meritocracia.

 

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

FOGUETES DA SAUDADE

 Enquanto os foguetes e fogos de artifícios pipocavam no céu causando estrondos e assustando os cachorros, carlos chorava. Naquele momento se lembrava da mãe que se fora.

Dia de Nossa Senhora aparecida. Dia de saudade e de lembranças...

 A fé no coração, o terço na mão, o barulho da explosão e o pavor do nunca mais. A fórmula eficaz na produção de uma importante substância curativa, a lágrima.  

Explode também no ar a saudade. Espalha-se pelos céus da alma num magistral colorido de luzes, se multiplicando em raios de vida e de lembranças.  E faz um barulho mais forte que o dos foguetes e bombas.

Viva Nossa Senhora, viva nossa vida, vivida e revivida nesses loucos, belos e tristes estrondos da existência.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

BELEZA TRISTE

 Quando sol poente pinta o horizonte

ah como é bonito vê-lo!

rajas de beleza   da tarde

em amarelo e em vermelho

Mas também vem a tristeza 

se imiscuir na emoção 

os extremos que se beijam

sentimentos que porejam 

tardinha, triste e bela contradição

sábado, 17 de setembro de 2022

CADÊ O OUTRO?

 O rim que ficou me perguntou:

-Cadê meu irmãozinho?

Eu disse:

-Evoluiu, subiu na vida e foi morar numa casa bem mais bonita!


*** 

Um rim vindo do coração . 

A cirurgia aconteceu, cirurgia  de transplante, eu doei um rim  para minha  irmã Ana,  e foi com muito  gosto  e isso me deixou muito feliz. 

Aproveite bem seu novo brinquedinho Ana. Te amo. 


segunda-feira, 12 de setembro de 2022

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

NAVEGANDO

 Quando o mar da vida balança

é preciso ser marujo  forte

segurar firme no leme

e encontrar então o norte

E navegar por muitos mares 

enfrentar a procela e seu brado anarco

entre a prudência  e os   avanços

entre  maré brava ou mar manso

saber conduzir muito bem  o barco 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

...

Pensando aqui...

Ontem eu estava assistindo a um vídeo do candidato Felipe D’Avila, um liberal de mão cheia, e como todo liberal levanta bem alta a bandeira da privatização. Só espero que não agrida ninguém na cabeça com essa bandeira, pois já temos uma historia assim, mas deixa para lá.  Continuando, ele defendia com aquela mesma prosa de que a economia devia correr livre sem intervenção nenhuma do estado porque o estado é incompetente para gerir e aquela conversa toda.

Daí eu fico pensando:

As empresas estatais dão prejuízo por isso precisam privatizar. Mas se elas dão prejuízos por que a inciativa privada se interessa por elas?  Por que podem dar lucro.  Não seria o caso do estado gerir bem essas empesas? Já sei o que vão dizer: o estado é incompetente, tem gastos demais, cabides de empregos, as estatais são elefantes grandes, cheias de mordomias e roubalheira e bla bla bla , alias esse elefante me divertia bastante nas propagandas do tempo do  Fernando Henrique, porque era a declaração da incompetência do governo, mas enfim é isso que vão falar. Tudo bem vamos privatizar para dar lucro, assim vamos receber o dinheiro da privatização que será revertido para a nação e em beneficio do povo e teremos o imposto do lucro dessas empregas para aquecer nossa economia.

Mas se o  estado é incapaz de gerir uma empresas públicas, ele será capaz de usar bem o dinheiro da privatização e de usar em benefício do povo? E de reverter para a população  o dinheiro dos impostos advindo delas?

Resumindo no final, perdemos as empresas, a iniciativa privada vai ganhar dinheiro com algo que era nosso e vamos continuar na mesma, pois a corrupção que pode ser feita nas estatais pode ser feita também  com o dinheiro que os amados empresários tão patriotas e amigos do Brasil vão nos oferecer com a sua bondade ao pagarem os impostos dos seus lucros absurdos.

O mesmo governo que não presta para gerir estatal vai prestar para gerir o dinheiro advindo da venda e do imposto delas? De repente tudo vai ser diferente? Será que a cobra perde o dente?

Talvez a coisa tenha uma lógica, pois se o dinheiro vem da privatização, não pode ficar nos cofres públicos, mas deve ir  para os bolsos privados. Privado com privado. E os interesses do povo vão  para a privada.

Não seria o papo de   catireiro? Queremos as empresas para nós, e para convencê-los  criamos algumas justificativo e uma pequeinina visão do paraíso. Basta dizer que isso será em benefício do povo e  que tudo serão flores... Vai que cola!

O candidato dizia que com a privatização as empresas terão lucro. Acredito que o lucro surgirá e a riqueza virá Mas lucro para quem? 

No final o povo so perde. É a mesma coisa do lucro exorbitando do agro negocio, parabéns que maravilhoa mas  o lucro é nosso?  É do povo? Produz-se tanto alimento e o povo passando fome. Qual o sentido disso? 

Qual a lógica do avanço, da riqueza de um pais se o povo, o trabalhador que verdadeiramente constrói essa riqueza não usufrui dela? Que avanço é esse? Que sentido isso faz?

 Deus que me perdoe por fazer falsas acusações mas as vezes penso até que esses empresários sonegam imposto.

Sobre esse assunto tenho algumas dúvidas:

 Dia desses um defensor da privatização amigo meu me disse que está se preparando bastante para um concurso publico. Uai! Por quê?

