quinta-feira, 20 de julho de 2023

FELICIDADE, ONDE MORAS?

 O que é ser feliz? Olha que essa pergunta gira por aí. Acho que passou por todas as cabeças e já trinou feito canto de rouxinol por todas as bocas, pois todo ser humano existente na terra procura por essa dama caprichosa chamada felicidade.

Onde ela mora afinal? Quais são os seus caprichos? Por que foge da gente muitas vezes? Tal qual areia fina foge nos dedos ela escapa. Está onde não alcançamos. E teima em não estar onde estamos.

Vejamos aqui suas jogadas e suas manhas.

Pessoas dizem: Se eu ficar rico, tiver muito dinheiro vou ser feliz. Então nos surpreendemos ao observar que milionários se enchem de remédio tarja preta, têm depressão, E pasmem, aqueles que deveriam obrigatoriamente ser feliz porque têm dinheiro, luxo e riqueza cometem até suicídio. Desistem de viver.

Então não está aí a tal da felicidade?

Outros dizem:

Se eu tiver saúde, então serei feliz. Mas quantas pessoas existem, que gozando do mais pleno bem estar físico, encontram-se mergulhados em tristeza? E doentes graves bem mais felizes que os saudáveis.

Também não é na saúde, tão somente na saúde, que ela mora?

Seu tiver um emprego tudo está resolvido. Mas empregados reclamam do baixo salário. Da rotina e da dureza do serviço.

Quando você se casar será feliz. Pois todo mundo deve ter uma companhia, construir um lar, formar família. E quantas e quantas famílias vivem na infelicidade, na discórdia, nas brigas e agressões?

Será que basta ter uma família?

Quando o casal tiver filho, então as brigas acabam e a felicidade chega. Mas com os filhos vêm problemas. E quantos e quantos pais sofrem desgostos com seus rebentos, promessa frustrada de felicidade. Briga entre pais e filhos, fonte segura de infelicidade.

Então pensando bem, o bom mesmo é não casar. Viver só, ser livre, independente. É aqui que a danada mora. Mas não querendo estragar o prazer de ninguém, conheço pessoas que reclamam da solidão, sentem-se deprimidas por estar só e afirmam que a tal dama tão procurada não mora por aí.

E tem também a ilusão do quando. A felicidade adora brincar com a ilusão do quando:

Quando arrumar minha casa, vou ser feliz, porque é impossível alguém ser feliz em casa velha e estragada. Arrumou a casa, zas a dona felicidade vem. Arruma-se a casa, fica-se feliz por algum tempo, depois se descobre que existe infelicidades, tristezas e problemas, também na casa nova. As paredes pintadas não eram blindadas contras as coisas ruins e os problemas.

Lembrei-me agora daquele programa humorístico que prometia o regozijo ao adquirir determinado produto. Todos os seus problemas acabaram. Então quanto comprar o carro novo todos os problemas serão guardados no porta-malas. O carro novo vem, e fica velho. O problema para todo o sempre resolvido, assim como o sentimento alado, morto e amordaçado da canção do Fagner, volta a incomodar. O porta-malas explode e lança de novo os problemas pelos ares. Não estava no carro novo.

Ah quando a minha querida prima chegar! Mas a prima vera chega, transmuta-se no escaldante verão, no indeciso outono e de novo traz os rigores do inverno. A prima não estava com essa bola toda.

Quando chover... molha...

Quando o sol renascer... queima...

Quando eu me aposentar com certeza...

E a tudo eu digo Será?

Eu sou uma pessoa tímida e introvertida tenho uma enorme dificuldade em me relacionar com as pessoas. Mas eu tinha um modelo. E dizia: “se um dia eu for igual àquela pessoa, estarei bem. O dito cujo é seguro, dono de si, bonitão, inteiro, de bem com a vida e tudo de bom. Então posso concluir que encontrei meu espelho. Não tem dúvida, ser igual a ele é ser feliz. Um ser humano completo. Tem boa condição financeira, saúde, é auto confiante se relaciona bem... É um ser de sucesso. Não tenho nenhuma dúvida, ser feliz é ser aquela pessoa.”

E não é que certo dia a tal pessoa confidenciou-me que passava por um momento de depressão e que se sentia um lixo?

E então? O que dizer?

Muitas vezes associamos felicidade a prazer. E temos a ilusão de que a saciedade das nossas fomes e anseios é a certeza do seu abraço eterno.

A guloseima, objeto de prazer, tentação que nos conduz ao feio pecado da gula, metaboliza-se na angústia do “acabou, que pena” ou do mal estar estomacal.

O prazer do sexo se vai, e é impossível estender o êxtase a mais que alguns bons momentos.

Muitos veem naquela garrafa salvadora, mágica a receita perfeita para afogar as mágoas, mas qual é a surpresa ao perceber que as diabinhas sabem nadar, mergulham e logo vem à tona, sorridente e zombando de quem acreditou em sua derrota. Parecem até mais fortes após os exercícios de natação

Se crês em dinossauros cor de rosa voando agora sobre nossas cabeças, também crerás que neste momento nas praias paradisíacas do mundo tristeza alguma ronda. Nenhuma ruguinha de preocupação adorna os rostos fascinados com a beleza do ambiente. Apenas sorrisos profundos e sinceros combinando com a paisagem bela. E crerás também que nenhuma tensão viaja nas Mercedes e nas Ferraris, ou consegue alcançar o interior dos luxuosos jatinhos que dividem os céus com os dinossauros. Com certeza estresse algum povoa a mente de nenhum grande investidor da bolsa de valores. Ali existe apenas a alegria da acumulação. Não existem lagrimas na Disney. Filho é promessa, família é certeza. Está no prato, no copo, na mesa. Somente em festa se ri, apenas em velório se chora. E se ele é tão saudável, derrota alguma pode entristecer o atleta. Ah esses dinossauros que não param de voar.

E quando achamos que ela se foi de vez, volta do nada. E salta feito infante grimpante numa alegre manhã de sol. É o trinado harmônico de um belo passarinho verde cantando uma alegre cantiga sobre jardins floridos . Menina atrevida de sorriso largo, deslizando num comprido tubo agua ou pulando na maciez de nuvens do algodão. Do nada ela vem, e nos faz fantoches, mamolengos guiados pelos fios do bom humor. E eis que os problemas de ontem motivos de tantos despropósitos, são nadas no hoje . Ontem eram eles gigantes, hoje formiguinhas insignificantes. Porque a felicidade vem quando quer sem perguntar e sem nada a declarar.

E a dama caprichosas, se esconde por entre véus e mortalhas, se esgueira enquanto a perseguimos por intricados labirintos e zombeteira ri de todos nós e dos nossos conceitos. Da nossa doce ilusão de um dia a agarrarmos e tê-la em nossos braços para todo o sempre

Eu também a caço por aí. Eu como todos, também bato de porta em porta procurando-a, tentando cair nos agrados e ganhar os seus carinhos. Ela também foge de mim, como foge de todos. Talvez quem sabe, a própria procura seja uma forma de encontrá-la.

Acredito que ela esteja na maneira de ver as coisas. Quando valorizamos a vida. Quando pousamos sobre o nosso existir um olhar de ternura, afago e agradecimento, sem regras, nem méritos, nem nada, olhamos para o nosso interior e ali a encontramos, apenas abrimos a ela nossos braços, então a madame tão procurada se mostra sem máscaras e com um largo sorriso.

Talvez dando mais valor ao presente, ao que temos, ao que construímos. E aos pequenos momentos do viver.

Nas minhas divagações vou além e penso até que podemos determinar onde ela está. Ela está onde quisermos que ela esteja. É nossa escrava. Se eu disser, está aqui, aqui ela estará. Sou o amo que achou a garrafa da gênia e posso mandar em suas atitudes.

A felicidade da gente é a gente que determina? Clichê puro e verdadeiro?

Nunca está fora? Está sempre aqui dentro? Talvez sim. Porque do lado de dentro fica bem mais difícil dela fugir.

Acredito que conforto material, saúde, bom relacionamento famíliar, prazeres, realizações e lutas do dia a dia contribuem para que ela aqui esteja, porém não são por si só garantia da sua presença.