E quanto a preço, será que venderão essas empresas por um preço justo?

A situação do país melhorou de verdade depois das privatizações?

Aquela bela cidade histórica mineira continua tão bela quanto antes?

Cadê o dinheiro das outras privatizações? Cadê o imposto revertido?

O serviço após a  privatização será melhor ou pior?

Por que tanta gente reclama da situação das estradas e do valor dos pedágios?

 O que foi feito com o dinheiro das outras privatizações?


Ah eu adoro os porquês, eles são libertadores...

Só pensando...

  

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

...

 Pensando aqui...

Ontem na entrevista do Jornal Nacional o candidato a presidente Lula disse uma coisa interessante. Nos tempos em que o debate politico  maior estava era  entre PSDB e PT, as divergências  eram mais amenas e havia um respeito maior entre os adversários. De uns tempos para cá parece que uma névoa esquisita tomou conta das pessoas e então o opositor se tornou inimigo. Se você pensa diferente de mim você é do mal.  Um se sente na obrigação de xingar  o outro por pensar diferente. O que será que aconteceu? Por que essa onda estranha de ódio tomou conta do Brasil? Um país que sempre foi símbolo de paz e harmonia... Será que é preciso xingar, humilhar os outros na defesa das nossas ideias?

 Meu imponente é meu inimigo? Existe o bom e o ruim? O lado certo e o lado errado? Somos nós contra eles? Quem somos nós e quem são eles?   Meu time é melhor que o seu? É guerra? De onde vem isso? Por que isso ocorre hoje no Brasil?  Quem está nos induzindo a esse comportamento?  E a quais interesses a indução a esse comportamento atende? Só pensando...

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

FILHO DE LATA

 Dirigia pela estrada no seu amado fuscão. Havia reformado o carro e estava muito feliz. Além da parte mecânica e elétrica totalmente em dia  a preciosidade tinha  a cor vermelha viva, rodas de liga leve em formato de cruz e alguns acessórios bem curiosos .O carango parecia mais novo que os novos e tinha muita estrada ainda para rodar.

Fazia deslizar pela rodovia o charme a elegância e o cuidado nos mínimos detalhes. Um pequeno meteoro vermelho rasgando a  noite.

  Ter um carro antigo dá um certo status  e desperta a curiosidade das pessoas. Era como uma marca registrada. Ah é aquele cara do fusção.

 E o fato de ter reformado o carro fazia com que algumas  pessoas entendessem que ali existia algo mais que um veículo, um objeto que foi adornado preparado  e cuidado com muito carinho. Dá muito trabalho reformar e também gasta-se muito dinheiro.  Era quase como um filho, um filho de lata, charmoso, bonito e diferente. Sua marca registrada na mundo.

 Tem gente que torce a cara, ah carro velho é carro velho, pode reformar que continua sendo velho. Alguns condenam o comportamento diferente e outros até esnobam Ah que coisa de pobre reformar carro. Tem que comprar o novo isso sim.

Outros apoiam, reconhecem o trabalho e o esforço despendido e aplaudem a inicitaiva. 

As opiniões divergem, mas o charme vermelho vai pela estrada levando dentro dele a alegria, a satisfação e a realização de um sonho.

Quando se decide cuidar de uma  árvore, têm-se que plantar, regar, podar, adornar com terra e adubo, cinzelar, alimentar,  para depois  vê-la florir. 

Com filhos de lata também é assim.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

SOPRAR DOS VENTOS

 É um livro que se fecha

Quando uma vida termina

O fim de uma bela  peça

No triste  baixar  da cortina

Sabedoria, sentimentos, histórias, cordão de sonhos

linda  pipa que em pleno voo vai

com o soprar dos ventos não se aguenta

A linha então  se arrebenta

E toda beleza pelos ares cai

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

...

 PENSANDO AQUI...

Já começaram as fakes, os ataques e aS manifestações  de ódio  nos posts referentes à política na nova campanha eleitoral.  Que coisa bonita! Eita nós! A mesma coisa!

 Eu de minha parte pretendo fazer publicações do ponto de vista ideológico, evitando publicar qualquer noticia não confirmada,  evitando qualquer ataque pessoal ou que venha a ofender a qualquer pessoa. Não me considero dono da verdade, procuro ter  uma visão relativista, dialética e democrática sobre todos os assuntos  e nunca formulo minhas opiniões a partir do certo e do errado, mas sim a partir do que eu acho melhor ou pior, e isso depende da situação e do contexto. Não seria a verdade uma abstração que varia de acordo com a época, a cultura e uma série de fatores?  E aqueles que têm uma visão maniqueísta da realidade me parecem bem ingênuos.  Entre o certo e o errado, o alto e o baixo, o oito e o oitenta, meu time e o seu time, o meu candidato e o seu,  existe muita coisa. O buraco é mais embaixo...

Então respeito é fundamental.

Cada um publica o que quiser e eu também. Se eu vir uma postagem e concordar com ela posso até ir lá e comentar e dar o meu apoio, mas não vou entrar na postagem de ninguém para discordar nem para ofender. Acho isso de muito mau gosto e uma enorme grosseria. Coisa de quem não sabe respeitar a opinião dos outros e carrega ódio dentro de si.

Se alguém fizer algum comentário deselegante nas minhas postagens não vou responder nem rebater apenas ignorar. Quem é capaz de fazer isso não merece a mínima atenção...  

Site oficial  Neste site,  um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para  brindar a vida e descobrir se...