De dentro pra fora talvez... Na maneira de enxergar coisas...

E a procura continua. Até o último respirar. Quero-a comigo de braços dados no caminho até esse momento chegar. E quando eu chegar ao último respirar serei feliz?

Hoje de manhã eu pensava: quando terminar essa crônica...e agora?


sexta-feira, 7 de julho de 2023

“LER É CRESCER EM SILÊNCIO”

 O silêncio da noite no quarto era o convite para o encantamento, ninguém podia imaginar que aquele silencio escondia grandes aventuras e extraordinárias tramas.

Luiz lia através do smartphone debaixo das cobertas. Criou a cabaninha literária. Nome criativo, produto das letras.  Embalado pelo frio e pelo silêncio viajava nas páginas. Era segredo, ninguém podia saber.

Quem passasse pela rua e visse as luzes apagadas pensaria que nada além de sono, sonhos e imobilidade existiam naquele quarto. Mas acordado ali alguém sonhava e no silencio crescia.

Aquele evento envolvia prazer, segredo, aventuras viagens fantásticas e crescimento em diversos sentidos, tudo isso camuflado de calmaria e imobilidade. O poder paradoxal e divino da leitura.  Confirmando a  máxima: Ler é crescer silêncio.

 


segunda-feira, 3 de julho de 2023

O MENINO DA FOGUEIRA

 O menino apareceu na festa da fogueira durante  a reza do terço.

Os convidados para a festa  estavam reunidos na sala  daquela casa simples de chão batido, com paredes brancas, quadros de santos espalhados por todos os lados, contritos na reza e focando a bandeira do santo que estava sobre a mesa.  Sem mais nem menos ele surgiu. Ninguém sabia de onde  vinha. Não era conhecido por ali.

 E o menino  aproveitou a festa, , cantou o bambeia dançou no terreiro ao som da sanfona, comeu o biscoito, a canjica . Só não quiseram lhe dar quentão por causa da tenra idade.

Se alguém perguntava algo sobre ele  logo desconversava.

Depois saiu pela noite, caminhando pela estrada sendo banhado pelas estrelas  e pela lua cheia  que parecia cobrir de prata o tom de  sua pele já clara.  Dava até a impressão de que estava se transfigurando.  Depois da curva acenou e sumiu

Depois de algum tempo alguém percebeu aquele era o menino que estava no mastro.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

VELUDO CÔNCAVO

 A lembrança se esforça

E quase chega lá

Histórias ouvidas vêm

O colo ainda tem a maciez

O veludo côncavo

Encaixe perfeito

Ah como é bom!

Rede de brocados

Retalhos...

Textura e cheiro

Néctar branco vital.

Amor que jorra...

O verde banha o quarto

Olhar terno ao fruto colhido

Esparramas ramas de esperança

E dança...

O mingau ainda esta quente

E o embalo vai  a mil estrelas

Acorda  sonhos

Sons metálicos harmoniosos

Relógio  da  matriz

O balanço sublime

Rabiscos em folha branca

Mão grande, mão pequena

Passos que vão lá e cá

Ante  bracos estendidos

Nenhum gesto escapa

dos meandros do afago

Da ditadura da proteção

A vida volta a prometer

Quem sabe dessa vez  seja  perene.

E os atropelos não  venham estragar

Voa pelos ares

Um aroma de eternidade

E tudo tem cor de céu outra vez

Quase...


Poema em homenagem a minha  mãe e a nossos melhores momentos. Ela que nesse 30 de junho completaria 87 anos. 

sexta-feira, 23 de junho de 2023

ETERNO APRENDIZ

 



Mais um ano...
Agradecendo  a Deus
pelo dom da existência. 
Entre os altos e  baixos
choros, e risos...
o constante  acúmulo de experiências.
Vou me construíndo 
Sou feliz  
nesta sina de
apaixonado pela vida 
e de 
 eterno
 aprendiz .

domingo, 18 de junho de 2023

REMANESCÊNCIA


Sou remanescência  

Aquele que ousou se levantar

Dos escombros

Sou o lume que permaneceu

Sou ainda chama

Ora intensa,  ora fraca 

Que vai e vem  com o vento

Sou a consciência 

que tenta se imiscuir

Na  briga incessante dos pensamentos.

E tenta o quase inatingível  controle

Vivo, sigo, apenas sigo... 

quarta-feira, 14 de junho de 2023

MENINA ARREDIA.

 A inspiração escapa

Não é amiga hoje

Não é solícita no agora

Despediu-se fez as malas

Foi embora

Se espremer sai,

Viu como sai?

Mas não vem de graça

Como em outros dias

Ela é caprichosa

Marota, arteira

Se esconde se esqueira

Menina arredia...

segunda-feira, 5 de junho de 2023

METÁFORAS PARA A ESPERANÇA

 A esperança é planta

É perfume de rosa

Folha Verde, muito viçosa

que ao chegar encanta

 

Algo que está no porvir

Guardado como um tesouro

DiamAnte, opalas, turmalina ouro

Uma mina rica no existir

 

E quem a tem tem tudo

E quem a tem tem o mundo

O riso e a alegria vêm de graça

 

Dela brotam sentimentos lindos

E  Vive em campos floridos

Quem  a  ela doma e enlaça

 

sábado, 20 de maio de 2023

OUTONO, TARDE...

Outono... tarde... tudo cessa em acalanto

Vermelho e amarelo simbiose, sintonia   

Parece que aquilo foi pintado com pinceis de poesia

De fino trato, deslumbrante  manto

 

Traz um lamento de lá bem distante

Aguça o penar, dá noção   de  brevidade

Uma nesga de culpa,  confronta verdades

Algo que parece da existência vir antes

 

 E se tem melodia e dobles de sinos

Então os perdidos de menino

São andorinhas em bando no fim do dia

 

Beleza e tristeza  se abraçam  pelo ar

Uma mágoa perdida, um vagar

Espalham-se nas notas de Ave Marias...   


domingo, 14 de maio de 2023

A HORA

 Ela partiu

E minha alma chora

Fechou os olhos

E foi embora

Deixou um legado

E fez história,

Espalhando  exemplos amor

Pela vida a fora

Missa cumprida

Chegou  a hora

Sem um adeus foi embora

Horizontes sem fim

É o que vê agora

Campos etéreos de deslumbrando flora

Anda por vales risonhos

onde o  esplendor ancora

Refeita tem o semBlante de menina

No jeito  calmo de senhora

Recebendo os divinos prêmios

Emocionada até chora

Sob uma chuva de bênçãos

Que a alma restaura e revigora

Enquanto uma luz resplendente

Sua tez morena cora

Naquela estrela brilhante

É onde hoje ela mora

Deixou saudade que em mim

E também uma ausência sem fim

Que angustia e apavora

Trouxe vida, amor, colo, calor.

Mas enfim, chegou a hora.

Foi luz, brilhou

E foi embora.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

IMENSIDÃO DE BELEZA

 Uma bola branca ou prata

Farol na imensidão

Ela é a imensidão

De beleza... de inspiração.

Não um astro sem graça

Listado como mais um entre os astrônomos

Não para o poeta

Dela  extrai a beleza, a grandiosidade, o encanto.

Lua...

Majestosa senhora da noite, dos céus...

Que ronda e derrama poesia, extrair versos e sons

Serenatas e momentos apaixonados

Guia os viajantes, faz a noite virar dia

Admirada pelos séculos dos séculos...

O Zé “Robô”?

 Um dia desses, meu amigo Zé de sobrenome Fictício esteve conversando comigo lá no meu serviço. Fiquei imaginando... Se eu fosse para a praça central da cidade... e dissesse para uma pessoa apenas:

– O Zé foi até lá onde eu trabalho, aproveitou uma distração minha e pegou um dinheiro lá.  – É mentira, mas o interlocutor não cogitou essa possiblidade. Cidade pequena, em meia hora meu amigo Zé já  é considerado ladrão por todos. É o  poder  do boca a boca.

E então alguem ousa postar a noticia do zé ladrão...

Ao invés de procurar a polícia vou direto a um  promotor Dr. João,  que por coincidência tem o mesmo sobrenome do Zé, e faço a denúncia. Ele pergunta:

– Você viu? Filmou? Tem provas?

– Não, mas eu tenho convicção.

–Então vamos condená-lo.

É assim que acontece. Da cidade pequena vamos para a grande rede WEB. Uma notícia falsa, (nem vou traduzir a frase para o inglês), alguém a recebe, aquilo vem de encontro às suas crenças, ao seu ódio por um determinado grupo, ou se alinha com o mau humor do dia,  não questiona, não pesquisa, acredita, sem provas, nem nada de concreto, repassa e então o  céu é o limite.

E aí vai se formando a rede do ódio, da difamação. Em pouco tempo a mentira vira verdade. Martela a cabeça e vai de aparelho em aparelho, sendo solidificada aos poucos.

O objetivo nunca foi combater a corrupção, sempre foi difamar o grupo adversário, sem escrúpulo e  sem dó. Só destruir a moral e a imagem de quem pensa diferente.

Se  bobear (ou robobear) o  coitadinho do  Zé pode até ser tornar um ladrão de nível internacional. Procurado pela interpol, acusado de crimes contra o patrimônio e contra a organização sindical mundial, etc e tal.   Conhecido como ladrão pelo  mundo inteiro, sem nunca ter roubado um vintém. Salve a rede. Amém. 

E sem essa rede, certos grupos não seriam nada. É a arma deles e precisa ter o porte imediatamente revogado.

Não precisa ter muita inteligência para entender o esquema e como ele é arquitetado. A técnica é antiga. A tal da fofoca. Ao invés do boca a boca agora vai girando pelas redes sem fio mundo a fora, em fotos, vídeos e frases maldosas. Destruindo vidas e causando muito mal. Fofoca moderna, que se espalha sob os risos felizes do algorítmo. Tudo planejado, arquitetado e preciso. Ah a Candinha que o diga, o trem funciona mesmo!  

Precisa ter inteligência e dignidade para questionar e não repassar a mentira que leva a mais mentira e causa destruição.

E quem tem um mínimo de caráter e defende a lisura e a honestidade não repassa e  sabe que isso deve ser severamente combatido. 

Será que o Zé robô?

segunda-feira, 1 de maio de 2023

FELIZ DIA DO TRABALHADOR.

 


Olhe à sua volta e veja que tudo o que existe foi trabalho de alguém.

 Se o que você vê é natureza, foi o trabalho de Deus (para quem crê)  mas a natureza também trabalhou, e  houve todo um processo evolutivo para isso. Ela não parou ela foi se desenvolvendo, trabalhando o tempo todo para lhe apresentar o cenário que você contempla extasiado.   O trabalho é o continuo construir

 Se é algo artificial que você vê à sua volta  é  o trabalho do ser humano.  Na mesa, na cadeira, na cortina, em qualquer artefato existente está impregnado o suor, o dia a dia  e a luta,  de alguém. A luta de quem busca sobreviver e dar-lhe um pouco de conforto.  Tem sofrimento escondido em cada objeto que você vê.  

De um ponto a outro de qualquer processo evolutivo está o labor. Nada se faz sem ele, estamos sempre trabalhando. Qualquer invento foi moldado assim. Esse computador onde escrevo o texto, o celular que você tem nas mãos onde está lendo o que eu escrevo foi trabalho de alguém. A roupa que você usa, seu veículo, seu conforto, as coisas que você gosta tudo, absolutamente  tudo.... Nada existe sem ele.  Ele nos dá  o conforto, a redução do esforço. O chegar mais rápido, o bem estar...  Perceba então o poder e a força que tem  o trabalho e aquele que trabalha, constrói, molda e transforma as coisas para melhor .

 O trabalho criou tudo o que existe.

Pena que o trabalho não seja valorizado como deveria, bem remunerado como deveria. É o instrumento de exploração,  injustiças e de acumulação desenfreada de riquezas nas mãos de poucos. Muitos trabalham, poucos ganham de verdade. Quem faz não desfruta do que produz.  Pena que alguns grupos queiram voltar a um padrão escravocrata com  reformas trabalhistas ou coisas do tipo para tirar direito e desvalorizar o suor de quem trabalha.

Feliz dia para todos nós trabalhadores. Que o futuro seja melhor para nós que verdadeiramente construímos a realidade desse planeta com o labor de nossas mãos, o pingar do nosso suor e a incessante atividade de nossas mentes.

domingo, 9 de abril de 2023

O DIA CHEGOU

 O ocaso encolhe-se.

Espinhos são quebrados, 

Cravos voam pelos ares.

Feridas sanadas. 

O crepúsculo  triste da cruz,

a noite dos horrores

transmutam-se em aurora radiante

e desabrocham em dia eterno.

                                      Múcio  Ataide


terça-feira, 4 de abril de 2023

SERENA

 Gosto de ver a nevoa na serra

E sentir o ar se transformando

Deixar cair sobre as mãos espalmadas

Os primeiros pingos

A terra cheira frescor

O verde vai ser mais verde

A semente dentro do chão acorda

E acorda também a flor

Vai desabrochando boas sensações

Boas expectativas

Uma esperança intrépida

Que não sabe de que nem porquê

Uma calma, e até um deixa para depois

Tudo muda, tudo se aquieta, se apreguiça.

Vida nova em mil dimensões.

Chuva por fora molha

Por dentro serena...

segunda-feira, 3 de abril de 2023

MÃOS DA POESIA

  A poesia exala de mim 

E vai tocar o lado de fora

Ela tem braços longos

Que se esticam bastante

Mãos hábeis que moldam

Moldam a realidade tão crua

Tal qual uma massa de bolo

Ela vai adicionando ingredientes

Em notável simbiose

fazendo a arte do sabor

Tal qual as mãos de oleiro

Suas mãos vão dando forma

Ao que sem forma está

E a magia se faz,

E o espanto vem

E isso faz muito bem.

Depois do seu toque nada mais é igual

A vida já não é mais pequena.

É um desabrochar

É um colorir

um êxtase 

terça-feira, 21 de março de 2023

MANU



 Hoje é o dia do animal de estimação, então vou falar um pouco de Manu, A Manuela Ferreira, Manuela  Magrela, a minha filha bichológica, minha “massacote”, amiguinha de farras aqui na solidão dessa casa. Eu e ela sempre juntos. Manu foi encontrada por minha irmã, abandonada em uma estradinha, quando viu parar o carro, pulou no colo de minha irmã então não teve jeito. Depois minha mana a deixou de herança para mim quando mudou para a casa nova onde não podia ter cachorro.  No começo eu não queria, mas jamais seria capaz de deixa-la na rua ou doá-la a alguém então acabei adotando-a. Não sei quem adotou quem. Quando ela chegou aqui após ser resgatada na estrada tratou de aprontar. Já nos primeiros momentos mostrou a que veio, rasgou a cortina da pia, deixando-a  em farrapos,  pendurou-se na cortina da janela e ficou lá balançado para lá e para cá o corpinho de filhote na maior farra. Foi até o banheiro e pegou a papel higiênico com a boca e saiu desenrolando-o pela casa a fora, embaraçou-se nele, tropeçou, caiu, ficou aquela maçaroca só ela e o papel.  Roeu o pé de todos os móveis, quebrou  coisas, derrubou a árvore de natal. Alguns meninos da rua a  chamavam de a cachorra ninja, tamanha a sua habilidade para  pular o portão, passar entre as grades  e fugir para rua. Aprontou o que podia e não podia.

Fazia dupla com o poodle Sammy e eu chamava a dupla de Piriguete e perigoso. Depois o perigoso teve uma doença perigosa e se foi. E ela continuou por aí.

Comia todas as baratas, grilos, calangos,  matava qualquer bichinho que encontrasse e já passou aperto em muitos gatos por aqui.

Depois de um atropelamento aquietou-se e hoje tem muito juízo, é  já uma senhorinha  de temperamento  dócil, educadinha e uma grande amiga. Se dobra toda para receber carinho e deita para que eu lhe  coce a barriga.

Teve vários filhos que estão perdidos por aí

Continua comilona. 

Converso muito com ela batemos altos papos e nos entendemos bem.  E vamos juntos

E só quem em bicho de estimação sabe como essa relação  de amizade é gostosa e gratificante. Espero que essa molequinha, essa menina peralta continue por aqui ainda por muitos anos. Terá sempre o meu amor e os meus cuidados.

Afinal eu sou o seu humano de estimação.

 

sexta-feira, 17 de março de 2023

COLHA

 O sol  nasce 

avermelhando o céu devagar 

a esperança acena

a alegria encena 

outro dia que vem 

nos  saudar

com novas oportunidades

um leque de sensações 

um turbilhão de pensamento e sentimentos

mesclando alegria e dor 

odio e amor. 

Um novo dia é um novo universo

que se descortina ante nossos olhos

com o frescor vermelho da aurora

o espetaculo do renascer 

traz todas as possiblidades

que uma nova vida pode ter

colha o dia, diz aquele antigo lema

com tudo o que ele tem. 

colha o dia...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

TRECHOS DO LIVRO NOITE DE ECLIPSE

Quem era aquele homem? O que trazia em suas mãos? 

...Estava envolvido por uma gigantesca onda de grandeza e ao mesmo tempo de pequenez. Eu me sentia extremamente pequeno diante de tudo aquilo, mas sentia a grandeza desse mosaico de milagres, do qual eu faço parte e do qual sou uma parte ínfima.

A grandiosidade das potestades do céu, os elementos se misturando num show de rara beleza, a majestade dos astros e sistemas celestes... Por sentir tão de perto tudo isso, eu me percebi extremamente pequeno diante dessa magnitude. Sou um ínfimo observador, uma poeirinha cósmica insignificante. E o que tem além de todas essas estrelas e de todo esse brilho? Se muitas dessas estrelas que vejo já morreram, estou vendo algo que aconteceu a milhões de anos luz. A velocidade da luz é tão intensa, que traz até mim, uma imagem do passado. Vejo estrelas que já morreram. Estou vendo algo que não existe mais. Uma mentira, uma ilusão, ou a certeza da minha própria pequenez.

Minha câmera transportou-me pelo espaço e, parafraseando Camões, vi mares nunca dantes navegados.  Voei, na magia e voltei, concentrei-me no nosso sistema, sistema solar. Penetrei em seus labirintos, formado pelos seus planetas e vi satélites e milhares de asteroides e cometas, tudo bem de perto. Não era apenas a lente, mas eu estava lá. Viajava pelo espaço. Vi cores e rajadas de fogo pelo ar. Vi o sol que me traz em todas as manhãs, o seu calor aconchegante. O mesmo sol que enxuga o orvalho das plantas e espalha vida por onde passa. Vi os planetas bem de perto, girando igual num carrossel diante do sol e me espantei por pensar que não caem! É incrível, mas não caem! Fazem parte de um bailado muito especial dos céus, e dançam num ritmo perfeito. Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, com seus inúmeros satélites naturais, asteroides, cometas, meteoritos...  Senti até mesmo a textura da poeira interplanetária.

Onde começa e termina tudo isso? Até onde vai aquele enorme vão, sustentado por nada e ao mesmo tempo sustentando tudo?

 

***

A luz bruxuleante ia ganhando forma e aumentando gradativamente. Os pássaros da manhã acordavam e passavam em bando sobre a janela. Os galos cantavam e conversavam cantando, um respondendo ao outro. O escuro ia cedendo lugar a plantas e outras coisas mais que então, eram impossíveis de serem vistas. A luz chegava aos pouquinhos, ia fazendo a vida despertar numa metamorfose estonteante. Os primeiros raios do sol doíam em meus olhos, mas traziam a luz e o calor. Tudo ia mudando, tudo ganhando cor e vida. O dia chegou e estava novamente me oferecendo um enorme espetáculo. A natureza mestra fazia sua obra como sempre, com um primor indescritível. Laborava seus feitos com extremo esmero e perfeição.

Voei para longe, vi mil belezas além daquele horizonte vermelho. Beleza na flor, na folha, no pássaro, no verde na mata. E a câmera como sempre foi além, me aproximou de um ninho onde vi filhotes de pássaros sendo alimentados por sua mãe

***

Sem dizer nada segui meu caminho. Dei alguns passos, olhei para o céu e a vi. Lá estava ela, a enorme bola vermelha navegando na imensidão. Derramava beleza e magia.  Mais uma vez me extasiava com a magnitude e a perfeição desse universo sem fim.  Lua de sangue, dos mistérios e dos encantos. Tudo fazia sentido, pois, aquela era uma  NOITE DE ECLÍPSE.

 

Voltei para casa, fui até meu pequeno bar, peguei uma dose de uísque, sorvi suavemente o líquido, sentei-me em frente ao computador, liguei a máquina, abri um arquivo do Microsoft Word, soltei uma gargalhada de contentamento e comecei a digitar a frase:

 

Hoje eu estou aqui escrevendo sobre algo extraordinário que me aconteceu...

SER E SABER

 Ouvindo a música meus tempos de criança, aquela da professorinha a, famosa composição de Ataulfo Alves com a célebre frase; eu era feliz e não sabia fiquei pensando.

A imaginação e o sonho invadem e colorem  as lembranças e tudo no passado parece mágico, mas não é bem assim,  não temos saudade do que passou, temos saudade  do que deveria ter sido, ou do que deveriamos ter valorizado.  Entre o que senti e o que sinto há um enorme abismo. 

 Hoje vemos de forma glamourosa os acontecimentos da vida, tudo era belo, gostoso prazeroso. Mentira naquela época já existia a rotina. Reclamávamos  de muitas coisas e o que hoje é visto como algo encantado era visto à época como alguma coisa comum e corriqueira.

Eu tenho saudade do tempo da escola, dos colegas, das provas... Eu amava tudo isso?  Mentira. Reclamava de ter que estudar, ficava tenso na hora das provas e queria que aquela época hoje vista como tão mágica acabasse logo. Quantas vezes eu disse: não vejo a hora de me formar e sair dessa escola.   Naquela escola eu amo o que deveria ter amado

A minha lembrança mente para mim. A imaginação transforma as coisas. Eu queria ter sentido aquele apreço pela época passada, mas não sentia. Queria ter valorizado cada momento ali vivido. Queria ter sido o sonhador das lembranças de hoje, vendo vida brotar em  cada canto e achando tudo maravilhoso, mas não foi assim, tudo era rotina, trabalho e obrigação. 

A alegria estava escondida num canto qualquer tal qual um cobra enrodilhada esperando para  dar o bote quando o futuro chegasse. 

A frase era feliz e não sabia faz sentido, realmente não valorizávamos o tempo,  mas por que não ser feliz e saber? O hoje é apenas um tempo da vida assim como o passado. Será que o destino determinou assim: antigamente tudo era bom e hoje é tudo ruim? Isso não faz sentido.  Cada epoca tem seus encantos e tudo o que vivemos de uma forma ou de outra marca. Porque não valorizar o hoje com as coisas do hoje, com a mesma magia com que vemos o passado? 

Pode ter certeza você terá saudade do hoje, que acha sem graça da mesma forma que tem saudade desse passado que também achava sem graça.

Daqui há algum tempo vou me lembrar do dia  em que escrevia esse texto nesse blog. Do celular dessa epoca com as coisas que gosto de ler nele. dos inventos top de linha hoje que amanhã serão obsoletos. Dos papos com algumas pessoas que hoje acho sem graça, das pessoas que estão aqui e não mais estarão. As coisas sem graça do hoje serão maravilhosas no amanhã. 

Não não quero esperar, não preciso, esperar é jogar a vida fora. So tenho o hoje só ele é verdadeiro. O ontem se foi, so o  tenho nas lembranças deturpadas pela imaginação, o amanhã pode ser que nem venha. Dele nada sei. So o hoje está em minhas mãos. 

 A velha história de que só se dá valor quando se perde.

A vida acontece no agora.

Seja feliz hoje e  esteja consciente disso.


Site oficial  Neste site,  um pouco da carreira literária de Múcio Ataide, seguindo o caminho das letras para  brindar a vida e descobrir se...